
O polônio é um elemento radioativo que carrega história, ciência e até casos de espionagem. Símbolo Po, número atômico 84, massa atômica de 209 unidades. Foi descoberto em 1898 por Marie e Pierre Curie em Paris. Marie batizou o elemento em homenagem à Polônia, sua terra natal, então sob domínio do Império Russo.
A descoberta de Marie e Pierre Curie
No fim do século XIX, Marie Sklodowska-Curie e Pierre Curie investigavam a radioatividade do mineral pechblenda, que parecia mais radioativo do que poderia ser explicado por seu conteúdo conhecido de urânio. O casal hipotetizou que o mineral continha elementos não identificados pela ciência até então.
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Califórnio: o elemento mais caro do mundo, sintetizado em Berkeley em 1950 e raro até para reatoresEm julho de 1898, eles isolaram um novo elemento radioativo. Marie deu o nome de polônio em homenagem à Polônia, que naquele momento não existia como estado independente, dividida entre Rússia, Áustria e Alemanha. A nomeação foi também ato político, chamando atenção para a causa nacional polonesa. Em dezembro do mesmo ano, o casal anunciou a descoberta do rádio, segundo elemento radioativo do trabalho deles.
Por que o polônio é perigoso
O polônio-210, isótopo mais comum em laboratório, é um dos materiais mais tóxicos por massa que se conhece. A toxicidade vem da emissão de partículas alfa: radiação de alta energia que causa danos celulares severos quando ingerida ou inalada. Em quantidades imperceptíveis, o polônio pode ser fatal.
A radiação alfa é facilmente bloqueada por uma folha de papel ou pela camada externa morta da pele. Isso significa que polônio fora do corpo é menos perigoso, mas dentro dele se torna dispositivo de destruição celular. Esse contraste é precisamente o que tornou o elemento atraente para crimes específicos.
O polônio na espionagem
Em 2006, o ex-agente russo Alexander Litvinenko foi envenenado em Londres com polônio-210. Investigações britânicas concluíram que o elemento foi adicionado a uma xícara de chá em um hotel. Litvinenko morreu três semanas depois, em sofrimento documentado pela imprensa mundial. O caso projetou o polônio na cultura popular como veneno de espiões, embora seu uso real em assassinatos seja extremamente raro.
O caso também revelou como detetar polônio é desafiador. A radiação alfa não atravessa o corpo nem aparece em exames médicos comuns. Análises específicas em laboratórios especializados identificaram o agente, mas a substância passou desapercebida por dias enquanto a vítima procurava tratamento.
Aplicações pacíficas do polônio
Apesar da reputação sombria, o polônio tem aplicações industriais legítimas. É usado em escovas antiestáticas para limpeza de filme fotográfico e equipamentos eletrônicos sensíveis. Geradores termoelétricos pequenos para sondas espaciais e equipamentos militares dependem do calor liberado pelo decaimento radioativo do elemento, embora o plutônio-238 seja mais comum nessa aplicação.
Na natureza, o polônio aparece em traços em qualquer rocha que contenha urânio, como produto de decaimento. Solo, ar e até alimentos contêm quantidades infinitesimais. O fumo de tabaco concentra polônio-210 das folhas, e essa exposição é parte dos riscos de saúde do tabagismo, embora seja apenas um entre muitos compostos perigosos do cigarro.
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