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Saúde do solo rende prêmio Norman Borlaug a pesquisadora

Saúde do solo rende prêmio Norman Borlaug a pesquisadora
Ilustração: IA

Ieda Mendes, da Embrapa Cerrados, foi reconhecida por pesquisas que deram origem à tecnologia BioAS.

Cerimônia de entrega do Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade 2026
Cerimônia de entrega do Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade 2026, em São Paulo. Foto: Reprodução do evento transmitido por Embrapa e Abag.

A pesquisadora Ieda de Carvalho Mendes, da Embrapa Cerrados, recebeu na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, em São Paulo, o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade 2026. A homenagem, concedida pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, reconhece sua trajetória de quatro décadas em pesquisas sobre saúde do solo e o desenvolvimento da tecnologia BioAS, criada para avaliar a atividade biológica dos solos e apoiar uma agricultura mais sustentável.

Pesquisa transforma o solo em indicador de sustentabilidade

A entrega foi realizada pelo presidente da Abag, Ingo Plöger, e pela presidente da Embrapa, Silvia Massruhá. Em seu discurso, Ieda afirmou que o reconhecimento pode ampliar a visibilidade de uma área estratégica para a agricultura brasileira e estimular a formação de novos pesquisadores.

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“Vocês não imaginam o impacto desse reconhecimento para os nossos estudos. Hoje, este é um tema que atrai muitos jovens cientistas do Brasil”, afirmou Ieda Mendes.

A BioAS, lançada em 2020 após cerca de 20 anos de pesquisas, funciona como uma espécie de exame de sangue do solo. A tecnologia utiliza indicadores biológicos associados à matéria orgânica para identificar se o solo está saudável, em recuperação, adoecendo ou doente.

Segundo a Embrapa, a rede vinculada à BioAS reúne cerca de 30 laboratórios comerciais conectados à instituição. A estrutura também permitiu a formação de um banco de dados com mais de 71 mil amostras, usado como base de informações sobre a saúde dos solos brasileiros.

Segundo a Embrapa, o banco de dados da plataforma Saúde do Solo reunia mais de 71 mil amostras no momento da divulgação do prêmio, em 10 de agosto de 2026.

Solo saudável ajuda na adaptação climática

Durante a cerimônia, Ieda destacou a relação entre a qualidade biológica do solo, a produtividade e a resiliência dos sistemas agrícolas. Na avaliação da pesquisadora, solos em melhores condições conseguem armazenar mais água, sequestrar mais carbono e enfrentar com maior resistência períodos de estresse climático.

“Sabemos que o solo saudável, assim como a pessoa saudável, é mais produtivo. Ele armazena mais água e sequestra mais carbono”, avaliou a pesquisadora.

Esse debate também tem importância para a Amazônia. Em áreas agrícolas dos estados da região, como Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso, indicadores de saúde do solo podem contribuir para decisões sobre manejo, recuperação de áreas degradadas e uso mais eficiente dos recursos naturais. A aplicação em cada território depende de análises técnicas e das características de clima, relevo, vegetação e sistema produtivo.

A presidente da Embrapa afirmou que a BioAS pode apoiar políticas públicas ligadas à agricultura de baixo carbono, ao crédito e ao seguro rural, ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático e à recuperação de áreas degradadas.

“Ao valorizar a dimensão biológica do solo, a Ieda ajudou a ampliar a própria compreensão sobre sustentabilidade”, afirmou Silvia Massruhá.

Entenda o caso

A saúde do solo considera aspectos físicos, químicos e biológicos que influenciam a capacidade de sustentar plantas e desempenhar funções ambientais. A BioAS amplia esse diagnóstico ao medir a atividade de microrganismos relacionados à matéria orgânica.

O método não substitui outras análises de solo. Ele funciona como uma ferramenta complementar para orientar o manejo e acompanhar mudanças provocadas por práticas agrícolas, recuperação de áreas e diferentes formas de uso da terra.

Trajetória dedicada à microbiologia

Nascida em Brasília e neta de lavradores, Ieda Mendes foi a primeira pessoa da família a concluir o ensino superior. Formou-se em Agronomia pela Universidade de Brasília em 1987 e ingressou na Embrapa em 1989. A pesquisadora tem doutorado em Ciência do Solo e desenvolveu trabalhos em ecologia microbiana, fixação biológica de nitrogênio e atividade biológica dos solos.

Ao agradecer o prêmio, Ieda dividiu o reconhecimento com os colegas Guilherme Chaer, Fábio Bueno, Dario Dantas, Juaci Malaquias e Djalma Martinhão Sousa, que já morreu, além de analistas, assistentes de pesquisa, estudantes e bolsistas. Ela também agradeceu à Embrapa e à família pelo apoio durante a carreira.

Para a pesquisadora, o avanço da agricultura depende de uma visão baseada em processos naturais e no conhecimento científico, e não apenas na aplicação de produtos. A proposta é utilizar dados sobre a vida do solo para orientar escolhas mais precisas no campo.

Prêmio homenageia legado de Norman Borlaug

O prêmio leva o nome do engenheiro agrônomo e geneticista norte-americano Norman Borlaug, um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento de variedades de trigo de alto rendimento e resistentes a doenças. O trabalho realizado por ele no México contribuiu para ampliar a produção de alimentos em diferentes países.

Borlaug recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1970 por sua contribuição para o combate à fome. Inspirada nesse legado, a premiação da Abag reconhece profissionais que combinam ciência, inovação e compromisso com uma agricultura sustentável.

A Plataforma Saúde do Solo da Embrapa disponibiliza informações sobre a BioAS e os indicadores utilizados nas análises. O evento de entrega do prêmio também pode ser assistido na íntegra pela transmissão oficial.

Perguntas frequentes

O que é a tecnologia BioAS?

É uma tecnologia de bioanálise que avalia a saúde do solo por meio de indicadores relacionados à atividade biológica e à matéria orgânica.

Quem recebeu o Prêmio Norman Borlaug de Sustentabilidade 2026?

A pesquisadora Ieda de Carvalho Mendes, da Embrapa Cerrados, foi a homenageada nesta edição.

Por que a saúde do solo é importante?

Um solo saudável pode favorecer a produtividade, o armazenamento de água, o sequestro de carbono e a resistência dos sistemas agrícolas a estresses climáticos.

Os próximos passos envolvem ampliar o uso qualificado dos indicadores de saúde do solo e fortalecer a conexão entre pesquisa, laboratórios, políticas públicas e produtores rurais.

Com informações de Embrapa.

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