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Periquitos tropicais fazem festa noturna nas cidades da Alemanha

Periquitos tropicais fazem festa noturna nas cidades da Alemanha
Foto: share.google

Aves de origem africana e asiática se adaptaram ao clima urbano europeu e já reúnem centenas de indivíduos ao entardecer.

Periquito-de-colar em área urbana
Periquito-de-colar, espécie tropical que se estabeleceu em cidades do oeste da Alemanha. Foto: Michael Strobel/Pixabay.

Quem olha para o céu de Colônia ou Bonn no fim do dia pode ter a impressão de estar diante de uma paisagem tropical, mas os grandes bandos verdes que fazem barulho sobre as cidades alemãs são formados por periquitos-de-colar. Originárias da África e da Ásia, as aves se multiplicaram no oeste da Alemanha nas últimas décadas, aproveitando árvores, construções e microclimas urbanos para sobreviver ao inverno europeu e se reproduzir durante todo o ano.

A espécie, chamada cientificamente de Psittacula krameri, pertence à mesma família dos papagaios. O nome popular faz referência ao colar escuro que aparece ao redor do pescoço dos machos. Com plumagem verde intensa, bico avermelhado e voo rápido, os periquitos se tornaram uma presença fácil de notar em bairros, parques e margens do rio Reno.

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De aves escapadas a moradores das cidades

Segundo o ornitólogo Matthias Overmann, da Naturschutzbund Deutschland, conhecida pela sigla NABU, as primeiras populações da região do Reno provavelmente surgiram de aves que escaparam do Zoológico de Colônia e de propriedades particulares durante as décadas de 1960 e 1970.

Ao contrário de muitas aves que dependem de migrações para enfrentar períodos de escassez, os periquitos-de-colar permanecem no mesmo território. Eles são considerados altamente adaptáveis e conseguem encontrar alimento e abrigo em ambientes urbanos que, à primeira vista, parecem muito diferentes das áreas tropicais onde a espécie evoluiu.

Os chamados microclimas urbanos ajudam nessa permanência. Cidades costumam registrar temperaturas um pouco mais altas do que áreas rurais, além de oferecerem árvores maduras, fachadas com cavidades e fontes variadas de alimento. Invernos europeus cada vez mais amenos também podem favorecer a sobrevivência das aves durante todo o ano.

O encontro diário ao entardecer

Durante o dia, os periquitos circulam por diferentes bairros em busca de alimento. Quando a luz começa a diminuir, eles retornam a pontos específicos para passar a noite. O resultado é uma reunião barulhenta e colorida, descrita por moradores de Bonn como uma verdadeira “festa do pijama”.

Centenas de aves costumam se concentrar nas copas das árvores, em uma cena que mistura vozes estridentes, voos rápidos e disputas por espaço. Em Bonn, os dados do Grupo de Trabalho de Ornitologia de Bonn, OAG Bonn, indicam a presença de 2.401 periquitos-de-colar catalogados.

Segundo o OAG Bonn, 2.401 periquitos-de-colar foram catalogados em Bonn, na Renânia do Norte-Vestfália, conforme os dados citados no material de observação da cidade. A população fez com que a espécie passasse a integrar até mesmo exposições do Museu de História Natural de Bonn, ao lado de aves tradicionalmente associadas à fauna alemã.

Entenda o caso

Os periquitos-de-colar não são aves nativas da Alemanha. A população atual descende de animais que escaparam ou foram soltos décadas atrás, mas a espécie conseguiu estabelecer grupos reprodutivos independentes.

O caso é um exemplo de como algumas espécies exóticas podem se adaptar a ambientes urbanos. A presença das aves não significa que todo animal introduzido em uma nova região terá o mesmo resultado, já que clima, oferta de alimento e disponibilidade de abrigo variam bastante.

Na Europa, os periquitos também são observados em países como Reino Unido, Bélgica e França. O oeste da Alemanha, especialmente a área próxima ao Reno, tornou-se um dos principais pontos de concentração conhecidos no continente.

Ninhos em árvores e fachadas

O período de reprodução costuma ocorrer entre fevereiro e junho. Nessa fase, os periquitos procuram cavidades abertas por pica-paus em árvores, além de espaços em fachadas de edifícios. Esses locais funcionam como abrigo para a construção dos ninhos e para o desenvolvimento dos filhotes.

A escolha de estruturas urbanas pode gerar preocupação entre moradores, principalmente quando as aves ocupam pontos próximos a telhados, paredes ou áreas de circulação. Pessoas que identificam danos ou encontram ninhos devem procurar os órgãos ambientais locais antes de tentar remover os animais por conta própria.

Esse cuidado é importante porque aves silvestres podem ser protegidas por regras específicas, especialmente durante a reprodução. A intervenção inadequada também pode colocar filhotes em risco e provocar problemas para os próprios moradores.

Uma ave resgatada em Bonn

Embora grandes bandos sejam difíceis de observar de perto, uma exceção é Ziggy, uma fêmea encontrada debilitada pelo ilustrador Sebastian “Özi” Jenal. Segundo ele, a ave estava caída em uma ciclovia durante um dia de calor intenso e apresentava sinais de desidratação.

“Eu a encontrei no meio da ciclovia em um dia de 30 graus, completamente desidratada. Levei para casa para cuidar e depois descobrimos que ela tinha um problema neurológico”, contou Sebastian “Özi” Jenal.

Depois do resgate, Jenal procurou o órgão de Proteção à Paisagem e Meio Ambiente de Bonn para obter autorização para cuidar do animal. As autoridades concluíram que Ziggy não teria condições de sobreviver sozinha na natureza porque não conseguia voar adequadamente.

Com isso, a ave passou a viver permanentemente com a família. O veterinário informou que periquitos-de-colar podem viver cerca de 25 anos, o que transforma um resgate emergencial em um compromisso de longo prazo.

O que o caso ensina para outras regiões

A história alemã também desperta interesse em áreas urbanas da Amazônia, onde a presença de aves exóticas, animais de cativeiro escapados e espécies nativas exige atenção. Em cidades dos estados do Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins, a adaptação de animais ao ambiente urbano pode mudar a relação entre fauna, moradores e órgãos de fiscalização.

O exemplo dos periquitos mostra que a aparência inofensiva de uma ave não elimina a necessidade de monitoramento. Antes de alimentar, capturar ou soltar um animal, o mais seguro é buscar orientação de um órgão ambiental ou de um serviço veterinário especializado.

Em Bonn e em outras cidades europeias, a tendência é acompanhar a população, registrar novos grupos e avaliar possíveis impactos sobre árvores, prédios e outras espécies. Os próximos levantamentos devem ajudar a entender como os bandos continuarão se distribuindo pelo território alemão.

Perguntas frequentes

De onde vêm os periquitos-de-colar?

A espécie é originária de áreas da África e da Ásia. Na Alemanha, as populações atuais provavelmente descendem de aves escapadas de zoológicos e propriedades particulares.

Por que eles conseguem sobreviver ao inverno alemão?

Os periquitos encontram alimento e abrigo nas cidades, que costumam ter microclimas mais quentes do que as áreas rurais. A adaptação comportamental também ajuda a espécie a permanecer durante todo o ano.

O que fazer ao encontrar um periquito ferido?

O ideal é procurar um órgão ambiental ou serviço especializado da cidade. Não é recomendado manter a ave em casa ou soltá-la sem orientação, especialmente quando há sinais de lesão ou dificuldade para voar.

Com informações de Deutsch Welle.

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