
Encontrar uma arraia no fundo de um rio amazônico pode causar estranhamento.
O corpo achatado, as grandes nadadeiras laterais e a cauda equipada com ferrão lembram animais associados ao mar.
Mesmo assim, diferentes espécies de arraias passam toda a vida em água doce, longe do oceano.
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Focas conseguem ouvir no ar e debaixo d’água porque uma região cheia de sangue dentro da cabeça muda a maneira como o som chega aos ouvidosEssa presença representa uma pista sobre mudanças ocorridas na paisagem da América do Sul ao longo de milhões de anos.
O formato do corpo denuncia o parentesco
As arraias são parentes dos tubarões.
Em vez de ossos como os encontrados na maioria dos peixes, seu esqueleto é formado principalmente por cartilagem.
As nadadeiras peitorais se ampliaram e se uniram à região da cabeça, produzindo o formato de disco.
Os olhos ficam na parte superior do corpo. A boca e as aberturas branquiais estão localizadas na face inferior.
Essa organização permite que o animal permaneça próximo ao fundo enquanto observa o espaço acima.
A areia pode esconder quase todo o corpo
Muitas arraias possuem desenhos formados por manchas, círculos e padrões que se confundem com o leito dos rios.
Além da coloração, elas podem cobrir parte do corpo com areia ou sedimentos.
Depois disso, apenas os olhos e algumas aberturas permanecem visíveis.
Essa camuflagem ajuda tanto na proteção quanto na aproximação de pequenos animais utilizados como alimento.
Para uma pessoa caminhando em águas rasas, o animal pode ser difícil de perceber.
O ferrão é uma forma de defesa
A cauda de algumas arraias possui um ou mais ferrões serrilhados.
Eles não são utilizados para perseguir pessoas. O acidente geralmente ocorre quando o animal é pressionado ou pisado e movimenta a cauda para se defender.
Por isso, moradores de regiões com ocorrência de arraias conhecem formas específicas de entrar na água, reduzindo a chance de colocar o pé diretamente sobre um animal escondido.
O perigo existe, mas está ligado principalmente à defesa.
Uma antiga conexão com ambientes marinhos
A presença de arraias de água doce no interior do continente sugere uma longa história de adaptação.
Em períodos remotos, mudanças geológicas e hidrológicas alteraram a ligação entre áreas interiores e ambientes marinhos.
Populações ancestrais ficaram isoladas e, ao longo do tempo, passaram a viver e se reproduzir em água doce.
A paisagem atual esconde, portanto, sinais de ambientes muito antigos.
A arraia amazônica não chegou recentemente ao rio. Sua linhagem foi transformada por um processo evolutivo prolongado.
Um pedaço do passado no fundo do rio
O documentário A Grandiosa Amazônia destaca a diversidade de formas de vida adaptadas aos rios e às áreas inundáveis.
Entre elas, poucas parecem tão deslocadas quanto as arraias.
Ao permanecer imóvel sobre a areia, uma delas pode parecer apenas uma sombra circular.
Na realidade, aquele corpo carrega uma história ligada a mares antigos, mudanças do continente e milhões de anos de adaptação.
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