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Cães passam por exames de 10 minutos e distinguem medo, tristeza e raiva em rostos humanos

Cães passam por exames de 10 minutos e distinguem medo, tristeza e raiva em rostos humanos
Foto: Sara Hashemi

Estudo com 14 animais mostra que os cães processam emoções positivas e negativas de maneiras diferentes.

Um cão pode recuar diante de uma expressão de raiva, buscar contato quando percebe tristeza ou reagir com interesse a um rosto sorridente. Agora, imagens do cérebro ajudam a explicar esse comportamento: um estudo com 14 cães mostrou que os animais processam a felicidade, o medo e a raiva de formas diferentes e conseguem separar algumas emoções negativas entre si.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Viena e publicada na revista iScience em agosto de 2026. Os animais permaneceram acordados, sem contenção, durante exames de ressonância magnética de dez minutos enquanto observavam rostos humanos com diferentes expressões.

O que apareceu nas imagens do cérebro

Ressonância magnética é uma técnica que registra mudanças no funcionamento do cérebro por meio de imagens detalhadas. Neste estudo, os pesquisadores combinaram os exames com aprendizado de máquina, método que identifica padrões em grandes conjuntos de dados para comparar as reações cerebrais dos cães.

Na primeira etapa, oito animais viram rostos humanos desconhecidos, alguns felizes e outros neutros. As expressões felizes ativaram o córtex temporal e o núcleo caudado, regiões associadas ao processamento de informações complexas e à expectativa de recompensa.

O resultado combina com observações de pesquisas anteriores. Essas mesmas áreas podem ser ativadas quando um cão espera receber alimento ou ouve um elogio. Em outras palavras, a expressão positiva não foi apenas percebida como uma mudança no rosto, mas pareceu ter um valor especial para o animal.

Medo não foi processado como tristeza ou raiva

A segunda experiência envolveu 12 cães, que observaram rostos felizes, tristes, assustados e irritados. As respostas relacionadas às emoções negativas não repetiram o padrão encontrado para a felicidade.

Os exames indicaram ainda que o cérebro canino diferenciou o medo da tristeza e também o medo da raiva. No entanto, os pesquisadores não encontraram uma separação clara entre tristeza e raiva. Isso sugere que uma expressão facial isolada talvez não seja suficiente para que o cão reconheça com precisão essas duas emoções.

Segundo o estudo publicado na revista iScience em agosto de 2026, cães distinguem algumas emoções humanas negativas por meio de padrões diferentes de atividade cerebral, mas podem depender de sinais adicionais para separar tristeza e raiva.

Como os cães participaram do experimento

Treinar um animal para permanecer imóvel dentro de um aparelho de ressonância, acordado e sem amarras, é uma parte central do trabalho. Qualquer movimento pode comprometer a imagem e dificultar a comparação entre as respostas.

Os 14 cães foram preparados gradualmente para permanecer na posição exigida. A equipe considerou o desempenho deles muito consistente durante a tarefa. O procedimento também evitou o uso de sedação, que poderia alterar o funcionamento cerebral e impedir a observação das reações naturais aos rostos.

Apesar do número pequeno de participantes, o experimento oferece uma vantagem em relação a testes baseados apenas no comportamento. Um cão que se afasta ou se aproxima pode estar respondendo ao tom de voz, ao cheiro, à postura ou à experiência anterior com aquela pessoa. A imagem cerebral permite observar uma camada que não aparece diretamente nesses comportamentos.

Por que a raça pode mudar o resultado

Os próprios autores recomendam cautela ao estender as conclusões para todos os cães. A maioria dos animais avaliados era da raça border collie, conhecida pela capacidade de seguir sinais sociais e instruções humanas.

Isso cria uma limitação importante. Cães de companhia, animais de trabalho e populações com diferentes histórias de domesticação podem prestar atenção a sinais humanos de maneiras distintas. Idade, treinamento, convivência com pessoas e experiências positivas ou negativas também podem influenciar a reação diante de um rosto.

A psicóloga Bridget Waller, da Nottingham Trent University, que não participou da pesquisa, avalia que a capacidade de reconhecer rostos felizes pode ter relação com a frequência dessa expressão nas interações humanas. Sorrisos são comuns na comunicação cotidiana, enquanto sinais de tristeza, medo e raiva podem aparecer de forma menos padronizada.

O que isso significa para os cães da Amazônia

O estudo não foi realizado na Amazônia, mas o tema alcança diretamente quem convive com cães no Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão. Em casas, propriedades rurais, comunidades e ambientes urbanos, os animais dependem da leitura de pistas humanas para antecipar alimentação, brincadeiras, repreensões e mudanças na rotina.

A pesquisa reforça que a comunicação com um cão não acontece apenas por comandos. Postura corporal, tom de voz, distância e expressão facial podem formar um conjunto de sinais. Por isso, uma pessoa que parece ameaçadora para o animal pode provocar uma reação de recuo mesmo sem tocar nele, enquanto um comportamento calmo pode facilitar a aproximação.

Esse cuidado é especialmente relevante em regiões onde cães acompanham atividades de campo, protegem propriedades ou circulam entre diferentes pessoas. A capacidade de interpretar sinais não significa que o animal compreenda emoções humanas como uma pessoa compreenderia. Significa que ele aprendeu a associar determinados padrões a consequências no ambiente.

O próximo passo é observar os cães pelo olhar deles

Os pesquisadores planejam estudar como os cães combinam informações visuais, sons, cheiros e linguagem corporal para interpretar o mundo humano. Outra etapa será comparar a forma como cérebros de cães e pessoas respondem às mesmas pistas emocionais.

Essa abordagem pode contribuir para o bem-estar animal porque ajuda a identificar situações de estresse e melhora a comunicação entre cães e tutores. Também pode orientar práticas de treinamento que evitem ameaças e valorizem sinais claros, consistentes e previsíveis.

As próximas pesquisas deverão incluir mais animais e maior diversidade de raças, além de situações que reproduzam melhor a convivência cotidiana, para verificar até onde essa habilidade aparece fora do laboratório.

Dúvidas comuns sobre a pesquisa

Os cães entendem as emoções humanas como as pessoas?

Não há evidência de que eles compreendam emoções com a mesma experiência subjetiva dos humanos. O estudo mostra que o cérebro canino diferencia padrões associados a algumas expressões e provavelmente relaciona esses sinais a comportamentos que podem ocorrer depois.

O resultado vale para qualquer raça?

Ainda não é possível afirmar isso. A maior parte dos participantes era de border collies, e outras raças podem apresentar capacidades diferentes de atenção e interpretação de sinais sociais.

Com informações da Universidade de Viena.

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