Chuva de meteoros Tauridas terá dois picos em 2026 e pode render bolas de fogo no céu noturno

Chuva de meteoros Tauridas terá dois picos em 2026 e pode render bolas de fogo no céu noturno
Foto: Jennifer Rogers

Fenômeno ligado aos fragmentos do cometa Encke será melhor observado em locais escuros e sem nuvens.

Quem estiver em um lugar escuro nas noites de outubro e novembro de 2026 poderá acompanhar meteoros lentos e brilhantes atravessando o céu, sem precisar de telescópio. A chuva de meteoros Tauridas será formada por dois trechos da mesma corrente de detritos do cometa Encke, com pico da ramificação Sul em 10 de outubro e da ramificação Norte em 12 de novembro.

Dois momentos para procurar os meteoros

A atividade da Taurida Sul começa em 10 de setembro e se estende até 20 de novembro. Já a Taurida Norte aparece entre 20 de outubro e 10 de dezembro. Os intervalos são longos porque a nuvem de partículas deixada pelo cometa é espalhada, como uma faixa muito extensa de poeira no caminho da Terra.

O fenômeno não costuma produzir uma grande quantidade de meteoros por hora. A estimativa indicada pelo Royal Observatory Greenwich é de aproximadamente cinco meteoros por hora no momento de máxima atividade. Ainda assim, os riscos luminosos associados às Tauridas podem ser relativamente lentos e brilhantes, o que aumenta a chance de identificar alguns deles.

Segundo o Royal Observatory Greenwich, a Taurida Sul atingirá seu máximo em 10 de outubro de 2026, enquanto a Taurida Norte terá o pico em 12 de novembro de 2026.

Por que a chuva tem duas partes

Uma chuva de meteoros acontece quando a Terra atravessa uma região que contém fragmentos deixados por um cometa ou asteroide. Ao entrarem na atmosfera em alta velocidade, essas partículas aquecem o ar ao redor e produzem os riscos luminosos chamados meteoros.

No caso das Tauridas, a origem está nos restos do cometa Encke. Como a corrente de detritos é ampla e pouco concentrada, o planeta leva semanas para atravessá-la. A trajetória aparente dos meteoros parece começar na constelação de Touro, chamada Taurus em latim. É daí que vem o nome da chuva.

A separação entre as versões Sul e Norte não significa que sejam dois fenômenos sem relação. Elas são consideradas partes diferentes da mesma nuvem de detritos e apresentam densidade semelhante. Por isso, os dois picos têm taxas de observação próximas.

O melhor horário depende do céu local

O principal requisito para observar as Tauridas é encontrar um ponto com horizonte amplo, pouca iluminação artificial e céu sem nuvens. A luz de postes, prédios e veículos reduz o contraste e pode esconder os meteoros mais fracos. Uma área rural, uma praia afastada ou uma unidade de conservação sem iluminação direta tende a oferecer condições melhores do que o centro de uma cidade.

Não há vantagem especial em usar binóculos ou telescópio. Esses equipamentos estreitam o campo de visão, enquanto os meteoros podem surgir em diferentes pontos do céu. O método mais eficiente é olhar para cima a olho nu, evitando fontes de luz diretamente no rosto e esperando alguns minutos para que a visão se acostume à escuridão.

Uma cadeira reclinável ou uma esteira ajuda porque a espera faz parte da observação. Também é recomendável levar água, proteger-se do frio em regiões onde as temperaturas caem à noite e não usar a tela do celular continuamente, já que a luminosidade atrapalha a adaptação dos olhos.

O que muda nas duas noites de pico

A Lua Nova ocorrerá no período do máximo da Taurida Sul, em 10 de outubro. Isso favorece a visualização porque praticamente não haverá luar competindo com os meteoros. Na máxima da Taurida Norte, em 12 de novembro, a Lua estará em fase crescente. De acordo com o observatório britânico, ela deverá se pôr relativamente cedo, deixando a parte mais avançada da noite mais favorável à observação.

Esse horário precisa ser ajustado para cada localidade. O momento em que a Lua desaparece no horizonte varia conforme a latitude e a longitude. Na Amazônia, moradores do Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão também podem tentar observar as Tauridas, desde que encontrem um ponto aberto e afastado do brilho urbano. Em cidades como Manaus e Belém, a nebulosidade frequente e a iluminação artificial podem ser obstáculos maiores do que a própria atividade da chuva.

Para quem vive na região amazônica, o fenômeno oferece uma oportunidade de conectar a observação do céu a conhecimentos tradicionais e à ciência astronômica. A visibilidade real, porém, dependerá das condições meteorológicas da noite, do horizonte e da posição da constelação de Touro para cada município. Não é necessário viajar para o Reino Unido, onde as datas foram divulgadas, para tentar ver o fenômeno.

Uma chuva discreta, com história antiga

As Tauridas também são conhecidas como “bolas de fogo de Halloween” por ocorrerem no fim de outubro e no começo de novembro. O apelido está relacionado aos meteoros mais luminosos, não a uma garantia de que o céu ficará cheio de clarões. A maioria das noites terá poucos meteoros, e a observação depende de paciência.

Cometa Encke e as Tauridas são considerados possíveis remanescentes de um cometa muito maior, que teria se desintegrado ao longo de um período estimado entre 20 mil e 30 mil anos. Os meteoros dessa corrente são relativamente lentos. Eles atravessam o céu a cerca de 17 milhas por segundo, ou aproximadamente 65 mil milhas por hora.

A velocidade menor pode facilitar a percepção visual, mas não significa que o meteoro ficará parado. O brilho normalmente dura apenas alguns instantes. Por isso, mapas e aplicativos podem ajudar a localizar a constelação de Touro, mas não substituem um campo de visão amplo e a observação contínua.

O que você precisa saber para observar

As Tauridas serão visíveis a olho nu?

Sim. Não é necessário usar instrumentos ópticos. O mais importante é ficar longe de luzes diretas e aguardar a adaptação dos olhos ao escuro.

Qual é a melhor data de 2026?

Há duas datas principais: 10 de outubro para a Taurida Sul, favorecida pela Lua Nova, e 12 de novembro para a Taurida Norte, quando a Lua crescente deverá deixar o céu mais escuro após se pôr.

Quantos meteoros podem aparecer?

A estimativa é de cerca de cinco meteoros por hora no pico. O número observado pode ser menor ou maior conforme a transparência do céu, a poluição luminosa e a posição do observador.

A atividade das Tauridas seguirá até 20 de novembro na ramificação Sul e até 10 de dezembro na ramificação Norte de 2026, encerrando mais uma passagem anual da Terra pela corrente de detritos do cometa Encke.

Com informações de Royal Observatory Greenwich.

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