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Seis lontras passam seis meses sob observação e ficam mais ativas quando visitantes se aproximam

Seis lontras passam seis meses sob observação e ficam mais ativas quando visitantes se aproximam
Foto: newswise.com

Estudo australiano acompanhou 146 sessões e não encontrou sinais de estresse ligados à presença do público.

Lontra asiática de pequenas garras no Adelaide Zoo
Lontras asiáticas de pequenas garras estão entre as espécies mais sociais e vocais da família. Foto: Adelaide Zoo.

Seis lontras asiáticas de pequenas garras ficaram mais ativas e visíveis quando havia pessoas próximas no Adelaide Zoo, na Austrália, segundo um estudo da Universidade de Adelaide publicado em 17 de agosto de 2026. A pesquisa acompanhou os animais durante seis meses, em 146 sessões de uma hora, e não encontrou evidências de comportamentos associados ao estresse provocado pela presença de visitantes.

O resultado contraria a ideia de que o público necessariamente prejudica o bem-estar de animais mantidos em zoológicos. Os pesquisadores observaram que as lontras nadavam, se movimentavam e apareciam mais quando havia visitantes. Elas também apresentaram uma leve tendência a vocalizar mais, embora o estudo não tenha identificado quais tipos de sons foram emitidos.

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O que os pesquisadores observaram

Durante as sessões, a equipe registrou o nível de atividade das lontras, a visibilidade dos animais e a ocorrência de vocalizações. Entre os sons possíveis estavam guinchos, gorjeios, gritos e latidos, comportamentos conhecidos na comunicação da espécie.

Os cientistas compararam momentos em que havia apenas visitantes com períodos em que funcionários do zoológico também estavam próximos. A presença da equipe teve pouca influência sobre as vocalizações, apesar da hipótese de que as lontras poderiam reagir de maneira diferente a cuidadores conhecidos.

Segundo a Universidade de Adelaide, as lontras asiáticas de pequenas garras foram mais ativas e visíveis no Adelaide Zoo durante a presença de visitantes, entre 2025 e 2026. A frase resume o principal achado, mas não significa que o estudo tenha comprovado um efeito positivo causado diretamente pelo público.

Entenda o caso

O trabalho avaliou seis animais de uma espécie social e vocal, mantidos em um zoológico australiano. Os pesquisadores acompanharam a rotina dos animais, compararam a presença de pessoas e registraram atividade e vocalizações.

A conclusão foi observacional. Isso significa que a pesquisa identificou uma associação, mas não estabeleceu uma relação de causa e efeito. As lontras podem ter ficado mais ativas por causa dos visitantes, ou animais já ativos podem ter atraído mais pessoas para o recinto.

Mais movimento não significa necessariamente bem-estar

Para Paige Klingner, coautora principal e doutoranda da Escola de Ciências Animais e Veterinárias da Universidade de Adelaide, os dados desafiam a suposição de que os visitantes sempre exercem influência negativa sobre os animais.

“Nosso estudo não encontrou evidências de que os visitantes estivessem associados a comportamentos relacionados ao estresse nessas lontras. Em vez disso, elas geralmente estavam mais ativas e visíveis quando havia pessoas”, afirmou Klingner.

A pesquisadora, no entanto, ponderou que ainda são necessários novos estudos antes de se concluir que os visitantes proporcionam uma experiência positiva ou enriquecedora. A simples observação de mais movimento não permite, sozinha, avaliar o estado emocional dos animais.

Bridget Cooper-Rogers, também autora do trabalho, explicou que a equipe verificou apenas se as lontras vocalizavam. O estudo não analisou o significado de cada som. Na espécie, vocalizações diferentes podem estar relacionadas a excitação, interação social, expectativa, alerta ou estresse.

“O próximo passo é identificar os diferentes tipos de chamados para entender melhor se determinadas vocalizações refletem experiências positivas, antecipação ou estresse”, disse Cooper-Rogers.

Limitações e próximos estudos

O autor sênior, Eduardo Fernandez, destacou que a pesquisa não permite afirmar que a presença de pessoas foi a causa do aumento da atividade. Alimentação, temperatura, condições meteorológicas, horário das visitas e características do recinto também podem ter influenciado o comportamento.

Seis lontras passam seis meses sob observação e ficam mais ativas quando visitantes se aproximam
Ilustração: IA

“As pessoas frequentemente presumem que os visitantes são estressantes para os animais de zoológico, mas isso não necessariamente acontece”, afirmou Fernandez. Segundo ele, as interações entre animais e público são mais complexas do que parecem.

Uma etapa futura será separar os diferentes chamados emitidos pelas lontras. Com essa identificação, os pesquisadores poderão avaliar se a vocalização observada em cada situação está ligada à interação entre indivíduos, à expectativa por alimento, à curiosidade ou a sinais de desconforto.

Espécie vulnerável também vive sob pressão na Ásia

A lontra asiática de pequenas garras é classificada como vulnerável na natureza. A espécie ocorre em áreas úmidas do sul e do sudeste da Ásia e enfrenta ameaças como perda de habitat, poluição, redução de presas e captura ilegal.

Por serem animais sociais, comunicativos e adaptáveis, essas lontras também são usadas em programas de educação ambiental. Zoológicos podem contribuir para ações de conservação, reprodução sob cuidados humanos e sensibilização do público, desde que o manejo considere as necessidades físicas e comportamentais de cada espécie.

A experiência australiana também oferece um ponto de comparação para o Brasil, mas não deve ser aplicada automaticamente aos animais amazônicos. A região abriga espécies diferentes, como a ariranha e a lontra-neotropical, que vivem em rios, igarapés, lagos e áreas alagadas de estados como Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso.

Em ambientes naturais da Amazônia, a presença humana pode representar riscos distintos, incluindo perda de áreas de abrigo, contaminação da água, pesca excessiva, ruído de embarcações e perseguição. Por isso, resultados obtidos com lontras em um recinto controlado não substituem pesquisas de campo nem servem como autorização para aproximar pessoas de animais selvagens.

O estudo “You Otter Not Talk: A Preliminary Study of Asian Small-Clawed Otter Vocalizations and Activity in the Presence of Visitors and Staff” foi publicado no Journal of Zoological and Botanical Gardens. Leia o estudo completo no periódico científico.

Novas pesquisas devem incluir mais animais, outros zoológicos, diferentes condições ambientais e uma análise detalhada dos sons para esclarecer se a aproximação do público beneficia as lontras ou apenas coincide com períodos de maior atividade.

Perguntas frequentes

Os visitantes estressaram as lontras?

O estudo não encontrou evidências de comportamentos relacionados ao estresse durante a presença dos visitantes. Ainda assim, os pesquisadores não afirmam que o público tenha causado um efeito positivo.

Quantas lontras participaram da pesquisa?

Foram observadas seis lontras asiáticas de pequenas garras no Adelaide Zoo, ao longo de seis meses e 146 sessões de uma hora.

O estudo analisou o significado dos sons?

Não. A equipe registrou se as lontras vocalizavam, mas não identificou os tipos de chamados. Essa é uma das próximas etapas previstas pelos pesquisadores.

Com informações de Universidade de Adelaide.

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