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O macaco brasileiro cujo grito atravessa até 5 quilômetros usa a própria cauda como um quinto membro

Quem caminha por uma floresta habitada por bugios pode escutar os animais muito antes de conseguir enxergá-los. O som grave produzido por esses primatas atravessa a vegetação e pode ser ouvido a quilômetros de distância, criando a impressão de que existe um animal muito maior escondido entre as árvores.

Também conhecidos como guaribas, os bugios estão entre os primatas mais reconhecíveis das florestas brasileiras. Além da vocalização poderosa, possuem uma cauda preênsil que participa ativamente de seus movimentos e funciona quase como um quinto membro.

Por que o grito do bugio é tão alto?

O chamado do bugio pode ser ouvido a uma distância de até cinco quilômetros, dependendo das condições do ambiente. A intensidade da vocalização está relacionada a adaptações anatômicas que ampliam o som produzido pelo animal.

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Esses chamados não servem apenas para chamar a atenção. Eles ajudam diferentes grupos a perceber a presença uns dos outros e a delimitar áreas de uso sem a necessidade de um confronto físico.

Em uma floresta densa, aproximar-se de um grupo rival pode representar gasto de energia e risco de ferimentos. A vocalização permite que os animais comuniquem sua posição a distância.

É comum que os chamados sejam mais intensos em determinados horários, especialmente no início do dia. Mudanças no ambiente ou a proximidade de outro grupo também podem provocar respostas coletivas.

A cauda do bugio funciona como um quinto membro

A cauda preênsil do bugio consegue envolver galhos e oferecer apoio durante os deslocamentos pela copa. Ela ajuda o animal a manter o equilíbrio, alcançar alimentos e sustentar o corpo enquanto utiliza as mãos para explorar a vegetação.

Essa característica é especialmente importante para um primata que passa grande parte da vida nas árvores. Uma queda em uma floresta alta pode ser fatal, e qualquer ponto adicional de apoio aumenta a segurança durante o deslocamento.

A cauda não é apenas comprida. Sua extremidade possui sensibilidade e capacidade de aderência, permitindo que o bugio ajuste a força utilizada ao se prender.

O livro Bichos do Brasil, utilizado como fonte para este conteúdo, descreve a cauda preênsil como uma estrutura que funciona como um quinto membro para esses animais.

O que os bugios comem?

A alimentação dos bugios é formada principalmente por folhas, frutos e outras partes vegetais. Embora as folhas sejam abundantes, elas não são necessariamente fáceis de digerir ou muito energéticas.

Por isso, os bugios costumam passar períodos descansando. O repouso ajuda a economizar energia enquanto o organismo processa uma alimentação rica em fibras.

Os frutos também fazem parte da dieta e podem variar de acordo com a estação e a disponibilidade de árvores frutíferas. Ao consumir frutos e se deslocar pela floresta, os bugios podem participar da dispersão de sementes.

Bugios transmitem febre amarela?

Não. Bugios não transmitem febre amarela diretamente aos seres humanos. Eles também podem adoecer e morrer após serem infectados pelo vírus.

A transmissão ocorre pela picada de mosquitos infectados. Quando bugios são encontrados mortos em determinada região, o caso pode servir como um alerta para a possível circulação do vírus.

Por essa razão, os animais são chamados de sentinelas da febre amarela. O adoecimento de uma população de macacos pode ajudar as autoridades sanitárias a identificar áreas de risco e orientar ações de vacinação.

Matar bugios não impede a circulação da doença. Pelo contrário, a perseguição aos animais elimina uma espécie importante para a floresta e dificulta a identificação precoce da presença do vírus.

Por que os bugios são importantes para a floresta?

Além de participarem da dinâmica da vegetação por meio da alimentação, os bugios integram a cadeia ecológica e ajudam pesquisadores a compreender a conservação das matas.

A presença de grupos em uma região pode indicar que ainda existem árvores, alimentos e conexões suficientes para sustentar primatas arborícolas.

Quando a floresta é fragmentada, os animais podem ficar isolados em pequenas áreas, com menos alimentos e maior risco de contato com estradas, redes elétricas e ambientes urbanos.

O grito que atravessa quilômetros, portanto, não é apenas uma curiosidade sonora. Ele pertence a um animal que depende da continuidade da floresta e que pode revelar informações importantes sobre a saúde do ambiente.

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