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Caranguejeira de estimação: o que saber antes de criar

Caranguejeira de estimação: o que saber antes de criar
Foto: costanorte-com-br.cdn.ampproject.org

Duas espécies têm venda autorizada no Brasil, mas exigem terrários diferentes e cuidados durante o manejo.

Ter uma aranha grande andando pelo terrário pode parecer estranho para muita gente, mas a caranguejeira já conquistou espaço entre os animais de estimação exóticos. Em 28 de julho de 2026, o médico-veterinário Danilo Sato, do quadro É Pet, da TV Cultura Litoral, explicou como funciona a criação legalizada no Brasil, quais espécies estão disponíveis para compra e por que o terrário precisa ser montado de acordo com o comportamento de cada animal.

Segundo as informações apresentadas por Sato, o país conta atualmente com apenas um criatório autorizado a comercializar caranguejeiras. As opções disponíveis são a Avicularia avicularia, conhecida como tarântula de dedos rosa, e a Lasiodora parahybana, chamada de tarântula rosa salmão brasileira.

Apesar de pertencerem ao mesmo grupo, as duas espécies não vivem da mesma maneira. Essa diferença é importante para quem pretende adquirir uma aranha, porque um terrário inadequado pode comprometer o bem-estar do animal e dificultar a observação de seus hábitos.

Espécies autorizadas têm comportamentos diferentes

A Lasiodora parahybana é uma espécie de hábito terrestre. Por isso, precisa de um terrário com substrato no chão, onde possa se movimentar e se acomodar. A estrutura deve permitir que o tutor acompanhe o animal sem a necessidade de manipulação frequente.

Já a Avicularia avicularia tem comportamento arborícola. O terrário, nesse caso, precisa contar com galhos, pontos de apoio e tocas instaladas em áreas mais altas. A organização do espaço deve reproduzir, dentro do possível, as condições necessárias para uma espécie que passa boa parte do tempo longe do solo.

Segundo a TV Cultura Litoral, a alimentação das duas caranguejeiras inclui insetos. Dependendo do tamanho do animal, também podem ser oferecidos pequenos roedores e aves. A dieta, porém, deve ser definida com orientação especializada, considerando a espécie, a idade e as condições da aranha.

Por que as fêmeas são as mais procuradas

Uma das principais diferenças entre os sexos está na expectativa de vida. As fêmeas podem viver até 20 anos, enquanto os machos geralmente não ultrapassam cinco anos. Por esse motivo, as fêmeas são as que aparecem à venda no criatório mencionado pelo especialista.

A identificação do sexo pode ocorrer durante a troca de pele, processo conhecido como exúvia, ou quando o animal chega à fase adulta. A exúvia funciona como uma espécie de registro do desenvolvimento da aranha e pode ajudar na análise feita por pessoas capacitadas.

Nas fêmeas, o abdômen costuma ficar proporcionalmente maior que o cefalotórax. Nos machos adultos, uma das características observadas são os pedipalpos, estruturas localizadas na região dianteira que funcionam como pequenas luvas para armazenar espermatozoides.

Entenda o caso

Caranguejeiras são aranhas pertencentes ao grupo das tarântulas. Embora tenham veneno, a substância é descrita pelo veterinário como mais eficiente contra as presas do que contra seres humanos. Isso não significa que o animal deva ser tratado como inofensivo ou manipulado sem orientação.

O principal alerta apresentado por Danilo Sato está nos pelos do abdômen. Quando se sente ameaçada, a caranguejeira pode liberar esses pelos como mecanismo de defesa. Eles provocam coceira intensa e podem causar forte irritação na pele, além de reações alérgicas em algumas pessoas.

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Segundo a TV Cultura Litoral, as caranguejeiras Avicularia avicularia e Lasiodora parahybana são as espécies citadas como disponíveis para venda legalizada no Brasil em 28 de julho de 2026.

Cuidados antes de comprar uma caranguejeira

O primeiro passo é verificar a origem do animal. A compra deve ser feita exclusivamente de criatório autorizado, com a documentação exigida para a comercialização. Adquirir uma aranha de origem desconhecida pode estimular o tráfico de animais silvestres e ainda deixar o tutor sem informações confiáveis sobre a espécie.

Também é necessário preparar o terrário antes da chegada do pet. O modelo depende do comportamento da caranguejeira: a espécie terrestre precisa de espaço e substrato no piso, enquanto a arborícola necessita de galhos e abrigos em altura.

A rotina deve ser observada sem excesso de interferência. Caranguejeiras não são animais que precisam ser retirados do terrário para interagir com o tutor. O contato direto aumenta a possibilidade de quedas, estresse e defesa do animal, especialmente quando a pessoa não conhece os sinais de desconforto.

Para quem vive na Amazônia, em estados como Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão, as condições de temperatura e umidade do ambiente podem influenciar a montagem do terrário. A orientação é buscar um médico-veterinário familiarizado com animais silvestres e exóticos antes de definir a estrutura, a alimentação e a frequência de limpeza.

Veneno fraco não elimina os riscos

O fato de o veneno ter baixa ação sobre seres humanos não autoriza o manejo sem cuidado. Além dos pelos urticantes, mordidas podem ocorrer quando a aranha é encurralada, apertada ou submetida a movimentos bruscos.

Por isso, crianças e outros animais domésticos não devem ter acesso livre ao terrário. O recinto precisa ficar em local seguro, com abertura controlada e sem risco de tombamento. Em caso de contato com os pelos ou de reação após o manejo, a recomendação é procurar atendimento médico e informar qual animal estava envolvido.

Quem ainda estiver apenas pesquisando deve comparar a longevidade da fêmea, o espaço necessário e os custos de alimentação e manutenção com a própria rotina. A decisão de ter uma caranguejeira pode durar décadas, e o próximo passo é confirmar a disponibilidade legal da espécie e consultar um profissional antes da compra.

Perguntas frequentes

Caranguejeira e tarântula são a mesma coisa?

Os termos são usados para se referir a aranhas do grupo das tarântulas. No Brasil, caranguejeira é o nome popular mais comum para várias dessas espécies.

A caranguejeira é perigosa para humanos?

O veneno é descrito como fraco para humanos, mas o animal pode liberar pelos do abdômen que provocam coceira e irritação. O manejo deve ser evitado ou feito apenas com orientação especializada.

Qualquer pessoa pode comprar uma caranguejeira?

A compra deve ocorrer somente por meio de criatório autorizado e dentro das regras aplicáveis à criação de animais silvestres e exóticos. A origem e a documentação precisam ser verificadas antes da aquisição.

Com informações de TV Cultura Litoral.

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