
Três anos depois das acusações de greenwashing que mancharam a Copa do Mundo do Catar, em 2022, a edição de 2026 chega cercada de novos alertas ambientais. Especialistas e um relatório da Universidade de Manchester apontam o risco de sportswashing, o uso do prestígio do esporte para suavizar a imagem de setores poluentes, em um torneio que será o maior da história e movimentará cifras bilionárias.
Estimado em cerca de R$ 46 bilhões (US$ 8,9 bilhões), o Mundial de 2026 caminha para se tornar o mais lucrativo de todos os tempos. E é justamente essa escala que acende o sinal de alerta entre pesquisadores que acompanham a relação entre grandes eventos esportivos e clima.
O legado do Catar e a dúvida sobre a neutralidade
Em dezembro de 2022, a Comissão Suíça de Equidade, com respaldo de organizações da Bélgica, França, Reino Unido e Países Baixos, contestou a alegação da FIFA de que a Copa do Catar teria sido neutra em carbono. A entidade concluiu que houve uma impressão falsa e enganosa de neutralidade climática, segundo a organização Carbon Market Watch. O episódio virou marco no debate sobre promessas ambientais no futebol.
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Petrobras estuda duplicar fábricas de fertilizantes no Brasil“Agora, a própria FIFA se coloca em um cenário duvidoso, já que a Copa de 2026 ocorrerá nos Estados Unidos, que se retirou do Acordo de Paris pela segunda vez. Isso traz à tona um questionamento: a preocupação com a sustentabilidade é genuína, ou é um pano para agradar as agendas internacionais?”, questiona Liu Berman, líder do Movimento Reinventando Futuros e da LB Cultura Circular.
Um torneio maior, mais espalhado e mais poluente
Disputada por Estados Unidos, México e Canadá, a Copa de 2026 terá, em comparação com 2022, 50% mais seleções, 62,5% mais partidas e o dobro de estádios, além de duração cerca de 35% maior. Mais sedes significam mais voos, mais deslocamentos e mais consumo de energia. Estimativas citadas no debate apontam para 7,8 milhões de toneladas de CO₂ ao longo do torneio, número que tensiona o próprio objetivo ambiental da FIFA, batizado de EN3, que prevê reduzir a poluição local das operações.
Greenwashing e sportswashing: a diferença
O relatório da Universidade de Manchester, “Football and Climate Change: A preview of the 2026 FIFA World Cup”, distingue os dois fenômenos. Enquanto o greenwashing tenta fazer uma organização parecer menos poluente do que é, o sportswashing integra o capital fóssil ao futebol de forma tão profunda que sua presença passa despercebida, apesar dos danos ambientais. Segundo o documento, a cada evento ou equipe patrocinada por uma empresa de combustíveis fósseis, a hegemonia desse setor se enraíza um pouco mais na sociedade.
“Enquanto a preocupação com a agenda climática não for real, casos de lavagem verde vão continuar existindo. Reduzir a poluição local na maior competição de futebol da história será uma missão, no mínimo, desafiadora”, completa Berman, que será palestrante na programação oficial da COP30.
Por que isso interessa ao Brasil
O debate não é distante da realidade brasileira. Às vésperas de sediar a COP30, em Belém, o país vive a tensão entre projetar uma imagem ambientalmente responsável e enfrentar contradições concretas, das emissões ao desmatamento. O caso da Copa funciona como espelho: mostra como o discurso verde pode virar fachada quando não vem acompanhado de metas e dados verificáveis.
Perguntas frequentes
O que é sportswashing?
É o uso do esporte para melhorar a imagem de empresas ou países poluentes, “lavando” sua reputação por meio do prestígio de grandes eventos esportivos.
Por que a Copa de 2026 preocupa ambientalmente?
Por ser a maior da história e disputada em três países, exige mais deslocamentos e estrutura, o que tende a elevar as emissões de carbono do torneio.
Com informações da Universidade de Manchester e da Carbon Market Watch.
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