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Brasil Soberano III prevê crédito para minerais críticos

Brasil Soberano III prevê crédito para minerais críticos
Foto: ibram.org.br

Programa de R$ 18,5 bilhões inclui financiamento com taxa de 3% para projetos de transformação mineral no país.

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) avaliou positivamente o Brasil Soberano III, programa de crédito instituído por medida provisória em 24 de julho de 2026 para apoiar empresas exportadoras afetadas por tarifas dos Estados Unidos e por conflitos internacionais. A iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em financiamentos e estabelece taxa de 3% para projetos de mineradoras voltados ao beneficiamento, à separação, ao refino e à transformação de minerais críticos e estratégicos no Brasil.

Taxa menor mira projetos de longo prazo

Na avaliação do IBRAM, a taxa diferenciada considera as características dos empreendimentos de transformação mineral. Esses projetos exigem investimentos elevados, aquisição de equipamentos especializados, domínio tecnológico e prazos mais longos para maturação e retorno financeiro.

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Para o diretor-presidente do IBRAM, Pablo Cesário, a inclusão dos minerais críticos e estratégicos entre as prioridades do programa reconhece o papel dessas substâncias na balança comercial e no desenvolvimento industrial brasileiro.

“A inclusão dos minerais críticos e estratégicos entre as prioridades do programa reconhece a importância dessas substâncias para a balança comercial e para o desenvolvimento industrial. Uma linha de crédito destinada à transformação mineral, com custo compatível com projetos de longo prazo, pode contribuir para ampliar o processamento no Brasil e fortalecer etapas de maior valor da cadeia produtiva”, afirma Pablo Cesário, diretor-presidente do IBRAM.

Segundo o IBRAM, o objetivo é estimular a agregação de valor dentro do território nacional. Na prática, isso pode ampliar a participação brasileira em etapas industriais que normalmente ficam concentradas fora do país, especialmente no processamento de insumos usados em tecnologias de energia, eletrônica, defesa, transporte e infraestrutura.

Como serão distribuídos os recursos

Do total de R$ 18,5 bilhões anunciado no programa, R$ 13,5 bilhões terão origem no Tesouro Nacional. Os recursos são provenientes de valores não utilizados do Brasil Soberano I e da renegociação de dívida rural. Outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES.

O Brasil Soberano III apresenta seis modalidades de financiamento. A linha destinada aos minerais críticos e à transformação mineral terá custo financeiro de 3%. Nas demais modalidades, as taxas informadas variam de 6,5%, para investimentos, a 9,8%, para capital de giro.

A diferença entre as taxas indica uma tentativa de direcionar o crédito para projetos estruturantes, com impacto sobre a capacidade produtiva e a competitividade da indústria. No setor mineral, esse tipo de financiamento pode apoiar desde a instalação ou modernização de plantas até a compra de máquinas e sistemas utilizados em processos de concentração, separação e refino.

Entenda o caso

O Brasil Soberano III foi criado para oferecer apoio financeiro a empresas exportadoras afetadas por tarifas comerciais dos Estados Unidos, por conflitos internacionais e por mudanças no ambiente econômico global.

O programa também inclui os minerais críticos no Grupo 2, formado por setores industriais considerados estratégicos. Empresas enquadradas nessa categoria poderão acessar linhas destinadas a investimentos e à aquisição de bens de capital, desde que atendam às regras previstas.

A existência da linha não significa que todas as mineradoras terão acesso automático ao crédito. A concessão dependerá do enquadramento do projeto e do atendimento aos critérios estabelecidos na medida provisória e nas normas complementares.

Minerais críticos e a agenda amazônica

A discussão tem importância direta para a Amazônia Legal, região que reúne depósitos minerais relevantes e projetos associados a diferentes etapas da cadeia produtiva. Estados como Pará, Amazonas, Amapá, Rondônia, Roraima, Acre, Tocantins e Maranhão participam, em diferentes níveis, do debate sobre pesquisa mineral, produção, logística, industrialização e sustentabilidade.

O acesso a crédito mais barato pode favorecer investimentos em infraestrutura, tecnologia e qualificação profissional, mas a efetividade da política dependerá da capacidade de transformar recursos financeiros em empreendimentos com segurança operacional, responsabilidade socioambiental e benefícios para as comunidades onde os projetos estão instalados.

O processamento mineral realizado próximo às áreas produtoras também pode reduzir a dependência de exportações de produtos com menor valor agregado. Para isso, são necessários energia confiável, logística adequada, licenciamento ambiental, mão de obra especializada e previsibilidade regulatória.

Regulamentação será decisiva

O IBRAM considera que a regulamentação do programa deverá apresentar critérios objetivos, segurança jurídica e condições operacionais compatíveis com as particularidades dos projetos minerais. A entidade afirma que a avaliação definitiva sobre os efeitos da medida dependerá do texto integral da medida provisória e das normas que disciplinarão a concessão dos financiamentos.

Entre os pontos que deverão ser detalhados estão os requisitos para enquadramento dos projetos, os procedimentos de análise, os prazos de contratação, as garantias exigidas e a forma de comprovação da finalidade dos recursos. Também será necessário esclarecer como serão avaliadas empresas que atuam com substâncias minerais fora do escopo prioritário.

Empresas de outros segmentos da mineração poderão ser contempladas caso atendam aos critérios relacionados às tarifas comerciais dos Estados Unidos, aos conflitos internacionais ou aos setores considerados estratégicos para a balança comercial.

Segundo o IBRAM, o Brasil Soberano III prevê R$ 18,5 bilhões em crédito e taxa de 3% para projetos de transformação de minerais críticos e estratégicos no país, conforme as condições divulgadas em 24 de julho de 2026.

Os próximos passos serão a publicação das regras operacionais e a definição dos procedimentos para que as empresas apresentem seus projetos às instituições financeiras responsáveis.

Perguntas frequentes

O que é o Brasil Soberano III?

É um programa de crédito criado por medida provisória para apoiar empresas exportadoras afetadas por tarifas dos Estados Unidos e conflitos internacionais, além de setores estratégicos para a balança comercial.

Qual é a taxa de juros para minerais críticos?

A linha destinada a projetos de beneficiamento, separação, refino e transformação de minerais críticos e estratégicos prevê custo financeiro de 3%.

Todas as mineradoras terão acesso automático ao crédito?

Não. As empresas precisarão atender aos critérios de enquadramento e às normas que ainda disciplinarão a concessão dos financiamentos.

Com informações de Instituto Brasileiro de Mineração.

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