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Reino Unido põe 400 milhões de libras no Fundo de Florestas Tropicais , mas TFFF ainda busca US$ 3 bilhões antes da COP31

Reino Unido põe 400 milhões de libras no Fundo de Florestas Tropicais , mas TFFF ainda busca US$ 3 bilhões antes da COP31
Ilustração: Revista Amazônia

Novo compromisso eleva os recursos prometidos ao fundo florestal, enquanto investidores aguardam as eleições brasileiras.

O Fundo Florestas Tropicais para Sempre ganhou um novo aporte, mas ainda não chegou ao tamanho considerado necessário para funcionar em escala global. O Reino Unido anunciou nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, uma contribuição de 400 milhões de libras, cerca de US$ 540 milhões, para o mecanismo criado com o objetivo de remunerar países em desenvolvimento que mantêm suas florestas tropicais preservadas.

O anúncio britânico chega meses depois do momento em que era esperado. A confirmação havia sido aguardada durante a COP30, realizada no ano passado, quando Alemanha e Noruega também apresentaram seus compromissos. A ausência do Reino Unido naquela ocasião provocou frustração entre os defensores do fundo.

O dinheiro que já foi prometido

Com a nova participação, o TFFF passa a reunir mais de US$ 7 bilhões em compromissos de oito países. Além do Reino Unido, a lista inclui Brasil, Indonésia, Noruega, Alemanha, França, Holanda, Portugal e Luxemburgo.

A Noruega continua como principal financiadora individual, com uma promessa de US$ 3 bilhões. O objetivo político do fundo é atingir US$ 10 bilhões até a COP31, prevista para novembro. Isso significa que ainda existe uma diferença de aproximadamente US$ 3 bilhões entre o volume comprometido e a meta estabelecida.

Segundo o governo do Reino Unido, o país anunciou em 3 de setembro de 2026 um aporte de 400 milhões de libras ao TFFF para apoiar a conservação de florestas tropicais em países em desenvolvimento.

Como o TFFF pretende pagar pela floresta em pé

O desenho do fundo combina recursos públicos e privados. Países e entidades filantrópicas entram como investidores patrocinadores e aceitam assumir uma parcela maior do risco. Essa primeira camada busca tornar o mecanismo mais atraente para outros aportadores.

Na prática, o modelo tenta usar o dinheiro inicial para mobilizar um volume maior de capital. A lógica é conhecida como blended finance, ou financiamento combinado. O recurso de patrocinadores funciona como proteção parcial para diminuir riscos e abrir espaço a investidores que normalmente seriam mais cautelosos em operações ambientais de longo prazo.

A proposta também muda a forma de medir o valor econômico de uma floresta. Em vez de concentrar a remuneração apenas em projetos específicos ou na venda de créditos de carbono, o fundo foi concebido para repassar recursos aos países que conservam áreas de floresta tropical. O pagamento, portanto, está associado à manutenção do território florestal.

O guia sobre o funcionamento do TFFF apresenta os principais elementos do mecanismo, incluindo sua estrutura financeira e a participação dos países investidores.

A eleição brasileira entrou na conta

A arrecadação do fundo ganhou uma dimensão política. Pelo menos cinco países considerados potenciais investidores aguardam o resultado da eleição presidencial brasileira antes de anunciar seus compromissos.

China, Japão, Coreia do Sul e Canadá aparecem entre os possíveis novos participantes. Alemanha e Holanda também são apontadas como candidatas a ampliar os aportes já anunciados.

O receio desses governos é que uma eventual mudança no comando do Brasil altere a prioridade dada ao TFFF ou interrompa sua continuidade. Por isso, a eleição de outubro passou a ser observada como um fator de segurança política para decisões que envolvem bilhões de dólares e contratos financeiros de longo prazo.

Esse impasse ajuda a explicar por que a meta de US$ 10 bilhões ainda não foi alcançada. O fundo depende de dinheiro, mas também de previsibilidade. Investidores precisam saber se a estrutura continuará operando, quais países receberão os pagamentos e quais regras serão aplicadas ao longo do tempo.

O que o aporte representa para a Amazônia

A conexão com a Amazônia brasileira é direta. O bioma se espalha por Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, estados onde a conservação florestal convive com pressão por abertura de áreas, expansão econômica e necessidade de renda para as populações locais.

O TFFF não substitui políticas nacionais de fiscalização, regularização fundiária, bioeconomia ou apoio às comunidades. Seu papel pretendido é criar uma fonte internacional adicional de financiamento para que a floresta preservada tenha retorno econômico para os países que assumem esse esforço.

Para os estados amazônicos, o ponto central é saber como os recursos chegarão ao território. O valor anunciado pelo Reino Unido não representa um repasse automático a governos estaduais, municípios ou comunidades. A distribuição dependerá das regras do próprio fundo e dos compromissos assumidos pelo Brasil.

Também há uma dimensão regional. Indonésia e outros países tropicais enfrentam desafios semelhantes, como a pressão sobre florestas, a necessidade de gerar empregos e a dificuldade de transformar conservação em receita estável. Um mecanismo internacional pode criar uma referência comum, mas terá de provar que os pagamentos chegam a quem mantém a floresta e que os resultados podem ser monitorados.

O momento decisivo citado pelo WWF-Brasil

Para Mauricio Voivodic, diretor-executivo do WWF-Brasil, a confirmação britânica ocorre em uma etapa crítica para o fundo. “Esperamos que o compromisso do Reino Unido seja um estímulo para que outros países avancem também e ajudem a levar essa solução à escala que a crise exige”, afirmou em nota.

A declaração resume o desafio atual: o anúncio amplia a base financeira do TFFF, mas não encerra a fase de mobilização. O fundo ainda precisa atrair novos governos, convencer investidores privados e superar a incerteza política antes de atingir a meta prevista para a próxima conferência climática.

O compromisso também recoloca o Reino Unido na negociação internacional sobre florestas tropicais. A demora não impediu a entrada do país, mas reduziu o efeito político que o anúncio poderia ter produzido durante a COP30, quando o tema estava no centro das discussões sobre financiamento climático.

Os próximos marcos do fundo

Os próximos passos estão ligados a dois calendários. Primeiro, a eleição presidencial brasileira, em outubro, que pode influenciar a decisão de países ainda indecisos. Depois, a COP31, em novembro, quando o Brasil pretende apresentar uma nova marca de captação e tentar completar os US$ 10 bilhões previstos para o TFFF.

Até lá, o fundo terá de transformar promessas políticas em compromissos financeiros formalizados. A diferença entre anunciar recursos e colocá-los em operação será decisiva para medir se o mecanismo conseguirá financiar a conservação em escala compatível com a pressão sobre as florestas tropicais.

Com informações do governo do Reino Unido e do WWF-Brasil.

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