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Projeto Potássio Autazes avança para financiamento, mira produção nacional e prevê FEED concluído em 2027

Projeto Potássio Autazes avança para financiamento, mira produção nacional e prevê FEED concluído em 2027
Foto: Divulgação

Apoio federal, decisões judiciais e contratos de engenharia aproximam o empreendimento da fase de construção no Amazonas.

O Projeto Potássio Autazes passou a reunir, ao mesmo tempo, instrumentos de financiamento, decisões judiciais favoráveis e contratos de engenharia necessários para preparar a construção de uma mina no Amazonas. A Brazil Potash afirma que os avanços registrados em 2026 reduziram obstáculos regulatórios e aumentaram as condições para buscar recursos destinados à implantação do empreendimento.

O projeto está localizado em Autazes, no interior do Amazonas, e pretende produzir potássio para o mercado brasileiro de fertilizantes. A empresa informou que a fase atual ainda é de preparação técnica e financeira. A conclusão dos projetos de engenharia básica está prevista para o início do segundo trimestre de 2027, etapa considerada necessária antes do financiamento da engenharia de construção.

O que mudou no caminho para a obra

Uma das principais mudanças ocorreu no ambiente de financiamento. A sanção do Profert, programa criado para estimular a produção e a oferta de fertilizantes, preservou, segundo a empresa, as disposições fiscais aprovadas pelo Congresso Nacional. O mecanismo poderá permitir créditos tributários associados à produção e reduzir parte dos custos de implantação.

O programa também prevê uma linha de financiamento para construção administrada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. A proposta está vinculada à busca por maior autonomia brasileira em fertilizantes e minerais considerados estratégicos para a produção agrícola.

Em 26 de agosto de 2026, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou R$ 4 bilhões em recursos adicionais administrados pelo BNDES e apoio de capital de giro para a indústria de fertilizantes. Os recursos integram um pacote mais amplo de R$ 18,5 bilhões. A medida foi apresentada como parte da política federal de fortalecimento do setor, mas a eventual participação do Projeto Potássio Autazes dependerá das regras de financiamento e das etapas de análise do empreendimento.

Conteúdo nacional cria uma demanda gradual

Outro ponto do Profert citado pela Brazil Potash é a criação de um piso de conteúdo nacional para fertilizantes vendidos no Brasil. A exigência começará em 2% em 2027 e chegará a 10% em 2037. Para a empresa, essa regra pode formar uma base de demanda para a produção prevista em Autazes.

Na prática, o dispositivo relaciona a política industrial à necessidade de ampliar a oferta interna de fertilizantes. O Brasil possui uma agricultura de grande escala e depende de cadeias internacionais para parte relevante dos insumos utilizados no campo. A produção em território nacional não elimina a necessidade de importações, mas pode ampliar as alternativas disponíveis para fabricantes e produtores rurais.

Para a Amazônia, o debate tem uma dimensão adicional. O empreendimento está no Amazonas, estado que enfrenta desafios logísticos para receber equipamentos, transportar insumos e conectar operações industriais a outros mercados. Qualquer avanço no projeto terá efeitos potenciais sobre serviços, contratação de mão de obra e infraestrutura local, embora a extensão desses impactos dependa da execução das próximas fases.

Decisões judiciais mantiveram licenças em vigor

A frente jurídica também teve desdobramentos em agosto. No dia 11, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região rejeitou um recurso relacionado a decisões anteriores sobre o projeto. De acordo com a Brazil Potash, essas decisões confirmam a validade das licenças ambientais e do processo de consulta aos povos indígenas.

Em 21 de agosto, o Supremo Tribunal Federal rejeitou uma petição que pretendia suspender as atividades de construção. A companhia afirma que a decisão manteve válidas as determinações judiciais favoráveis e as licenças vigentes.

Segundo a Brazil Potash, o TRF-1 rejeitou em 11 de agosto de 2026 um recurso relacionado às licenças ambientais e à consulta aos povos indígenas do Projeto Potássio Autazes, no Amazonas.

As decisões não encerram automaticamente todas as obrigações do empreendimento. A continuidade de uma obra de mineração depende do cumprimento das condicionantes ambientais, das exigências regulatórias e dos compromissos assumidos no processo de consulta. A empresa, por sua vez, trata os julgamentos como marcos para avançar na preparação da construção.

Engenharia define o próximo teste do empreendimento

A Brazil Potash contratou a WSP UK Ltd. e a Redpath Deilmann para os trabalhos de engenharia básica relacionados ao poço da mina e ao desenvolvimento construído. A Wood e a Promon Engenharia já atuam no escopo das instalações de superfície.

Essa etapa, conhecida pela sigla FEED, organiza as especificações técnicas, os custos estimados, os requisitos de construção e a integração entre os diferentes sistemas do projeto. A previsão é concluir a cobertura de engenharia no início do segundo trimestre de 2027. O resultado deverá servir de base para a engenharia de construção e para a análise de financiadores.

A empresa também iniciou programas de treinamento no local, avançou em acordos para perfuração geotécnica e recebeu propostas no modelo BOOT para atender à energia necessária durante a construção. Nesse formato, uma empresa pode construir, operar e transferir a infraestrutura conforme as condições contratuais estabelecidas.

Além disso, investidores fizeram novas visitas à área e prosseguiu a diligência de terceiros sobre a dívida de construção. Essa análise costuma avaliar riscos técnicos, ambientais, jurídicos e financeiros antes da liberação de recursos. O início da obra, portanto, continua condicionado à conclusão dos estudos, à estruturação financeira e às autorizações aplicáveis.

O que o avanço representa para o Amazonas

Autazes ocupa uma posição estratégica na discussão sobre mineração e fertilizantes na região amazônica. O projeto pode aproximar uma atividade industrial de uma cadeia agrícola que hoje depende de rotas de importação e distribuição por longas distâncias. Ao mesmo tempo, a localização exige atenção permanente aos impactos sobre o território, às comunidades e aos recursos naturais.

Esse equilíbrio interessa não apenas ao Amazonas, mas também aos demais estados da Amazônia Legal. Pará, Rondônia, Acre, Roraima, Amapá, Tocantins e Mato Grosso possuem atividades agrícolas, florestais e logísticas que dependem de insumos e transporte. Ainda assim, não há indicação de que o projeto produzirá efeitos diretos em todos esses estados. A conexão regional está no debate sobre infraestrutura, fertilizantes e circulação de mercadorias dentro da Amazônia.

O cronograma informado pela Brazil Potash aponta para a conclusão do FEED no início do segundo trimestre de 2027, enquanto a empresa continuará tratando do financiamento, dos estudos geotécnicos, dos treinamentos e das avaliações de investidores antes de avançar para a construção.

Com informações de Brazil Potash.

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