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Fundo de impacto leva R$ 435 milhões a 6,7 mil pequenos negócios e amplia crédito contra crises climáticas

Fundo de impacto leva R$ 435 milhões a 6,7 mil pequenos negócios e amplia crédito contra crises climáticas
Ilustração: Revista Amazônia

Modelo que combina filantropia e investimento financia empreendedores sem exigir garantias e inclui preparação para desastres.

Para muitos micro e pequenos negócios, sobreviver a uma enchente, proteger o estoque ou manter fornecedores ativos pode depender de acesso rápido a crédito. É nesse ponto que o Fundo de Impacto Estímulo concentra sua atuação: criado em maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19, o fundo já destinou R$ 435 milhões a mais de 6,7 mil empreendedores em todas as regiões do Brasil e passou a incorporar a preparação para eventos climáticos à sua estratégia de financiamento.

A iniciativa será apresentada no evento Impact Minds, com participação de seus porta-vozes, entre eles o CEO Lucas Conrado. A proposta combina crédito produtivo orientado, capacitação e investimentos de impacto para atender negócios que frequentemente ficam fora dos critérios tradicionais dos bancos.

Crédito sem garantia amplia o alcance do fundo

O modelo adotado pelo Estímulo é baseado no chamado blended finance, estrutura que reúne recursos filantrópicos, públicos e privados para multiplicar o alcance do capital. Na prática, doações e investimentos de diferentes perfis são organizados para oferecer financiamento com taxas mais baixas, sem exigir garantias reais e com orientação para o uso produtivo dos recursos.

Segundo o Fundo de Impacto Estímulo, 65% do crédito originado atende empreendedores de regiões de baixa renda, enquanto 37% dos beneficiários acessaram crédito produtivo pela primeira vez. Os dados ajudam a dimensionar o foco da iniciativa, que não se limita a colocar dinheiro no caixa, mas busca apoiar decisões capazes de melhorar a operação e a continuidade dos negócios.

Além do crédito, a instituição oferece capacitação gratuita e personalizada por WhatsApp, programas de mentoria e conexão com empresas e organizações parceiras. Entre os parceiros citados estão Sebrae, OpenAI, Itaú, Vale, Serasa, Santander, Meta, Aliança pelo Impacto e Google. O Estímulo também informa manter parceria oficial com o BNDES.

Da emergência sanitária à prevenção de perdas

O fundo nasceu com uma finalidade emergencial: evitar o fechamento de pequenos negócios afetados pelas restrições sanitárias da pandemia. A baixa inadimplência e os resultados observados no período levaram os idealizadores, entre eles Abilio Diniz e Eduardo Mufarej, a manter a iniciativa e reorganizá-la como um fundo de impacto.

A mudança ampliou o campo de atuação. Em vez de responder apenas a uma crise já instalada, o Estímulo passou a estruturar mecanismos para recuperação econômica e preparação diante de eventos extremos. Chuvas em São Paulo e Minas Gerais estiveram entre as situações que receberam resposta da instituição.

O principal exemplo é o Fundo Estímulo Retomada RS, criado depois das fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Considerado pela instituição o primeiro fundo privado de emergência climática voltado exclusivamente a micro e pequenas empresas no Brasil, o programa já liberou R$ 68 milhões para mais de mil empreendedores em 142 cidades gaúchas, com impacto estimado em mais de 12 mil empregos.

O que muda quando o crédito chega antes da tragédia

Na nova fase do Retomada RS, estão previstos mais R$ 28 milhões para negócios que ainda não retornaram aos níveis anteriores à crise e para medidas de preparação contra futuros eventos climáticos. Desse total, R$ 5 milhões foram destinados pelo Instituto Helda Gerdau, liderado por Beatriz Johannpeter.

A lógica apresentada por Lucas Conrado é que a resiliência começa antes do desastre. Manutenção preventiva, proteção de estoques e equipamentos, diversificação de fornecedores e planejamento financeiro podem reduzir o tempo de paralisação quando uma emergência acontece.

“É dentro deste contexto que o acesso a capital orientado e produtivo também precisa ser entendido de duas formas: além de instrumento de reconstrução, como ferramenta de prevenção”, afirmou Lucas Conrado, CEO do Fundo de Impacto Estímulo.

Segundo o Fundo de Impacto Estímulo, o Retomada RS já liberou R$ 68 milhões em crédito para mais de mil empreendedores de 142 cidades do Rio Grande do Sul desde a criação do programa após as chuvas de 2024.

Mulheres e Amazônia Legal entram na estratégia

A atuação do fundo está organizada em verticais de impacto que complementam a oferta financeira. Uma delas, o Estímulo Mulheres, busca apoiar trabalho, independência financeira e empoderamento feminino. Do total acumulado pela instituição, 30% do crédito foi destinado a negócios liderados por mulheres.

Outra frente é a Amazônia Legal, voltada à geração de empregos de qualidade para populações desassistidas, à inclusão social e à preservação da floresta. A conexão é especialmente relevante para empreendedores de Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, estados em que a distância dos centros financeiros, a informalidade e a exposição a eventos climáticos podem dificultar o acesso a crédito convencional.

O material divulgado pelo fundo não apresenta, nesta etapa, um recorte de valores ou de beneficiários exclusivamente amazônicos. Ainda assim, a existência de uma frente dedicada à região coloca o financiamento de pequenos negócios dentro de uma agenda que relaciona renda, conservação ambiental e desenvolvimento local. Para a realidade amazônica, esse vínculo é decisivo em atividades dependentes de transporte, sazonalidade, produção rural, comércio e serviços.

Reconhecimento internacional e próximos passos

Em 2024, o Estímulo tornou-se estudo de caso no programa de MBA da Harvard Business School. O trabalho, elaborado pelo professor Vikram S. Gandhi, foi apresentado na disciplina de Investimentos Sustentáveis e tratou a experiência brasileira como referência latino-americana em blended finance e impacto social.

Em seis anos de operação, os R$ 435 milhões destinados pelo fundo alcançaram mais de 6,7 mil empreendedores e impactaram cerca de 68 mil empregos, de acordo com os dados divulgados pela instituição. A próxima etapa combina a expansão do acesso ao crédito com capacitação e ações de prevenção, enquanto a frente Retomada RS continua apoiando negócios afetados pelas chuvas de 2024.

Com informações do Fundo de Impacto Estímulo.

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