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Senado aprova política para minerais críticos, cria rastreabilidade de origem e leva pressão ambiental à cadeia

Senado aprova política para minerais críticos, cria rastreabilidade de origem e leva pressão ambiental à cadeia
Ilustração: Revista Amazônia

Projeto segue para sanção presidencial e pode mudar a forma como o Brasil comprova a origem e os impactos de seus minerais.

Antes de um mineral chegar à indústria, ao mercado internacional ou a uma tecnologia ligada à transição energética, uma pergunta passará a ganhar peso no Brasil: de onde ele veio e o que aconteceu durante sua extração? Essa é a mudança que pode entrar no centro da atividade mineral com a aprovação, pelo Senado Federal, do Projeto de Lei nº 2.780/2024, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e prevê um sistema de rastreabilidade de origem.

O texto foi aprovado pelo Congresso e seguiu para sanção presidencial. Portanto, a obrigação ainda não está em vigor como lei sancionada, mas o país avançou na direção de transformar a origem dos minerais em uma informação verificável, pública e associada aos impactos de toda a cadeia produtiva.

O que poderá ser acompanhado pelo sistema

A proposta não trata apenas de identificar o local onde um minério foi retirado. O sistema deverá reunir informações sobre a procedência dos minerais críticos, as etapas de extração e produção e os efeitos gerados ao longo desse percurso.

Na prática, a rastreabilidade funciona como uma espécie de histórico da cadeia. Em vez de o comprador receber apenas o produto final, a política cria a expectativa de que seja possível consultar os dados que explicam sua origem e verificar as condições em que ele foi produzido.

O projeto prevê que essas informações sejam baseadas em evidências verificáveis e tenham acesso público. Esse ponto é decisivo porque desloca a discussão de declarações genéricas de responsabilidade para documentos e registros capazes de sustentar a origem informada por empresas e fornecedores.

Da promessa de responsabilidade à prova pública

Segundo o Senado Federal, o PL nº 2.780/2024 institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e determina a criação de um sistema de rastreabilidade de origem para essa cadeia no Brasil.

A proposta responde a uma dificuldade recorrente do setor mineral: saber se o material adquirido foi extraído de acordo com regras ambientais e sociais ou se passou por uma cadeia marcada por danos que desaparecem quando o minério é misturado, beneficiado e transformado em outro produto.

É nesse ponto que a medida defendida pelo Instituto Escolhas há anos ganha dimensão econômica. Um sistema obrigatório, transparente e confiável pode ajudar o país a demonstrar a origem dos seus minerais em negociações internacionais, ao mesmo tempo que aumenta a pressão por respeito ao meio ambiente e às comunidades locais.

Segundo o Senado Federal, o projeto aprovado cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e prevê rastreabilidade pública sobre a origem, a produção e os impactos associados aos minerais.

Senado aprova política para minerais críticos, cria rastreabilidade de origem e leva pressão ambiental à cadeia
Ilustração: Revista Amazônia

A conta ambiental não desaparece na exportação

A rastreabilidade não elimina, por si só, os impactos da mineração. Ela também não garante automaticamente que uma operação seja responsável. Seu papel é tornar mais difícil esconder a trajetória do mineral e mais fácil identificar quem participou dela, quais procedimentos foram adotados e quais consequências precisam ser avaliadas.

Essa diferença é importante. Um sistema pode revelar uma cadeia problemática, mas ainda dependerá de fiscalização, responsabilização e aplicação das normas para produzir mudanças concretas. A qualidade da política estará ligada à capacidade de os dados serem completos, atualizados, acessíveis e comparáveis.

O texto aprovado também abre uma disputa sobre a implementação. A sanção presidencial será o próximo passo formal, mas a efetividade do mecanismo dependerá da forma como suas regras forem detalhadas e colocadas em operação. Sem critérios claros, a rastreabilidade pode se limitar a uma camada documental sem capacidade de alterar práticas.

Por que a Amazônia entra nessa discussão

Para a Amazônia, a discussão tem um peso particular porque qualquer expansão da atividade mineral na região envolve uma combinação sensível de território, biodiversidade, comunidades locais e acesso a mercados. A nova política poderá afetar a forma como projetos situados nos estados amazônicos terão de apresentar sua origem e seus impactos caso estejam relacionados a minerais classificados como críticos ou estratégicos.

O interesse regional não está apenas no local de extração. Compradores, investidores e governos de outras partes do mundo também podem usar informações de origem para decidir com quem negociar. Isso significa que uma operação na Amazônia poderá ser avaliada não somente pelo volume produzido, mas pela capacidade de comprovar como o mineral foi obtido.

Ao mesmo tempo, a transparência pode ampliar a participação de comunidades afetadas e de organizações de controle social. Com dados públicos, torna-se possível comparar o que foi autorizado, o que foi produzido e quais impactos foram registrados. Sem acesso às informações, essa verificação fica restrita às empresas e aos órgãos diretamente envolvidos.

O momento internacional aumenta a pressão

Minerais críticos ocupam posição estratégica porque são associados a cadeias industriais e à transição energética. A demanda por esses recursos amplia a oportunidade de negócios para países produtores, mas também eleva as exigências sobre origem, segurança de fornecimento e responsabilidade ambiental.

O Brasil, portanto, tenta se posicionar em um mercado no qual ter reservas ou capacidade de produção não será suficiente. A vantagem poderá estar em demonstrar que o mineral atende a critérios que compradores consideram relevantes. Nesse cenário, a rastreabilidade pode funcionar tanto como instrumento de controle quanto como passaporte comercial.

O ponto ainda não resolvido é a distância entre criar o sistema e fazê-lo funcionar de modo confiável. Será necessário definir como os dados serão coletados, quem responderá por sua validação, como as informações serão atualizadas e quais consequências existirão para registros incompletos ou inconsistentes.

O projeto agora aguarda a decisão presidencial. Depois dessa etapa, os próximos atos de regulamentação e implementação serão determinantes para saber se a rastreabilidade se tornará uma ferramenta efetiva de transparência ou apenas mais uma exigência formal na cadeia mineral brasileira.

Com informações de Instituto Escolhas.

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