Com 209 profissionais em Manaus, Einstein e Fiocruz Amazônia articulam pesquisa para a saúde da região

Com 209 profissionais em Manaus, Einstein e Fiocruz Amazônia articulam pesquisa para a saúde da região
Foto: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia

Instituições discutem ações integradas em vigilância, saúde digital, diagnóstico e tecnologias voltadas às populações amazônicas.

Mais de 209 profissionais e bolsistas já atuam em Manaus no Centro Einstein de Inovação e Tecnologia em Saúde, uma estrutura que pode ganhar novas frentes de trabalho a partir da aproximação com a Fiocruz Amazônia. As duas instituições discutiram, na sexta-feira (18/9), uma agenda conjunta de pesquisa, vigilância em saúde, saúde digital e desenvolvimento de tecnologias para os desafios da região.

O encontro ocorreu na sede do Instituto Leônidas e Maria Deane, unidade da Fiocruz Amazônia, em Manaus. A reunião reuniu dirigentes das duas instituições e serviu para apresentar áreas de atuação, identificar complementaridades e avaliar possibilidades de cooperação técnico-científica. Até o momento, trata-se de uma articulação em fase de construção, sem anúncio de um acordo definitivo.

Uma parceria pensada a partir do território

A proposta parte de uma questão prática: soluções desenvolvidas para sistemas de saúde com infraestrutura, distâncias e perfis populacionais diferentes dos amazônicos nem sempre podem ser aplicadas diretamente na região. Por isso, a discussão entre Fiocruz Amazônia e Einstein busca combinar conhecimento produzido localmente com capacidade tecnológica e experiência hospitalar.

O diretor-geral do Einstein, Henrique Neves, afirmou que a presença da instituição na Amazônia pretende fortalecer o trabalho com redes e organizações locais. Na avaliação dele, a colaboração pode reunir competências distintas para criar respostas mais adequadas às particularidades do território.

Também participaram da reunião o diretor de Inovação do Einstein, Rodrigo Demarch, a gerente de Inovação da instituição em Manaus, Gabriela Xavier, e Vania Thaumaturgo, assessora do Centro de Inovação e Tecnologia em Saúde. Pela Fiocruz Amazônia, estiveram presentes a diretora Stefanie Lopes, a vice-diretora de Pesquisa e Inovação, Michele El Kadri, e o chefe do Escritório de Projetos, Emanuel Edwan de Lima.

Do diagnóstico à saúde digital

Entre as possibilidades debatidas está o desenvolvimento de inovações diagnósticas orientadas por problemas encontrados na Amazônia. A intenção é aproximar a pesquisa das necessidades dos serviços de saúde, considerando dificuldades de deslocamento, diversidade cultural, distribuição populacional e diferentes condições de acesso ao atendimento.

Segundo a Fiocruz Amazônia, o Einstein mantém em Manaus o Centro Einstein de Inovação e Tecnologia em Saúde, inaugurado oficialmente em 2024. A unidade reúne pesquisa, desenvolvimento tecnológico e parcerias, com foco, entre outras áreas, em soluções de saúde digital. O centro também participa de iniciativas do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde, o Proadi-SUS, incluindo ações relacionadas à vigilância e à saúde indígena.

Segundo a Fiocruz Amazônia, o Centro Einstein de Inovação e Tecnologia em Saúde foi inaugurado em Manaus em 2024 e conta atualmente com mais de 209 profissionais contratados e bolsistas. A estrutura funciona como uma base para projetos aplicados, mas os resultados de uma eventual agenda conjunta ainda dependem da definição de projetos, responsabilidades e formas de financiamento.

Com 209 profissionais em Manaus, Einstein e Fiocruz Amazônia articulam pesquisa para a saúde da região
Foto: Júlio Pedrosa / Fiocruz Amazônia

O Plano CASA como eixo de integração

Durante a reunião, Michele El Kadri apresentou o Plano Ciência, Ambiente, Sociedade e Saúde na Amazônia, conhecido como Plano CASA. A iniciativa foi construída coletivamente em oficinas que envolveram pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia, pesquisadores visitantes e representantes de diferentes áreas da Fiocruz.

O plano organiza o futuro da pesquisa na unidade a partir de cinco domínios: Sociedade, Cultura e Território; Política, Planejamento e Gestão; Vigilância em Saúde; Biotecnologia e Inovação; e Tecnologias Sociais. A estrutura amplia a compreensão de saúde para além do atendimento clínico e relaciona doenças, ambiente, organização social, políticas públicas e condições de vida.

Uma das possibilidades discutidas pelas equipes é conectar a agenda do Plano CASA à próxima etapa do Proadi-SUS. Na prática, isso poderia aproximar projetos de pesquisa das demandas do sistema público, desde que as propostas avancem para uma etapa formal de planejamento e sejam compatíveis com as prioridades do programa.

Por que Manaus é um ponto estratégico

A capital amazonense concentra instituições de pesquisa, serviços especializados e redes de inovação, mas também está inserida em um estado marcado por longas distâncias e comunidades cujo acesso depende de transporte fluvial ou aéreo. Essa combinação transforma Manaus em um ponto estratégico para testar e adaptar tecnologias destinadas a contextos amazônicos.

O desafio, porém, não se limita ao Amazonas. Soluções voltadas à vigilância, à saúde indígena, ao atendimento remoto e ao diagnóstico podem interessar a redes públicas do Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, desde que sejam ajustadas às características de cada território. A diversidade entre áreas urbanas, rurais, ribeirinhas e indígenas exige participação local desde a formulação dos projetos, não apenas na fase de execução.

Essa preocupação aparece na própria experiência das instituições. O Einstein desenvolve ações com serviços e organizações da região, enquanto a Fiocruz Amazônia mantém atuação científica e territorial voltada às populações amazônicas. Em março de 2026, o Einstein realizou uma ação extensionista de assistência especializada em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, município com forte presença de povos indígenas.

Próximas etapas ainda serão definidas

Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Stefanie Lopes, a experiência científica da unidade e sua articulação com instituições de pesquisa e serviços de saúde formam uma base para a cooperação. As conversas também consideram que a capacidade tecnológica do Einstein pode ajudar a acelerar o desenvolvimento de ferramentas aplicáveis ao SUS.

O encontro terminou com a manifestação de interesse em manter o diálogo e amadurecer o Plano CASA, a possível conexão com o Proadi-SUS e outras frentes de colaboração. As próximas etapas deverão detalhar quais projetos serão priorizados, quais equipes participarão e como as soluções poderão chegar aos serviços de saúde da Amazônia.

Com informações de Fiocruz Amazônia.

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