Numa única noite de desova, os corais do Indo-Pacífico soltam cerca de 3,5 quintilhões de ovos, mostra o primeiro cálculo do tipo

Numa única noite de desova, os corais do Indo-Pacífico soltam cerca de 3,5 quintilhões de ovos, mostra o primeiro cálculo do tipo
Coral libera ovos e esperma durante a desova no golfo do México. Foto: National Marine Sanctuaries/Noaa, via Wikimedia Commons, domínio público.

Imagine centenas de milhares de piscinas olímpicas cheias de bolinhas cor-de-rosa, despejadas no mar de uma vez só. É mais ou menos isso que acontece quando os corais do Indo-Pacífico se reproduzem. Pela primeira vez, pesquisadores calcularam quantos ovos são liberados num único evento de desova: cerca de 3,5 quintilhões, ou 3.500.000.000.000.000.000.

O estudo foi publicado na revista científica Ecology and Evolution.

Por que contar ovos

Pode parecer só uma curiosidade, mas não é. Contar os recursos da natureza ajuda a entender como o planeta funciona. Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais atingidos pelo aquecimento global, e cerca de metade da cobertura de corais do mundo desapareceu desde 1950. Saber quanto os corais conseguem se reproduzir mostra a capacidade deles de se regenerar.

Como fizeram a conta

A região estudada tem quase 190 mil quilômetros quadrados de recifes tropicais, então não dava para sair contando ovos com uma prancheta. Os pesquisadores trabalharam em escalas. Primeiro, calcularam quantos ovos cabem num pólipo médio, o pequeno animal que forma o coral. Depois, estimaram quantos pólipos existem em cada colônia. Por fim, combinaram isso com dados reais de cobertura e distribuição de centenas de espécies.

Como as contagens diretas de ovos existem para poucas espécies, as lacunas foram preenchidas com estimativas baseadas em espécies aparentadas. Os autores chamam o resultado de estimativa de primeira ordem, um rascunho com margem de incerteza, mas que dá a dimensão do fenômeno.

Os campeões

A maior parte dos ovos vem de poucos grupos. Corais ramificados do gênero Acropora, os corais maciços do gênero Porites e os do gênero Montipora respondem por cerca de metade do total. Os corais maciços produzem mais ovos por centímetro quadrado de tecido, mas os ramificados dominam a produção na região como um todo. Dentro das Acropora, uma espécie produziu dez vezes mais ovos por centímetro quadrado que as outras.

A ponte para a recuperação

A reprodução é a ponte para a recuperação dos recifes depois de ondas de calor marinhas. Recifes danificados só se recuperam se chegarem novos filhotes de coral. Saber quais grupos carregam a maior parte desse potencial ajuda gestores e conservacionistas a concentrar esforços nas espécies mais importantes.

Os corais do Brasil

O Brasil tem recifes bem diferentes dos do Indo-Pacífico, com menos espécies, mas muitas exclusivas do Atlântico Sul, como os corais-cérebro do gênero Mussismilia. O maior complexo recifal do país fica em Abrolhos, no sul da Bahia. Os recifes brasileiros também sofreram branqueamentos severos nas últimas ondas de calor, e estudos sobre a reprodução das espécies locais ajudam a planejar sua proteção.

Perguntas frequentes

Como os corais se reproduzem?

Muitas espécies liberam ovos e esperma na água ao mesmo tempo, em noites específicas do ano, num fenômeno chamado desova em massa.

Por que os corais estão morrendo?

Principalmente pelo aquecimento do mar, que causa branqueamento, além de poluição e pesca predatória.

Com informações do estudo publicado na Ecology and Evolution.

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