Crédito rural que muda destinos no interior do Brasil
No município de Terra Santa, no oeste do Pará, uma história individual ajuda a iluminar um movimento maior que atravessa o campo brasileiro. Com apoio técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará – Emater-Pará, o agricultor familiar Juscelino Ramos Costa tornou-se o primeiro produtor da região a acessar o crédito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar na categoria Pronaf A. O financiamento, no valor de R$ 51 mil, marca um ponto de virada não apenas em sua trajetória pessoal, mas também na consolidação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar.

Há cerca de duas décadas assistido pela Emater, Juscelino cultiva hortaliças e frutíferas no Sítio Fartura, uma propriedade de quatro hectares que mantém um hectare de floresta nativa preservada. O crédito aprovado permitirá investimentos diretos na produção, na melhoria da infraestrutura do sítio e, sobretudo, na qualidade de vida da família. Mais do que números, o financiamento simboliza o resultado de um acompanhamento técnico contínuo e da articulação entre políticas estaduais e federais voltadas ao campo.
Assistência técnica como base do desenvolvimento rural
O caso de Terra Santa revela um elemento central das políticas rurais brasileiras: o papel estratégico da assistência técnica pública. Ao longo dos anos, diferentes profissionais da Emater acompanharam o agricultor em processos produtivos, regularização documental e acesso a políticas de crédito. Segundo técnicos do escritório local, o sucesso do projeto só foi possível porque houve orientação permanente, planejamento produtivo e adequação às exigências legais do programa.
A atuação da Emater-Pará integra a política do Governo do Estado do Pará de levar apoio técnico aos pequenos produtores, garantindo que o crédito rural chegue a quem realmente depende dele para produzir alimentos e gerar renda. Em regiões onde entraves fundiários e burocráticos historicamente dificultaram o acesso a financiamentos, a presença do extensionista rural funciona como ponte entre o agricultor e o Estado.
Essa lógica reforça um princípio básico do desenvolvimento rural sustentável: crédito sem assistência técnica tende a fracassar; assistência técnica sem políticas de fomento perde alcance. A combinação entre os dois instrumentos amplia a eficiência do investimento público e fortalece a autonomia das famílias agricultoras.
Pronaf e a espinha dorsal da agricultura familiar
Criado em 1995, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf consolidou-se como a principal política de crédito voltada aos pequenos produtores no Brasil. Seu objetivo é promover o desenvolvimento sustentável do meio rural, ampliar a capacidade produtiva, gerar empregos e elevar a renda das famílias agricultoras.
A execução do programa envolve bancos públicos, privados e cooperativas de crédito, sob coordenação do governo federal, com dados sistematizados pelo Banco Central do Brasil a partir do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro. A transparência dessas informações permite acompanhar a evolução do programa e avaliar seus impactos sociais e econômicos.
No caso do Pronaf A, linha voltada a agricultores assentados da reforma agrária ou beneficiários de políticas fundiárias, o acesso ao crédito representa muitas vezes o primeiro passo para estruturar a produção. Em regiões como o interior do Pará, onde a agricultura familiar enfrenta limitações históricas de infraestrutura e mercado, esse tipo de financiamento tem efeito multiplicador: gera renda local, movimenta cadeias curtas de comercialização e contribui para a segurança alimentar.

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Agricultura familiar, segurança alimentar e futuro do campo
Responsável por mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, a agricultura familiar é reconhecida como base da segurança alimentar do país. Produtos como feijão, arroz, mandioca, frutas, hortaliças, leite e derivados têm origem, majoritariamente, em pequenas propriedades conduzidas por famílias que mantêm relação direta com a terra e com o território.
Esse modelo produtivo, definido legalmente pela Lei nº 11.326/2006, combina gestão familiar, diversidade de cultivos e uso racional dos recursos naturais. Ao priorizar a produção diversificada e os mercados locais, a agricultura familiar reduz impactos ambientais, preserva a biodiversidade e fortalece economias regionais.
Programas complementares ao Pronaf, como o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA e o Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, ampliam esse impacto ao garantir a compra direta da produção familiar para abastecer escolas e políticas de segurança alimentar.
O desafio para os próximos anos está em manter esse modelo vivo diante do envelhecimento da população rural, da pressão por mecanização e das mudanças climáticas. Casos como o de Terra Santa mostram que investir em crédito, assistência técnica e planejamento não é apenas uma política agrícola, mas uma estratégia de desenvolvimento social. Ao unir tradição e inovação, a agricultura familiar segue como um dos pilares mais sólidos para um futuro alimentar justo, sustentável e soberano no Brasil.












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