
Data de 16 de outubro une o Dia Mundial da Alimentação e o Dia Mundial do Pão, com o lema “Inovar hoje, nutrir amanhã”.
Um em cada pouco mais de treze habitantes do planeta conviveu com a fome em 2025, e uma parcela ainda maior não conseguiu pagar por uma alimentação saudável. Segundo a edição 2026 do relatório das Nações Unidas O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo, cerca de 645 milhões de pessoas enfrentaram fome em 2025, e aproximadamente 2,69 bilhões não tiveram condições de custear uma dieta saudável. Os números marcam o Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, que neste ano tem o tema “Inovar hoje, nutrir amanhã”.
Dois números, dois tipos de problema
A diferença entre as cifras ajuda a entender o desafio. O primeiro número mede quem não tem comida suficiente. O segundo mede quem até come, mas não consegue pagar por alimentos nutritivos e variados. É uma distinção que importa na Amazônia, onde o peixe, a farinha e o açaí fazem parte da mesa tradicional, mas onde o custo de frutas, verduras, carnes e laticínios costuma subir com a distância e a dificuldade de transporte entre rios e estradas.
O relatório, segundo a ONU, evidencia desigualdades persistentes no acesso a alimentos acessíveis e nutritivos, o que reforça a necessidade de sistemas alimentares mais inclusivos e sustentáveis.
Ciência e saber tradicional na mesma mesa
O lema de 2026 propõe combinar conhecimento tradicional com ciência e tecnologia para tornar os sistemas agroalimentares mais resilientes. A campanha defende soluções práticas que melhorem a produção, fortaleçam a distribuição e levem comida nutritiva a mais gente sem esgotar os recursos do planeta.
Em mensagem em vídeo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou o potencial de dados, inovação e tecnologia, incluindo a inteligência artificial. Foi dele a declaração:

“We have the knowledge, technology and capacity to feed the world. It’s time to use it.”
Em tradução livre, “Temos o conhecimento, a tecnologia e a capacidade para alimentar o mundo. É hora de usá-los”.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) cita exemplos de como isso pode funcionar:
- tecnologias de informação e comunicação podem tornar a informação agrícola mais acessível e reduzir a distância digital entre produtores;
- métodos como a hidroponia permitem cultivar em espaços limitados;
- avanços na medicina veterinária ajudam a proteger a saúde animal e a reduzir o risco de doenças que ameaçam a saúde humana;
- inovações ao longo da cadeia de valor podem elevar a produtividade, diminuir perdas, fortalecer economias locais e ampliar oportunidades para produtores e consumidores.
A ONU faz questão de incluir nessa conta agricultores, pescadores, pastores e outros produtores de alimentos, cujo saber acumulado deve caminhar junto com as novas ferramentas. Para a região amazônica, onde comunidades ribeirinhas, extrativistas, indígenas e agricultores familiares sustentam parte relevante do abastecimento local, a mensagem toca em um ponto sensível: inovação que ignora quem produz tende a não chegar à ponta.
Uma data com origem em 1979
O Dia Mundial da Alimentação foi estabelecido pela FAO em 1979 e observado pela primeira vez em 16 de outubro de 1981. A efeméride apoia o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (ODS 2), Fome Zero, que busca acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição e promover a agricultura sustentável. Também reforça o princípio de que o acesso a alimento adequado e nutritivo é essencial ao bem-estar humano.

O pão entra na conversa
Em 16 de outubro também se celebra o Dia Mundial do Pão, geralmente atribuído à União Internacional de Padeiros e Confeiteiros (UIBC), que teria instituído a data em 2006. A observância reconhece o papel cultural, culinário e nutricional de um dos alimentos mais antigos da humanidade.
Conhecido como “o sustento da vida”, o pão fornece energia e, conforme os ingredientes e o preparo, vitaminas, minerais e fibras. Simboliza ainda hospitalidade, tradição e meio de vida. Sua produção sustenta agricultores, moleiros, padeiros e outros trabalhadores da cadeia de abastecimento.
A expressão latina “Fiat Panis”, “Faça-se o pão”, está associada à missão da FAO de combater a fome e promover a segurança alimentar. Na Amazônia, o equivalente cotidiano pode ser o pão francês da padaria de bairro, mas também a farinha de mandioca, o beiju e a tapioca, alimentos de base que carregam o mesmo valor de partilha e identidade.
Preços, pobreza e perdas no caminho
Mesmo sendo alimento de todos os dias, o acesso a comida acessível e nutritiva segue desigual. Alta de preços, pobreza e interrupções na produção e na distribuição podem impedir que famílias se alimentem adequadamente. Por isso, a ONU associa a data a ações concretas: reduzir o desperdício, fortalecer a agricultura sustentável, melhorar a distribuição e ampliar o acesso a refeições nutritivas.
O recado final das duas efemérides é que combater a fome exige ação coletiva de governos, produtores, empresas e comunidades. A expectativa é que o tema de 2026 oriente debates e iniciativas ao longo do ano, até a próxima edição do Dia Mundial da Alimentação, em 16 de outubro de 2027.
Com informações de Organização das Nações Unidas (ONU) e FAO.
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