
Lema ‘Inovar hoje, nutrir amanhã’ põe a tecnologia e a pesquisa no centro do debate sobre como alimentar o planeta.
Mais de 2,6 bilhões de pessoas no mundo não conseguiram pagar por uma dieta saudável em 2025, e outras 645 milhões passaram fome. É com esse retrato que a ONU chega ao Dia Mundial da Alimentação de 2026, que terá como tema “Inovar hoje, nutrir amanhã”, em uma escolha que coloca a inovação como caminho central para enfrentar a insegurança alimentar.
Segundo a ONU, 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025 e 2,69 bilhões não puderam pagar por uma dieta saudável. Os dois números medem problemas diferentes e, juntos, mostram que a questão alimentar vai além da simples falta de comida.
Fome e dieta saudável são problemas distintos
Passar fome significa não ter alimento suficiente para as necessidades básicas de energia. Já a dificuldade de pagar por uma dieta saudável atinge um grupo bem maior: são pessoas que comem, mas não conseguem acessar alimentos variados e nutritivos, como frutas, legumes, proteínas e grãos integrais.
A diferença entre as duas cifras, de cerca de 2 bilhões de pessoas, indica que o preço e o acesso a alimentos de qualidade pesam tanto quanto a produção total. É nesse espaço que a inovação ganha destaque no discurso da ONU.
O que o tema sugere
O lema “Inovar hoje, nutrir amanhã” aponta para a ideia de que soluções criadas agora, em áreas como produção agrícola, conservação, logística e distribuição, determinam quanto alimento chegará à mesa nas próximas décadas. A escolha reforça a pesquisa e a tecnologia como instrumentos de política alimentar.
O Dia Mundial da Alimentação é celebrado anualmente em 16 de outubro, e cada edição recebe um tema que orienta campanhas, debates e ações de governos, universidades e organizações da sociedade civil.
O que isso significa para a Amazônia
Na região amazônica, o debate sobre alimentação combina abundância e desigualdade. A floresta e os rios oferecem açaí, peixes, castanhas, farinha de mandioca e uma enorme diversidade de frutos, mas o custo de transporte, as longas distâncias fluviais e a dificuldade de armazenamento encarecem e limitam o acesso a alimentos em muitas comunidades.
Nesse contexto, inovar pode significar desde cadeias de frio e energia solar para conservar o pescado até o fortalecimento de cooperativas extrativistas e o aproveitamento de alimentos regionais pouco conhecidos fora da Amazônia. São frentes em que universidades, institutos de pesquisa e produtores locais já atuam, e que dialogam diretamente com o tema escolhido pela ONU.
Para o leitor da região, a data é uma oportunidade de observar como a produção local pode se conectar a políticas de alimentação saudável, como a merenda escolar e a compra direta da agricultura familiar, sem perder a identidade cultural dos alimentos amazônicos.
Números que explicam o desafio
- 645 milhões de pessoas passaram fome em 2025, segundo a ONU.
- 2,69 bilhões de pessoas não puderam pagar por uma dieta saudável no mesmo ano, segundo a ONU.
- O tema de 2026 é “Inovar hoje, nutrir amanhã”.
Com a data se aproximando, a expectativa é de que governos, instituições de pesquisa e organizações apresentem iniciativas alinhadas ao lema ao longo de outubro, o que deve ampliar o debate sobre como transformar inovação em comida de qualidade acessível.
Com informações da ONU.
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