
A elefanta Madhuri voltou a viver em um templo na Índia pouco mais de um ano depois de ser transferida para um centro de reabilitação especializado. Agora, a disputa pelo destino do animal chegou novamente à Suprema Corte do país.
Também conhecida como Mahadevi, ela retornou ao Nandani Math, em Kolhapur, entre os dias 11 e 12 de setembro de 2026. Menos de três semanas depois, a PETA Índia pediu intervenção judicial para que a elefanta seja levada novamente ao Vantara, em Jamnagar.
A organização afirma que Madhuri voltou a ser mantida sozinha e sob contenção no complexo religioso. O templo e autoridades envolvidas na custódia, por outro lado, permanecem no centro de uma disputa que mistura tradição religiosa, decisões judiciais e avaliação sobre bem-estar animal.
Madhuri passou mais de três décadas ligada ao templo
A relação de Madhuri com o Nandani Math começou décadas atrás. Segundo documentos apresentados ao longo do processo, ela passou cerca de 33 anos vivendo principalmente sem companhia de outros elefantes.
Durante esse período, participou de atividades ligadas ao complexo religioso e percorreu superfícies rígidas em procissões.
Avaliações veterinárias citadas nos processos anteriores apontaram problemas importantes nos pés e nas articulações, incluindo alterações nos joelhos e sinais de desgaste acumulado.
Essas condições estiveram entre os argumentos usados para defender sua transferência para um local especializado.
Justiça havia determinado sua ida para um santuário em 2025
Em julho de 2025, o Tribunal Superior de Bombaim determinou que Madhuri fosse transferida para o Radhe Krishna Temple Elephant Welfare Trust, estrutura ligada ao Vantara, em Jamnagar.
Poucos dias depois, em 28 de julho de 2025, a Suprema Corte manteve a decisão.
O entendimento naquele momento era de que a elefanta precisava de tratamento especializado, mais espaço e condições adequadas às necessidades físicas e comportamentais da espécie.
Assim, Madhuri deixou Kolhapur e iniciou um período de reabilitação em Gujarat.
No Vantara, ela passou a conviver com outra elefanta
Um dos pontos destacados posteriormente pela PETA foi a mudança no convívio social.
No centro de reabilitação, Madhuri passou a manter contato com outros elefantes, incluindo uma fêmea chamada Shanti.
Esse aspecto é relevante porque elefantes são animais altamente sociais e normalmente mantêm relações complexas com indivíduos da mesma espécie.
A organização sustenta que esse período representou uma melhora importante em relação à rotina de isolamento que havia marcado grande parte da vida anterior do animal.
Em setembro de 2026, a decisão mudou novamente
A permanência no santuário, porém, não foi definitiva.
Em 9 de setembro de 2026, um comitê de alto nível ligado à Suprema Corte autorizou o retorno de Madhuri ao Nandani Math.
Dois dias depois, a elefanta começou a ser transportada de volta para Kolhapur.
A mudança representou uma reversão importante em relação às decisões judiciais de 2025 e reacendeu imediatamente a disputa sobre qual ambiente oferece melhores condições para o animal.
A chegada ao templo virou outro ponto de controvérsia
A PETA afirma que Madhuri chegou a Kolhapur em meio a multidões, buzinas, tambores e fogos de artifício.
Vídeos e relatos divulgados pela organização também mostram o animal sob contenção durante o retorno.
Para a entidade, o ambiente ruidoso teria causado estresse adicional justamente em uma elefanta com histórico de dificuldades físicas e comportamentais.
Essas descrições são alegações apresentadas pela PETA e fazem parte do material usado pela entidade para defender uma nova transferência.
PETA afirma que ela voltou a ficar isolada
Depois do retorno, a organização passou a afirmar que Madhuri estava novamente sozinha em um galpão do complexo religioso.
A entidade também divulgou imagens que, segundo ela, mostram a elefanta presa e sem o contato social que havia desenvolvido no centro de reabilitação.
Esse é hoje um dos principais argumentos levados à Suprema Corte.
Para a PETA, não basta oferecer alimentação e acompanhamento veterinário se o ambiente não atender também às necessidades de movimento, interação social e manejo de uma elefanta com problemas crônicos.
Uma inspeção já havia levantado dúvidas sobre o local
A discussão ficou mais complexa porque uma subcomissão responsável por avaliar as condições do templo havia apontado limitações antes mesmo do retorno.
Segundo documentos citados pela PETA, a avaliação mencionou poucas oportunidades de exercício e socialização, alta interferência humana e presença de estradas asfaltadas no trajeto previsto para caminhadas.
Também foram levantadas preocupações sobre acesso permanente à água e disponibilidade contínua de atendimento veterinário especializado.
Apesar dessas observações, o comitê superior acabou autorizando a volta da elefanta ao templo em setembro.
O governo passou a prever monitoramento quinzenal
Após o retorno, o Departamento Florestal de Maharashtra informou que pretende acompanhar regularmente a condição de Madhuri.
A previsão divulgada é de visitas a cada duas semanas para avaliar a saúde do animal e produzir relatórios.
Autoridades também indicaram que deverão buscar oportunidades para promover contato de Madhuri com outras elefantas mantidas em cativeiro.
A medida mostra que as próprias condições de manutenção do animal continuam sob observação depois de sua volta ao Nandani Math.
O caso coloca tradição e bem-estar em lados opostos
Madhuri não é simplesmente um animal mantido em uma instalação qualquer.
Sua presença no Nandani Math possui importância religiosa e afetiva para parte da comunidade, o que ajuda a explicar a mobilização em favor de seu retorno.
Para defensores da permanência em Kolhapur, o vínculo construído durante décadas também precisa ser considerado.
Grupos de proteção animal respondem que tradição não deve se sobrepor às necessidades físicas e sociais de um animal quando existem evidências de sofrimento ou condições mais adequadas disponíveis.
O problema nos pés e joelhos pesa na discussão
A saúde de Madhuri aparece repetidamente nos documentos ligados ao caso.
Avaliações anteriores apontaram osteoartrite, problemas ósseos, lesões relacionadas ao estresse e alterações nos pés.
Para um animal de várias toneladas, qualquer dificuldade nos membros pode comprometer fortemente mobilidade e qualidade de vida.
Por isso, piso, distância percorrida, tempo em pé e liberdade de movimento deixam de ser detalhes do ambiente e passam a fazer parte diretamente do tratamento.
A questão também envolve a vida social do animal
Elefantes vivem naturalmente em estruturas sociais complexas e mantêm vínculos duradouros.
O período no Vantara permitiu que Madhuri tivesse contato próximo com outros animais depois de décadas de isolamento, segundo a documentação apresentada pela PETA.
A separação dessa companhia passou a ser outro componente do processo.
A organização argumenta que devolver o animal a uma rotina solitária pode significar perda de parte do progresso comportamental alcançado durante a reabilitação.
Suprema Corte ainda precisa analisar o novo pedido
Em 1º de outubro de 2026, a PETA Índia anunciou que havia recorrido novamente à Suprema Corte.
O pedido busca restabelecer a transferência de Madhuri para o centro de reabilitação em Jamnagar.
Isso significa que, por enquanto, a mudança não está determinada pelo tribunal.
Madhuri permanece no Nandani Math enquanto a entidade tenta convencer a Justiça de que sua permanência no local representa risco para sua saúde e bem-estar.
O processo já mudou de direção mais de uma vez
O histórico ajuda a explicar por que o caso ganhou tanta atenção.
Primeiro, autoridades e tribunais determinaram que Madhuri deveria deixar o templo e passar por reabilitação especializada.
Depois de mais de um ano fora, outro comitê autorizou exatamente o caminho inverso.
Agora, menos de um mês após o retorno, a disputa está novamente diante da mais alta corte do país.
Uma elefanta virou centro de uma disputa nacional
Para a comunidade ligada ao templo, Madhuri representa décadas de história e tradição.
Para grupos de defesa animal, o mesmo período é apresentado como evidência de isolamento, contenção e desgaste físico.
Entre essas duas leituras estão laudos veterinários, inspeções, decisões judiciais e a obrigação das autoridades de determinar qual ambiente atende melhor às necessidades atuais do animal.
O próximo capítulo dependerá da Suprema Corte.
Até lá, Madhuri permanece em Kolhapur, enquanto a PETA tenta fazer com que a elefanta atravesse novamente a Índia e volte ao santuário onde passou pouco mais de um ano.
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