Fezes de aves em praças podem causar infecção pulmonar e você nem desconfia do risco

Pombos, garças e periquitos carregam fungos que viram poeira e são inalados por quem frequenta áreas com acúmulo de dejetos. O problema vai muito além de sujeira.

Neste artigo
  1. Dois fungos, dois riscos diferentes
  2. Quem corre mais perigo
  3. Sinais de alerta no corpo
  4. Medidas práticas de proteção

Frequentar praças com grande concentração de aves pode oferecer um risco que a maioria das pessoas desconhece. Pombos, garças, periquitos e outras aves urbanas carregam nas fezes fungos capazes de causar infecções respiratórias sérias. O problema não é a sujeira visível, mas sim as partículas invisíveis que se espalham pelo ar quando os dejetos secam.

Dois fungos se destacam como principais agentes de risco: o Cryptococcus neoformans, causador da criptococose, e o Histoplasma capsulatum, responsável pela histoplasmose. Ambos são encontrados em fezes de aves acumuladas no solo de praças, parques e áreas urbanas arborizadas.

Dois fungos, dois riscos diferentes

O Cryptococcus está mais associado a fezes de garças e pombos. Quando os dejetos secam e viram poeira, o fungo se dispersa pelo ar e pode ser inalado. A infecção resultante, a criptococose, atinge primeiro os pulmões e em casos graves migra para o sistema nervoso central.

O Histoplasma é encontrado em solos enriquecidos com fezes de diversas espécies de aves, incluindo periquitos, estorninhos e pombos. A histoplasmose também começa nos pulmões e pode ser confundida com pneumonia ou tuberculose. Em regiões tropicais, a prevalência é significativa.

Nenhum dos dois fungos é transmitido de pessoa para pessoa. A contaminação acontece exclusivamente pela inalação de partículas do solo contaminado.

Quem corre mais perigo

Crianças que brincam em praças são especialmente vulneráveis. Elas ficam mais próximas do solo, onde a concentração de partículas é maior, e possuem o sistema imunológico ainda em desenvolvimento.

Idosos, gestantes e pessoas com doenças que afetam a imunidade (HIV, câncer em tratamento, uso de imunossupressores) enfrentam risco elevado de evolução para quadros graves.

Trabalhadores de limpeza urbana que varrem praças sem proteção respiratória estão entre os grupos mais expostos, pois a varrição a seco levanta exatamente as partículas que carregam os fungos.

Sinais de alerta no corpo

Tosse seca que persiste por mais de duas semanas após frequentar áreas com acúmulo de fezes de aves merece atenção. Febre baixa, cansaço e dor no peito também são sinais iniciais tanto da criptococose quanto da histoplasmose.

Se houver dor de cabeça intensa, rigidez na nuca ou confusão mental, é necessário procurar atendimento médico urgente, pois esses sintomas podem indicar que o fungo atingiu o sistema nervoso central.

Medidas práticas de proteção

Evitar permanecer em áreas com acúmulo visível de fezes é a medida mais simples. Se precisar transitar por esses locais, usar máscara PFF2 ou N95 reduz significativamente o risco de inalação.

Nunca varrer fezes de aves a seco. O correto é umedecer o material com água e hipoclorito de sódio antes da remoção, para impedir a dispersão de partículas fúngicas.

Não alimentar aves urbanas em praças. A oferta de alimento atrai mais indivíduos e aumenta a concentração de dejetos no local.

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