Financiamento Climático Bate Recorde em 2025, mas Banco Mundial Recua

Financiamento Climático Bate Recorde em 2025, mas Banco Mundial Recua
Foto: climainfo.org.br

Bancos multilaterais destinaram US$ 162,5 bilhões a projetos climáticos, porém decisão do Banco Mundial ameaça futuras metas.

Um novo panorama financeiro global para a transição climática emerge com o ano de 2025, marcado por um volume recorde de investimentos. Bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs) destinaram impressionantes US$ 162,5 bilhões para projetos de ação climática em todo o mundo. Este montante representa um crescimento de 19% em relação ao ano anterior, 2024, de acordo com um levantamento divulgado pelo Banco Europeu de Investimentos (EIB) em colaboração com outras dez instituições financeiras de desenvolvimento.

Essa expansão é ainda mais acentuada em países em desenvolvimento, que receberam US$ 103 bilhões dos recursos, um aumento de 21% em comparação a 2024. Este crescimento, que vê o financiamento para nações de baixa e média renda dobrar nos últimos cinco anos, alinha-se com as ambiciosas metas coletivas assumidas pelos bancos na COP29.

Metas e realidades do financiamento

Apesar do cenário de crescimento, a estrutura do financiamento revela prioridades. Dos US$ 103 bilhões direcionados a países em desenvolvimento em 2025, US$ 68 bilhões foram para projetos de mitigação, com um aumento de 16% sobre o ano anterior. A mitigação, que visa reduzir as emissões de gases de efeito estufa, continua a ser a maior parcela do financiamento climático.

Contudo, a adaptação, essencial para que as comunidades possam lidar com os impactos já visíveis da crise climática, registrou um salto significativo. O financiamento para projetos de adaptação alcançou US$ 35 bilhões, um aumento notável de 31%. Este dado sugere uma crescente percepção sobre a urgência de fortalecer a resiliência de regiões vulneráveis, como as da Amazônia, onde os efeitos das mudanças climáticas, como secas e enchentes extremas, são cada vez mais severos.

Nas economias de alta renda, o financiamento climático também se manteve robusto, com US$ 53 bilhões para mitigação e US$ 7 bilhões para adaptação, indicando um esforço contínuo em todas as frentes geográficas.

Compromisso e controvérsias

Os dados de 2025, conforme o EIB, “reforçam o compromisso dos bancos de desenvolvimento com o financiamento climático em linha com as projeções para 2030 apresentadas durante a COP29, em 2024, em Baku”. Na ocasião, as instituições se comprometeram a destinar coletivamente US$ 120 bilhões anuais em financiamento climático para países em desenvolvimento até o final da década, incluindo US$ 42 bilhões especificamente para adaptação.

Financiamento Climático Bate Recorde em 2025, mas Banco Mundial Recua
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O Banco Mundial destacou-se como o principal financiador multilateral, contribuindo com US$ 49,9 bilhões, quase metade do total para países em desenvolvimento. Ambroise Fayolle, vice-presidente do EIB, afirmou que “os resultados demonstram que os bancos multilaterais de desenvolvimento estão implementando medidas em larga escala e acelerando o apoio onde este é mais necessário”.

Entenda o caso: O recuo do Banco Mundial

Apesar do otimismo, uma sombra paira sobre a sustentabilidade desses avanços. Especialistas manifestam preocupação com a recente decisão do Banco Mundial de abandonar sua meta de destinar 45% do financiamento anual a projetos relacionados ao clima. Segundo a Reuters, a instituição enfrenta pressão do governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, para diminuir o foco em iniciativas climáticas. Este recuo pode ter implicações significativas para a Amazônia, uma vez que a região é um foco crucial para projetos de mitigação e adaptação, dependendo de aportes financeiros robustos para a conservação e o desenvolvimento sustentável.

Implicações para a Amazônia

Para a região amazônica, um hub global de biodiversidade e regulador climático, o financiamento climático é vital. Projetos de descarbonização, reflorestamento e apoio a comunidades tradicionais dependem desses recursos. A instabilidade nos compromissos de grandes financiadores, como o Banco Mundial, que segundo o EIB foi responsável por quase metade do valor total destinado a países em desenvolvimento em 2025, pode atrasar ações essenciais na proteção da floresta e de seus povos. O monitoramento contínuo desses fluxos financeiros é crucial para garantir que a maior floresta tropical do mundo receba o apoio necessário para sua preservação.

Próximos Passos

O futuro do financiamento climático dependerá não apenas dos compromissos declarados nas COPs, mas também da resiliência das instituições financeiras frente a pressões políticas e econômicas. O próximo relatório anual do EIB e parceiros deve consolidar se a tendência de crescimento se mantém ou se os recuos de instituições-chave começarão a apresentar um impacto negativo nos números globais.

Perguntas Frequentes

O que são bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs)?
São instituições financeiras internacionais criadas e financiadas por diversos países para fomentar o desenvolvimento econômico e social em nações de baixa e média renda, frequentemente com foco em infraestrutura, educação, saúde e, mais recentemente, ação climática.

Qual a importância do financiamento para mitigação e adaptação?
Mitigação refere-se a ações para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (ex: energia renovável), enquanto adaptação são medidas para reduzir a vulnerabilidade aos impactos das mudanças climáticas já em curso (ex: sistemas de alerta precoce, infraestrutura resiliente). Ambos são cruciais para combater a crise climática.

Como o recuo do Banco Mundial pode afetar a Amazônia?
A Amazônia, por ser uma região de grande vulnerabilidade climática e enorme importância ecológica, depende fortemente de financiamentos para projetos de conservação, desenvolvimento sustentável e apoio às comunidades locais. Uma redução nos aportes financeiros do Banco Mundial pode impactar negativamente esses esforços.

Com informações de ClimaInfo.

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