
Iniciativa mira agricultura regenerativa e industrialização de cadeias produtivas locais para combater a pobreza na região.
A Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS), braço do Instituto Amazônia+21 (IAMZ+21), anunciou a criação do Fundo Rural+Verde, uma iniciativa para mobilizar US$ 25 milhões em capital até setembro. O objetivo é fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e ampliar a inclusão produtiva na Amazônia Legal, com foco na agricultura regenerativa e na industrialização local. O Banco da Amazônia (BASA) já confirmou sua participação como cotista âncora, aportando US$ 2 milhões.
O Fundo Rural+Verde foi desenhado pelo Instituto Amazônia+21, que é vinculado à Confederação Nacional da Indústria (CNI), para superar o desafio histórico de transformar iniciativas socioambientais em ativos estruturados e financiáveis na região. A proposta é atrair capital em escala, utilizando mecanismos de blended finance para apoiar a industrialização de cadeias produtivas amazônicas e ampliar o acesso ao crédito para produtores rurais.
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A estrutura de composição e a mobilização de capital do fundo serão conduzidas pela FAIS em parceria com a Global Citizen, buscando potenciais investidores e parceiros internacionais. Segundo Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21 e da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), a iniciativa é resultado de uma articulação institucional que visa amadurecer uma agenda econômica sofisticada para a Amazônia.
Ele destacou que essa agenda é construída coletivamente por diversos atores, incluindo a CNI, federações industriais, setor produtivo, instituições financeiras, cooperativas, parceiros internacionais, academia e organizações da sociedade civil. O foco é o desenvolvimento sustentável, a inclusão produtiva e a inovação econômica para a região amazônica.
Crédito para Industrialização na Amazônia Legal
A proposta do Fundo Rural+Verde busca ampliar o acesso ao crédito para pequenos produtores rurais, criando condições para estimular as cadeias da bioeconomia, fortalecer a agregação de valor local e impulsionar a industrialização sustentável da produção amazônica. Levantamentos recentes apontam que, apesar da agricultura familiar ser responsável por cerca de 74% dos empregos rurais na Amazônia Legal, apenas 3% dos agricultores familiares tiveram acesso a crédito subsidiado.
Marcelo Thomé enfatiza que o desafio não é a falta de projetos, mas a ausência de instrumentos que permitam financiá-los com escala, coordenação e segurança. Ele argumenta que a Amazônia, embora produza riqueza há séculos, ainda exporta valor e importa pobreza, e o fundo nasce para enfrentar essa desconexão, começando pelos pequenos produtores. Segundo Thomé, o Fundo Rural+Verde busca conectar capital a soluções concretas na Amazônia, especialmente para os pequenos produtores.
Alcance e Sustentabilidade Financeira
A operação do Fundo Rural+Verde terá como foco os estados da Amazônia Legal, região prioritária de atuação do IAMZ+21. Essa estratégia está alinhada ao propósito institucional de estruturar soluções que ampliem o acesso a financiamento e viabilizem o desenvolvimento sustentável na região. A modelagem prevê sustentabilidade financeira ao longo do tempo, com a expectativa de que, a partir do segundo ano, a operação seja sustentada pelo rendimento dos próprios ativos estruturados, juntamente com a continuidade da captação.
Luiz Lessa, presidente do Banco da Amazônia, ressaltou o compromisso da instituição com o desenvolvimento sustentável. Ele afirmou que, ao ancorar este fundo, o BASA dá um passo decisivo para conectar pequenos produtores a uma nova lógica de financiamento, que reconhece a floresta em pé como ativo econômico e coloca a Amazônia no centro das soluções globais para o clima e a produção de alimentos.

Entenda o caso: A necessidade de financiamento na Amazônia
A Amazônia Legal, composta por nove estados brasileiros, enfrenta desafios significativos para o desenvolvimento sustentável. A dificuldade em transformar ideias de negócios verdes em projetos financiáveis e escaláveis é um dos maiores entraves. O Fundo Rural+Verde surge como uma resposta a essa lacuna, buscando mobilizar capital para impulsionar a bioeconomia, gerar renda e preservar a floresta, ao mesmo tempo em que oferece acesso ao crédito para comunidades rurais tradicionalmente excluídas do sistema financeiro formal.
Próximos Passos
A captação de US$ 25 milhões para o Fundo Rural+Verde segue até setembro, com a expectativa de engajar novos investidores e parceiros internacionais. Os recursos serão direcionados para projetos que promovam a industrialização sustentável na Amazônia Legal, com foco na agricultura familiar e na valorização dos ativos da floresta em pé, monitorando o impacto em termos de geração de emprego e renda, além da conservação ambiental.
Com informações do Instituto Amazônia+21.
Perguntas Frequentes
O que é o Fundo Rural+Verde?
É uma iniciativa da Facility de Investimentos Sustentáveis (FAIS) do Instituto Amazônia+21 para mobilizar capital e financiar projetos sustentáveis na Amazônia Legal, com foco em agricultura regenerativa e industrialização de cadeias produtivas.
Qual o objetivo principal do fundo?
O principal objetivo é fortalecer a bioeconomia amazônica, promover a inclusão produtiva, combater a pobreza e viabilizar o acesso ao crédito para pequenos produtores rurais, transformando iniciativas socioambientais em ativos financiáveis.
Quem são os participantes e apoiadores?
O fundo foi desenhado pelo Instituto Amazônia+21, vinculado à CNI, e conta com o Banco da Amazônia (BASA) como cotista âncora. A mobilização de capital é conduzida pela FAIS em articulação com a Global Citizen e busca outros investidores e parceiros internacionais.
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