Garças da Praça Batista Campos espalham fungo pelo ar que pode causar doença grave em Belém

Garças da Praça Batista Campos espalham fungo pelo ar que pode causar doença grave em Belém

A grande concentração de garças na Praça Batista Campos, no centro de Belém, já configura um problema de saúde pública. Segundo a professora Mioni Brito, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Pará (UFPA) e pesquisadora do Ambulatório de Dermatologia da Universidade do Estado do Pará (UEPA), as aves são reservatórios do fungo Cryptococcus, responsável por uma infecção respiratória chamada criptococose.

Neste artigo
  1. Como o fungo chega ao pulmão
  2. Descontrole ambiental no coração de Belém
  3. O que a Prefeitura de Belém precisa fazer
  4. Máscara como proteção imediata

Em entrevista ao programa Amazônia no Ar, a especialista explicou que o acúmulo de dejetos das garças no solo da praça cria um ambiente favorável à proliferação do micro-organismo. Quando as fezes secam e o solo é movimentado, partículas contaminadas se dispersam pelo ar e podem ser inaladas por qualquer pessoa que frequente o local.

Como o fungo chega ao pulmão

A transmissão é exclusivamente respiratória. “Quando o solo é mexido, a poeira levanta e carrega partículas do fungo, que entram pelas narinas”, explica Mioni Brito. O risco aumenta em dias secos e ventosos, quando a dispersão das partículas é maior.

Crianças que brincam na praça correm risco elevado porque frequentam áreas com maior concentração de fezes e possuem o sistema imunológico ainda em desenvolvimento. Idosos e pessoas imunodeprimidas também integram o grupo mais vulnerável à infecção.

Descontrole ambiental no coração de Belém

A pesquisadora classifica a situação como um “grande problema de descontrole ambiental”. A ocupação urbana e a ausência de predadores naturais favorecem a permanência das garças em locais inadequados, como praças e parques no centro da cidade.

Esse cenário contribui para o aumento progressivo da contaminação do solo e da poeira no ambiente. Quanto mais aves se concentram em um mesmo ponto, maior o volume de dejetos e maior a carga fúngica presente no local.

O que a Prefeitura de Belém precisa fazer

Mioni Brito recomenda três medidas imediatas para reduzir o risco à população.

Intensificação da limpeza da praça com uso de água sanitária, para evitar o ressecamento das fezes e impedir a dispersão de partículas contaminadas pelo ar.

Controle populacional das garças por órgãos ambientais, com manejo adequado e transferência das aves para áreas apropriadas. A pesquisadora cita o Mangal das Garças como exemplo de local preparado para receber as aves.

Adoção de políticas públicas de controle ambiental e sanitário que impeçam a recolonização da praça por novas colônias.

Máscara como proteção imediata

Enquanto as medidas estruturais não são adotadas, a especialista recomenda que frequentadores e moradores da região da Praça Batista Campos usem máscara ao transitar pelo local. “A transmissão da doença é exclusivamente respiratória. Por isso, o uso de máscaras é recomendado”, destaca a pesquisadora.

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