
Imagens de satélite revelam a extensão da devastação após uma avalanche de gelo e rochas atingir áreas de fronteira.
As imagens de satélite mostram uma mudança radical na paisagem do norte do Nepal: áreas ocupadas por casas, estradas e margens de rios aparecem cobertas por lama depois que uma geleira desabou no Himalaia. O desastre atingiu a fronteira com o Tibete na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, e deixou mais de 270 mortos e pelo menos 1.300 desaparecidos nos dois lados da divisa.
A destruição se concentrou em vales estreitos, onde a água ganhou velocidade e arrastou gelo, pedras, veículos, edifícios e estruturas de infraestrutura. Equipes de resgate continuam procurando sobreviventes em uma região de acesso difícil, agora ainda mais isolada pela perda de pontes e estradas.
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Registros captados pela Planet Labs antes e depois da enchente permitem comparar a ocupação das áreas atingidas. Em Syapru Besi, no distrito nepalês de Rasuwa, grandes trechos da vila aparecem submersos ou recobertos por sedimentos.
A escala do bloqueio logístico também aparece nos números divulgados por autoridades do Nepal. Pelo menos 19 pontes foram destruídas, enquanto cerca de 40 quilômetros de estradas ficaram danificados. Para as equipes que tentam chegar às comunidades, cada trecho interrompido representa mais tempo, risco e dificuldade para transportar equipamentos.
O colapso também atingiu casas, usinas hidrelétricas e instalações ligadas à passagem de fronteira. No lado tibetano, lama e detritos alcançaram o porto de Gyirong, na região de Shigatse.
O rio subiu 9 metros em apenas meia hora
O desastre começou por volta das 8h40 no horário local, ou 2h55 pelo horário de Greenwich. Uma grande porção de gelo se desprendeu em uma área elevada sobre o rio Lhende, no Tibete. O material caiu no curso d’água, represou temporariamente o rio e acumulou energia até que a barreira se rompesse.
A massa formada por gelo, rochas e água atingiu o rio a aproximadamente 20 quilômetros a nordeste da passagem de Rasuwagadhi. Depois, a onda avançou pelo Lhende Khola, alcançou o Bhotekoshi e seguiu pelo Trishuli, levando a inundação para áreas cada vez mais distantes do ponto inicial.
Segundo autoridades nepalesas, o rio Trishuli subiu até 9 metros em 30 minutos no dia 26 de agosto de 2026, após o rompimento do bloqueio formado pelo deslizamento no alto do Himalaia.
Um sinal sísmico foi confundido com terremoto
As primeiras informações associaram o início do colapso a um terremoto de magnitude 4,4. A análise posterior do Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, apontou outra explicação: o sinal registrado teria sido produzido pelo próprio deslizamento, e não por um tremor tectônico.

O movimento foi tão intenso que registrou um evento sísmico equivalente a magnitude 5,2. Isso não significa que um terremoto tenha provocado a enchente. O dado expressa a força mecânica liberada pela queda da massa de gelo e rocha.
Essa distinção é importante para o trabalho de resposta. Identificar corretamente a origem do evento ajuda a reconstruir a sequência dos fatos e a avaliar riscos adicionais nas encostas e nos rios. Em áreas montanhosas, um novo deslizamento pode bloquear o acesso ou formar outra represa natural.
Da fronteira ao sul do Nepal, a água espalhou os efeitos
Timure e Syapru Besi estiveram entre os assentamentos mais atingidos em Rasuwa. Depois de atravessar esse distrito, a inundação alcançou partes de Nuwakot e Dhading. A corrente também transportou corpos para áreas mais ao sul, incluindo Gorkha, Tanahun, Chitwan e os dois distritos de Nawalparasi.
O caminho da água não terminou no Nepal. O rio Trishuli se junta ao Narayani, que segue para a Índia e passa a ser conhecido como Gandak no estado de Bihar. Por isso, um colapso ocorrido em uma área de fronteira produziu efeitos ao longo de uma bacia hidrográfica compartilhada por diferentes territórios.
O número de vítimas ainda pode aumentar. O porta-voz da polícia do Nepal, Abi Narayan Kafle, afirmou que a contagem deverá subir enquanto as buscas avançam e novas áreas são alcançadas.
O que o episódio ensina para a Amazônia
Não há ligação entre essa enchente no Himalaia e os rios da Amazônia. São sistemas hidrográficos distintos, separados por milhares de quilômetros. A conexão com a região amazônica está no tipo de vulnerabilidade exposta: comunidades instaladas às margens de rios, dependência de pontes e estradas e dificuldade de resposta quando uma emergência interrompe os acessos.
No Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, áreas rurais e ribeirinhas também podem ficar isoladas quando cheias danificam travessias, estradas ou estruturas de transporte. A dinâmica geológica não é a mesma do Himalaia, mas o episódio reforça a importância de monitorar rios, encostas, barragens naturais e rotas usadas por equipes de emergência.
As imagens de satélite cumprem uma função prática nesse cenário. A comparação entre registros anteriores e posteriores ao desastre permite localizar mudanças no terreno, identificar trechos soterrados e orientar o deslocamento de equipes mesmo quando as vias convencionais desapareceram.
Buscas continuam em uma paisagem transformada
A prioridade no Nepal e no Tibete é localizar sobreviventes, recuperar vítimas e restabelecer os acessos destruídos. A operação ocorre em vales onde a lama encobre propriedades e onde a instabilidade do terreno pode dificultar a entrada de socorristas.
A origem da história está no colapso registrado na manhã de 26 de agosto de 2026, na região do rio Lhende, e nas imagens de satélite analisadas após a enchente. Os próximos passos dependem da abertura de rotas, da avaliação das margens dos rios e da continuidade das buscas pelas pessoas desaparecidas.
Com informações de Al Jazeera.
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