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Guterres coloca o metano no centro da crise climática; entenda o impacto na Amazônia

Ilustração conceitual de emissões de metano de gás, pecuária e aterro sob céu de mudança climática
Ilustração: IA / Revista Amazônia

O secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou um chamado global sobre o metano e recolocou esse superpoluente no centro da resposta à crise do clima. O apelo, feito durante a Semana de Ação Climática de Londres, tem impacto direto na Amazônia e na região Norte, onde estão concentradas as três principais fontes do gás no Brasil: a pecuária, o setor de petróleo e gás e os resíduos sólidos.

Por que o metano virou prioridade

Segundo Guterres, o metano responde por cerca de um terço do aquecimento global e é aproximadamente 80 vezes mais potente que o dióxido de carbono. A diferença estratégica está no tempo: ao contrário do CO₂, que permanece séculos na atmosfera, o metano se decompõe em uma ou duas décadas. Isso significa que cortes agressivos agora podem produzir alívio visível da temperatura ainda dentro de uma geração.

“O CO₂ continua sendo o principal motor do aquecimento de longo prazo. Mas também é hora de priorizar o corte do metano. Cortes agressivos podem produzir alívio visível da temperatura dentro de uma geração”, afirmou o secretário-geral.

O diagnóstico, porém, é duro. Os planos climáticos nacionais apresentados até agora levariam a uma redução de apenas 10% das emissões globais até 2035, quando a ciência aponta a necessidade de uma queda de 60% no mesmo período para manter o limite de 1,5°C ao alcance.

Três frentes de ação

A convocatória da ONU prioriza a mitigação em três setores. Nos resíduos, responsáveis por cerca de 20% das emissões de metano, o foco está em reduzir o desperdício de alimentos, acabar com o descarte a céu aberto e capturar o gás de aterros. Na agropecuária, que concentra 42%, a aposta é em soluções que aumentem a produção sem ampliar as emissões. E no setor de petróleo e gás, responsável por 38%, a ONU estima que mais de 70% das emissões poderiam ser evitadas até 2030 com tecnologias já disponíveis, boa parte a baixo ou nenhum custo.

Satélites já flagram os vazamentos

A tecnologia de monitoramento avançou. Sistemas de satélite como o MARS, do Observatório Internacional de Emissões de Metano, já enviaram mais de 5 mil alertas de grandes vazamentos a 33 países até fevereiro de 2026. Ainda assim, a taxa global de resposta foi de apenas 12% em 2025, o que, para a ONU, mostra que a inação deixou de ser falta de informação e passou a ser uma escolha.

“O mundo eliminou gradualmente a gasolina com chumbo e os produtos químicos que destroem a camada de ozônio. A poluição por metano deve ser a próxima. A ação voluntária não é mais suficiente”, declarou Guterres.

O recado para a Amazônia

Guterres alertou ainda para os pontos de inflexão do planeta, entre eles o risco de partes da Amazônia migrarem para condições semelhantes às de savana. As três frentes citadas pela ONU coincidem com a realidade da região Norte, onde a pecuária, a exploração de petróleo e gás e a gestão precária de resíduos respondem por parcela importante das emissões. Reduzir o metano, nesse contexto, é também uma agenda amazônica e econômica, ligada a saúde, qualidade do ar e renda.

Perguntas frequentes

Por que o metano importa tanto para o clima?

É um gás de efeito estufa muito mais potente que o CO₂ no curto prazo. Como se decompõe em poucas décadas, cortar suas emissões traz alívio climático mais rápido.

Qual a relação com o Brasil?

O país está entre os maiores emissores de metano, com fontes ligadas à pecuária, ao petróleo e gás e aos resíduos, todas com forte presença na Amazônia.

Com informações do discurso de António Guterres na Semana de Ação Climática de Londres e da organização Uma Gota no Oceano.

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