
Os manguezais, presentes de Norte a Sul do Brasil, são ecossistemas vitais que conectam o ambiente terrestre ao mar. Localizados nas áreas de transição entre águas doces de rios e águas salgadas do oceano, os mangues desempenham um papel crucial no ciclo de vida de muitas espécies, além de serem aliados valiosos na luta contra as mudanças climáticas.
De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), eventos climáticos extremos se tornarão mais frequentes e intensos nos próximos anos. Secas prolongadas, chuvas torrenciais, ciclones e ondas de calor serão cada vez mais comuns, em um intervalo de tempo cada vez menor entre um desastre e outro.
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Como a revolta da Cabanagem no Pará, em 1835, mobilizou a maior coalizão de caboclos indígenas e negros e mudou a história do BrasilAs mudanças climáticas, resultado da concentração de carbono na atmosfera, destacam a importância dos manguezais, conhecidos por sua extraordinária capacidade de armazenamento de carbono, denominada “carbono azul”. Além disso, suas raízes ajudam a reduzir a erosão costeira, agindo como barreiras naturais contra ondas fortes e inundações.
Apesar de sua relevância na mitigação das mudanças climáticas, os manguezais têm sofrido um declínio alarmante. Segundo a ONU, metade dos manguezais do mundo desapareceram nos últimos 40 anos, e apenas 12% do que resta está no Brasil. A Amazônia abriga 80% dos manguezais do país, mas enfrenta desafios como o crescimento urbano, a poluição por resíduos domésticos e industriais e a exploração madeireira excessiva.
Essas atividades impactam negativamente os manguezais, reduzindo as áreas disponíveis e afetando a vida marinha, essencial para as comunidades locais, que dependem desses ecossistemas para subsistência. Diante da maior seca já registrada na Amazônia, é fundamental reconhecer a capacidade de adaptação dos manguezais às mudanças climáticas, garantindo sua preservação e fortalecendo a resiliência das comunidades vulneráveis.
Nesse contexto, a população local desempenha um papel crucial na regeneração dos manguezais. Mapeando áreas degradadas e implementando intervenções, essas comunidades utilizam seus conhecimentos tradicionais para promover a restauração da vegetação manguezal. Projetos como o “Mangues da Amazônia”, conduzido pelo Instituto Peabiru e pela Associação Sarambuí, são exemplos inspiradores desse trabalho.
O “Mangues da Amazônia” concentra esforços na recuperação de áreas degradadas e na conservação de manguezais em Reservas Extrativistas Marinhas (RESEX) no nordeste do Pará. Com mais de 14 hectares de manguezais recuperados e mais de 200 mil mudas plantadas, o projeto visa sequestrar 440 toneladas de carbono por ano quando as árvores atingirem a maturidade.
Em parceria com o Laboratório de Ecologia de Manguezal (LAMA) da Universidade Federal do Pará (UFPA), o projeto combina o conhecimento científico com o saber tradicional das comunidades locais. O engajamento da população fortalece as atividades de pesquisa e monitoramento, garantindo uma abordagem integrada e participativa na conservação dos manguezais.
Por meio da educação ambiental e da promoção da ciência comunitária, o projeto capacita as comunidades a liderarem iniciativas de conservação em seus territórios. As técnicas desenvolvidas pelo “Mangues da Amazônia” estão sendo replicadas em outras áreas da Amazônia Legal, demonstrando o poder da população local na regeneração dos manguezais e na construção de um futuro sustentável.
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