Instituto de inteligência artificial para o clima, com sede em Brasília, será lançado na COP31; primeiro projeto mira o desmatamento na Amazônia

Instituto de inteligência artificial para o clima, com sede em Brasília, será lançado na COP31; primeiro projeto mira o desmatamento na Amazônia
Foto: lubasi/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0). Floresta amazônica e o Rio Solimões vistos do alto.

Um instituto internacional dedicado a usar inteligência artificial contra a crise do clima, com secretaria em Brasília, será lançado oficialmente na COP31, em Antália, na Turquia. O Instituto de Inteligência Artificial para o Clima (AICI, na sigla em inglês) é uma parceria da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do governo brasileiro e da União Internacional de Telecomunicações (UIT), a agência da ONU para tecnologias da comunicação. O lançamento está marcado para 16 de novembro, das 15h15 às 16h15 no horário local, no Pavilhão Brasil. O projeto-piloto que será apresentado usa inteligência artificial para prevenir o desmatamento na bacia amazônica.

O que o instituto vai fazer

Segundo a Unesco, o objetivo é ajudar países em desenvolvimento a criar sistemas de inteligência artificial éticos e que gastem poucos recursos, e a formar gente capaz de operá-los e governá-los. O plano de trabalho para 2026 e 2027 tem três frentes:

  1. capacitação de servidores públicos em governança de dados e política climática, com laboratórios práticos para desenvolvedores locais;
  2. um repositório aberto e compartilhado de dados ambientais e modelos climáticos, pensado para lugares com internet fraca;
  3. apoio para que os países mantenham o controle dos próprios dados e modelos, em vez de depender de programas fechados de outros países.

Depois do lançamento, governos, instituições de pesquisa e financiadores poderão se tornar membros.

A sede em Brasília

A secretaria do instituto fica na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em Brasília, dentro do centro de Ação Digital Verde da UIT. A criação do instituto foi decidida durante a COP30, em Belém.

“Uma inteligência artificial verdadeiramente sustentável também precisa ser inclusiva”, afirmou Guilherme Canela de Souza Godoi, diretor da Divisão de Inclusão Digital, Políticas e Transformação Digital da Unesco. Segundo ele, os benefícios precisam chegar a países e comunidades com diferentes níveis de capacidade tecnológica e institucional.

IA contra o desmatamento

O monitoramento da Amazônia já usa satélites há décadas: o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mede o desmatamento anual pelo Prodes e emite alertas pelo Deter. Ferramentas de inteligência artificial podem ajudar a identificar padrões de desmatamento, prever áreas sob risco e processar grandes volumes de imagens com mais rapidez. A proposta do instituto é que essas ferramentas sejam desenvolvidas e controladas pelos próprios países da região.

Outros eventos de IA na COP31

  • 16 de novembro, de manhã: mesa-redonda de alto nível sobre Ação Digital Verde e inteligência artificial, com o lançamento do Compromisso de Antália sobre IA, organizada pela Unesco, pela UIT e pela presidência turca;
  • 17 de novembro: evento oficial da ONU sobre inteligência artificial verde.

Entenda

  • O que é: o Instituto de Inteligência Artificial para o Clima.
  • Quem faz: Unesco, governo brasileiro e União Internacional de Telecomunicações.
  • Sede: secretaria na Anatel, em Brasília.
  • Lançamento: 16 de novembro de 2026, no Pavilhão Brasil da COP31.
  • Primeiro projeto: IA para prevenir o desmatamento na bacia amazônica.

Com informações da Unesco.

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