
O mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), um molusco invasor nativo do Sudeste Asiático que chegou à América do Sul na água de lastro de navios, já está se espalhando pela Amazônia paraense. Pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) encontraram, no rio Tocantins, colônias com densidade média de 11.940 mexilhões por metro quadrado, com registros de até 15.849. Um levantamento publicado em 2026 mostra que a espécie já aparece em todos os municípios ao longo do Tocantins e chegou ao rio Pará e à Ilha do Marajó.
Segundo os pesquisadores, ainda não há evidência de invasão em Belém, mas a velocidade de expansão superou as previsões.
Como ele chegou
O mexilhão-dourado foi registrado pela primeira vez na América do Sul em 1991, no rio da Prata, na Argentina. Ele viajou nos tanques de água de lastro de navios, usados para dar estabilidade às embarcações e despejados nos portos de destino. No Brasil, chegou nos anos 1990 e se espalhou pelas bacias do Sul, do Sudeste, do Centro-Oeste e, depois, do rio São Francisco, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Os números no Pará
A presença na Amazônia foi registrada em agosto de 2023, no rio Tocantins. Em outubro de 2024, pesquisadores da Ufra coletaram mexilhões em três pontos do Pedral do Lourenço, uma formação rochosa no Tocantins entre Marabá e Tucuruí. O estudo, publicado na revista Acta Limnologica Brasiliensia, encontrou animais de 1,9 a 22,1 milímetros, com tamanho médio de 12,2 milímetros, e sinais de que pelo menos um ciclo reprodutivo já tinha se completado.
Em 2026, a mesma equipe publicou uma atualização na revista Acta of Fisheries and Aquatic Resources. Os aglomerados foram encontrados em substratos naturais e artificiais, como pedras, madeira e estruturas humanas, em todos os municípios ao longo do Tocantins, avançando para o rio Pará e para o Marajó.
Por que é um problema
O mexilhão-dourado se reproduz rápido, gruda em qualquer superfície dura e forma camadas grossas. Segundo o Ibama, ele entope tubulações de captação de água e turbinas de hidrelétricas, causando prejuízos em vários estados. No ambiente, compete com espécies nativas, altera o fundo dos rios e pode mudar a cadeia alimentar.
Um plano nacional do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente para prevenir e controlar a espécie tem como meta de longo prazo manter livres do mexilhão as bacias ainda não invadidas, com prioridade para a Amazônica e a Tocantins-Araguaia. A chegada ao Tocantins e ao Marajó mostra o tamanho do desafio.
Como ele se espalha
As larvas são microscópicas e viajam na água. Os adultos se prendem a cascos de barcos, motores, redes, boias e equipamentos de pesca. Por isso, o transporte de embarcações e materiais de um rio para outro sem limpeza é uma das principais formas de dispersão.
O que fazer para não espalhar
- ao tirar o barco da água, inspecione o casco, o motor e as cordas e remova qualquer mexilhão grudado;
- deixe o barco e os equipamentos secarem ao sol por alguns dias antes de usá-los em outro rio;
- não jogue mexilhões retirados de volta na água;
- avise órgãos ambientais ou universidades se encontrar o molusco em um lugar novo.
Perguntas frequentes
O mexilhão-dourado já chegou a Belém?
Segundo o levantamento da Ufra publicado em 2026, ainda não há evidência de invasão na capital.
De onde ele veio?
Do Sudeste Asiático, trazido na água de lastro de navios. O primeiro registro na América do Sul foi em 1991, no rio da Prata.
Ele faz mal à saúde?
O principal problema é ambiental e econômico: entope tubulações, prejudica hidrelétricas e afeta espécies nativas.
Como evitar que se espalhe?
Limpando e secando barcos, motores e equipamentos antes de levá-los para outro rio.
Os pesquisadores defendem monitoramento contínuo do Tocantins e de seus afluentes para acompanhar o avanço da espécie.
Com informações da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), do Ibama e de estudos publicados nas revistas Acta Limnologica Brasiliensia e Acta of Fisheries and Aquatic Resources.
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