Nesta ave europeia, o macho cuida dos filhotes e a fêmea pode viajar centenas de quilômetros entre paradas

Ilustração gerada por IA de um borrelho-ruivo; não é uma ave acompanhada por satélite.

Transmissores revelaram deslocamentos de fêmeas de borrelho-ruivo durante uma única temporada reprodutiva no norte da Europa.

O borrelho-ruivo tem uma organização familiar que foge de uma expectativa comum: o macho normalmente choca os ovos e cuida dos filhotes, enquanto a fêmea pode deixar o local. Mas para onde ela vai? Um rastreamento no norte da Europa mostrou que a resposta pode envolver centenas de quilômetros.

Uma equipe liderada pelo Instituto Max Planck de Inteligência Biológica acompanhou 21 fêmeas com transmissores por satélite. O estudo, publicado na Proceedings of the Royal Society B, investigou seus movimentos durante a temporada de reprodução.

O verão não era uma fase de endereço fixo

As aves fizeram entre uma e cinco paradas prolongadas, com mediana de três. Embora muitos deslocamentos entre locais fossem menores, uma fêmea viajou 973 quilômetros entre duas permanências. A ave com maior percurso acumulou 1.343 quilômetros.

Essas distâncias ocorreram durante a temporada reprodutiva. Não devem ser confundidas com a viagem anual entre áreas de reprodução e de invernada. A pesquisa revela movimento justamente em uma etapa que poderia parecer mais sedentária.

A interpretação dos pesquisadores é que essas viagens podem favorecer novas oportunidades de acasalamento. Os transmissores, porém, mostram posições e permanências; não comprovam uma nova reprodução em cada lugar visitado.

Cuidar do ninho muda as possibilidades de movimento

Quando um dos adultos assume o cuidado, o outro passa a enfrentar uma combinação diferente de compromissos. Para entender esse sistema, não basta contar pares em um único campo ou observar apenas o período da postura.

Uma mesma fêmea pode conectar lugares que seriam tratados como populações separadas em estudos locais. É uma razão para combinar o que se observa no chão com o que aparece nas rotas de longa distância.

O mapa deixa uma pergunta em aberto

Permanecer vários dias em uma área não explica sozinho o que a ave fez ali. Acompanhar ninhos e observar interações continua sendo necessário para esclarecer a ligação entre viagem e reprodução.

A curiosidade do borrelho-ruivo é essa mudança de escala. Uma ave pequena pode desaparecer do campo de observação de uma equipe e continuar sua temporada muito longe dali. Para o macho, a história segue junto dos ovos e filhotes; para a fêmea rastreada, o mesmo verão pode incluir várias paisagens.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA