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Rivais em campo, parceiros no clima. Noruega investe US$ 3 bi em fundo de florestas do Brasil

Noruega investe US$ 3 bi em fundo de florestas do Brasil
Foto: fonte original

País nórdico é o maior doador do Fundo Amazônia e se tornou sócio do novo Fundo Florestas Tropicais para Sempre.

A Noruega se comprometeu a investir US$ 3 bilhões no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), o maior aporte individual no novo mecanismo de financiamento ambiental lançado durante a COP 30, realizada em Belém em novembro de 2025. O país nórdico já é o principal parceiro do Brasil na área ambiental, tendo doado R$ 3,8 bilhões dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Amazônia, entre 2009 e 2025.

O TFFF foi criado com apoio de 66 países e busca atrair recursos públicos e privados para financiar a conservação de florestas tropicais na América do Sul, África Central e Sudeste Asiático. Atualmente, o fundo já acumula US$ 6,8 bilhões, com contribuições de Brasil, Indonésia, Alemanha, França, Luxemburgo, Países Baixos e da Fundação Minderoo.

Como funciona o novo fundo de florestas

A proposta brasileira pretende alcançar inicialmente US$ 25 bilhões com adesões de países e alavancar US$ 125 bilhões com capital privado. Os recursos serão aplicados em 70 países com florestas tropicais, que somam 1 bilhão de hectares. Diferentemente de modelos baseados em doações, como o Fundo Amazônia, o TFFF emitirá títulos que financiarão projetos de conservação quando atingir US$ 10 bilhões.

“O Brasil precisava de parceiros que pudessem também aportar recursos na iniciativa, e o natural era acionar os parceiros tradicionais que há anos vinham trabalhando conosco e são notórios em apoiar conservação da natureza”, explicou Garo Batmanian, diretor do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Na ocasião do lançamento, o ministro do Clima e do Meio Ambiente da Noruega, Andreas Bjelland Eriksen, afirmou que o mundo estava diante do desaparecimento das florestas, “com consequências que não eram exclusivas para o Brasil”. Segundo Eriksen, a medida ajudaria na mitigação da crise climática global.

China sinaliza adesão ao fundo

O governo brasileiro trabalha para ampliar o número de países parceiros. No fim de junho, mês do Dia Mundial das Florestas Tropicais, a China sinalizou intenção de aderir ao TFFF, segundo informou o ministro da Fazenda brasileiro, Dario Durigan, ao Jornal Valor Econômico. O tema foi tratado em reunião entre Durigan e o ministro das Finanças da China, Lan Fo’an. De acordo com o ministro, equipes estão mobilizadas para acertar os detalhes da adesão.

Na visão do governo brasileiro, o apoio da Noruega é fundamental para alavancar novos empréstimos e alcançar os US$ 10 bilhões iniciais necessários para o início da emissão de títulos.

Fundo Amazônia já financiou mais de 650 ações

Além do TFFF, a Noruega mantém sua posição como principal parceira do Fundo Amazônia, mecanismo proposto pelo Brasil na 12ª Conferência das Partes da ONU, no Quênia, em 2008. O país nórdico contribuiu com R$ 3,8 bilhões dos R$ 4,9 bilhões do fundo, entre 2009 e 2025. Em junho de 2026, o Reino Unido tornou-se o segundo maior doador, com R$ 500 milhões. A Alemanha é o terceiro maior parceiro, tendo investido R$ 387 milhões.

O Fundo Amazônia já financiou mais de 650 ações de pequenos agricultores, quebradeiras de coco, indígenas, cientistas, órgãos ambientais e Corpos de Bombeiros, por exemplo, e é gerenciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). As medidas incluem ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, além de apoio à restauração florestal, regularização fundiária e produção sustentável.

Os recursos do Fundo Amazônia são liberados mediante comprovação da redução de desmatamento pelo Brasil, diferentemente do TFFF, que funcionará com emissão de títulos.

A contradição norueguesa no meio ambiente

Embora a Noruega seja uma das maiores patrocinadoras de projetos verdes no mundo, o país é um dos principais exportadores de petróleo e gás, transferindo grande parte do seu impacto climático para o exterior. Os combustíveis fósseis são considerados vilões do aquecimento global no planeta.

Apesar da contradição, para ambientalistas, em termos de cooperação internacional, os nórdicos têm importante papel de liderança. “Diferente do futebol, no caso da natureza, jogar junto, em parceria, é fundamental, nada está desvinculado”, avaliou Maurício Bianco, vice-presidente da Conservação Internacional (CI-Brasil). Ele lembrou que, internamente, a Noruega tem favorecido iniciativas limpas, como adoção de veículos elétricos.

“A Noruega tem demonstrado liderança consistente no financiamento de iniciativas de proteção das florestas tropicais e está à frente de outras nações desenvolvidas na redução do impacto ambiental de suas atividades”, afirmou Bianco.

Investimento na natureza precisa crescer

Bianco explicou que proteger, restaurar e manejar a natureza de forma sustentável pode reduzir os efeitos da mudança climática, mas exige investimentos. Segundo ele, a natureza recebe apenas 3% do financiamento climático global, apesar de responder por um terço das soluções para mitigar o problema. Somente na Amazônia, estudos do Banco Mundial estimam a necessidade de investimentos anuais de US$ 7 bilhões.

“A Noruega mostra para os países desenvolvidos que é importante eles financiarem soluções que possam evitar a crise climática e a perda de biodiversidade, para que eles mesmos não sofram com os problemas, como está ocorrendo agora”, concluiu.

De acordo com o Greenpeace Brasil, o controle do desmatamento e da degradação estão entre as principais formas de limitar o aquecimento global a 1,5ºC. “Proteger e restaurar as florestas tropicais é fundamental para enfrentar as crises da biodiversidade e do clima, além de garantir um planeta habitável para as futuras gerações”, disse a organização em posicionamento divulgado no Dia Mundial das Florestas, 22 de junho.

O que é o Fundo Florestas Tropicais para Sempre?

O que é? Mecanismo de financiamento ambiental criado pelo Brasil e lançado na COP 30, em Belém, em novembro de 2025, para atrair recursos públicos e privados destinados à conservação de florestas tropicais em 70 países.

Quanto já foi arrecadado? O fundo tem atualmente US$ 6,8 bilhões, com a Noruega sendo a maior investidora individual, comprometida com US$ 3 bilhões ao longo de dez anos.

Qual a diferença para o Fundo Amazônia? Enquanto o Fundo Amazônia funciona por doações diretas para projetos específicos, o TFFF emitirá títulos financeiros quando atingir US$ 10 bilhões, buscando alavancar capital privado e alcançar US$ 125 bilhões.

O Brasil espera que a China formalize sua adesão ao TFFF nos próximos meses, segundo indicou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião bilateral em junho de 2026.

Com informações da Agência Brasil.

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