
Registro de um macho adulto marca o retorno da espécie ao território fluminense, onde ela não era documentada desde os anos 1970
Uma onça-pintada voltou a aparecer nas matas de Valença, no sul do estado do Rio de Janeiro, depois de cerca de cinco décadas sem registros da espécie em território fluminense. O animal é um macho adulto, identificado por imagens obtidas em câmeras instaladas na região. O registro foi divulgado em 29 de julho de 2025 e encerra um longo intervalo desde os anos 1970, quando a onça deixou de ser observada no estado em meio ao avanço urbano.
O felino vem sendo monitorado intensivamente desde dezembro de 2024 pelo Instituto Estadual do Ambiente, o Inea, em parceria com o Projeto Aventura Animal. Além das imagens, técnicos analisam pegadas e fezes para entender quais animais fazem parte de sua dieta. Até o momento, não foi registrado ataque envolvendo animais domésticos ou de criação. A presença do macho, portanto, está sendo acompanhada com foco simultâneo na conservação da espécie e na segurança das pessoas que vivem ou circulam perto da área de mata.
O macho passou a ser acompanhado por câmeras e vestígios
As câmeras do Inea e do Projeto Aventura Animal permitiram confirmar que o visitante não era apenas um registro isolado ou uma impressão deixada na floresta. O acompanhamento começou em dezembro de 2024 e continuou de forma intensiva, com a combinação de imagens, pegadas e fezes. Esses vestígios ajudam os técnicos a identificar a movimentação do animal e a investigar sua alimentação, sem depender somente de novos flagrantes fotográficos.
A dieta analisada inclui animais como capivaras, catetos e tapitis, espécies que podem fazer parte da disponibilidade de alimento encontrada nas matas da região. A investigação ainda está em andamento, e o governo estadual planeja capturar provisoriamente o macho para instalar um colar de monitoramento e realizar exames laboratoriais. O procedimento deverá contar com a ajuda do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio. O objetivo é obter informações sobre a condição do animal e acompanhar seus deslocamentos com mais precisão.
A espécie desapareceu do estado durante o avanço urbano
A onça-pintada não era registrada no território fluminense desde os anos 1970. O desaparecimento das observações ocorreu em um período de avanço urbano, que reduziu e fragmentou áreas de vegetação nativa. O retorno documentado em Valença não apaga esse histórico, mas mostra que a espécie ainda pode utilizar ambientes florestais capazes de oferecer abrigo e recursos alimentares no estado.
Um dos fatores apontados para explicar a migração da onça para o Rio de Janeiro é o aumento da cobertura de vegetação nativa nas últimas quatro décadas. Entre 1985 e 2024, a área de floresta em território fluminense passou de 30% para 32%. Esse crescimento não significa que toda a paisagem tenha se tornado adequada ao felino, nem que a espécie tenha se recuperado de maneira uniforme. O registro representa a presença de um indivíduo monitorado e precisa ser interpretado junto com a fragmentação das matas e a pressão urbana.
Menos de trezentas onças vivem na Mata Atlântica
A onça-pintada é o maior predador das Américas e exerce uma função importante no equilíbrio dos ecossistemas. Ao ocupar o topo da cadeia alimentar, ela participa da regulação das populações de outros animais. Os números do Inea indicam que existem menos de 300 onças-pintadas em toda a Mata Atlântica, o que torna cada registro relevante para a conservação do bioma e para o conhecimento sobre a distribuição atual da espécie.
Esse número também ajuda a dimensionar a responsabilidade envolvida no acompanhamento do macho de Valença. A instalação de um colar e os exames previstos podem fornecer dados sobre saúde, deslocamento e alimentação, desde que a captura provisória seja realizada com segurança para o animal e para as equipes. O monitoramento não transforma a presença da onça em motivo de aproximação. Ao contrário, a orientação central é manter distância, evitar tentativas de contato e comunicar sinais do felino às autoridades responsáveis.
O retorno amplia a responsabilidade sobre a floresta
O governo do Rio de Janeiro pretende alcançar 40% de cobertura de Mata Atlântica no estado até 2050, com a restauração de cerca de 400 mil hectares. Segundo a estimativa apresentada pelo governo, essa expansão teria potencial de absorver mais de 159 milhões de toneladas de gás carbônico. A recuperação da vegetação pode ampliar as áreas disponíveis para a fauna, mas a permanência de grandes predadores depende também da conexão entre fragmentos florestais e da convivência segura com as comunidades.
Para o secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, a presença do animal é motivo de felicidade, mas também traz uma grande responsabilidade. A frase resume o sentido do registro em Valença. O retorno de uma onça-pintada não é apenas uma imagem rara nas câmeras, mas um sinal de que a paisagem fluminense ainda guarda espaço para um predador que havia desaparecido das observações por décadas. Quando a floresta volta a sustentar esse encontro, conservar passa a significar proteger o animal, orientar as pessoas e manter o ambiente capaz de recebê-lo.
Com informações da Agência Brasil.
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