
Dois papagaios-chauá (Amazona rhodocorytha), ave da Mata Atlântica ameaçada de extinção, foram resgatados pela Fiscalização Ambiental da Prefeitura da Serra, na Grande Vitória (ES), em 27 de outubro de 2026. As aves pertenciam a um casal de idosos que se mudou para uma casa de repouso e não tinha mais como cuidar delas.
A denúncia chegou pelo aplicativo Colab, usado pela prefeitura para receber pedidos dos moradores. Os papagaios foram levados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do bairro Barcelona, onde passam por avaliação técnica para saber se podem voltar à natureza.
O que é o papagaio-chauá
O chauá é um papagaio que só existe na Mata Atlântica, um dos biomas mais desmatados do país. Tem o corpo verde e a fronte avermelhada, característica que lhe dá o nome em inglês, red-browed amazon.
No Brasil, a espécie é classificada como vulnerável à extinção e faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Papagaios da Mata Atlântica, coordenado pelo ICMBio. Segundo o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, as principais ameaças são a perda e a fragmentação da floresta e a captura ilegal para o comércio de animais.
A época de reprodução vai de setembro a novembro. Em 2026, o INMA divulgou também o primeiro registro de atropelamento de um papagaio-chauá, na BR-101, em Sooretama, no norte do Espírito Santo, publicado na revista científica Oryx. É um sinal de que a estrada virou mais um risco para uma ave que já perdeu boa parte do seu hábitat.
Ter papagaio silvestre em casa é crime?
Pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), manter animal silvestre em cativeiro sem autorização do órgão ambiental dá pena de detenção de 6 meses a 1 ano, mais multa. Quando a espécie é rara ou ameaçada de extinção, como o chauá, a pena aumenta pela metade.
O Decreto 6.514/2008, que trata das infrações administrativas, prevê multa de R$ 500 por animal. Se a espécie for ameaçada, o valor sobe para R$ 5 mil por animal.
A nota da Prefeitura da Serra não informa se houve multa ou registro de ocorrência no caso dos dois papagaios.
Como entregar um animal silvestre sem ser multado
O mesmo decreto tem uma regra pouco conhecida: o órgão ambiental deve deixar de aplicar as sanções quando a pessoa entrega o animal por vontade própria. É o caminho indicado para quem herdou, ganhou ou mantém há anos um papagaio, um periquito ou outra ave silvestre em casa e não tem autorização.
O Governo Federal oferece o serviço de entrega voluntária de animal silvestre nos Cetas, gratuito. A orientação é procurar antes o Cetas mais próximo para combinar a entrega. Em Belém e no restante do Pará, a recomendação é a mesma: contato prévio com o órgão ambiental antes de levar o animal.
Na Serra, a prefeitura recebe esse tipo de comunicação pelo aplicativo Colab.
Por que o papagaio não pode simplesmente ser solto
Ave que passou anos em gaiola pode não saber buscar comida, fugir de predadores ou voar longas distâncias. Por isso a soltura depende de avaliação veterinária e comportamental no Cetas. Algumas aves voltam à natureza depois de um período de reabilitação; outras seguem para criadouros autorizados ou instituições, quando não têm condições de viver soltas.
Perguntas frequentes
O papagaio-chauá está ameaçado de extinção?
Sim. No Brasil, é classificado como vulnerável e tem plano de ação nacional do ICMBio.
Qual a multa por ter papagaio silvestre sem autorização?
R$ 500 por animal, ou R$ 5 mil por animal de espécie ameaçada, segundo o Decreto 6.514/2008.
Quem entrega o animal voluntariamente é multado?
Não. O decreto determina que o órgão ambiental deixe de aplicar as sanções na entrega espontânea.
Com informações da Prefeitura da Serra, do ICMBio e do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA).
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