Pará consolida modelo ambiental que une floresta, renda e inovação


Pará consolida modelo ambiental que alia conservação, infraestrutura e desenvolvimento social

O Pará avança na construção de um modelo ambiental que combina conservação da biodiversidade, infraestrutura sustentável e fortalecimento das economias locais. No centro dessa estratégia está o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), que vive um período de expansão institucional marcado por resultados concretos dentro dos territórios e crescente projeção nacional e internacional.

Foto: Marcelo Seabra / Ag. Pará

A atuação do Instituto percorre múltiplas frentes: manejo florestal, proteção da fauna, recuperação de áreas degradadas, apoio a cadeias produtivas da sociobiodiversidade e valorização de comunidades tradicionais. Essa abordagem integrada tem reposicionado o Pará como referência em políticas públicas ambientais que conciliam floresta em pé, inclusão social e geração de renda.

Infraestrutura sustentável fortalece economias locais e florestas públicas

Um dos eixos centrais dessa estratégia é o investimento em infraestrutura ambientalmente responsável. No Lago de Tucuruí, o Ideflor-Bio, em parceria com a Secretaria de Estado de Obras Públicas, entregou Unidades de Monitoramento de Pescado nos municípios de Breu Branco e Itupiranga. As estruturas ampliam a capacidade de organização da cadeia pesqueira, fortalecem a economia local e qualificam a gestão dos recursos naturais, com previsão de expansão para outras áreas da região.

Na frente da restauração ecológica, o Projeto Refloresta Altamira alcançou a marca simbólica de um milhão de mudas distribuídas, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas no sudoeste do Pará. A iniciativa se soma a uma política mais ampla de gestão das florestas públicas estaduais. Com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Instituto avança na estruturação de concessões florestais sustentáveis em mais de 3,4 milhões de hectares, ampliando o uso responsável da floresta e gerando oportunidades econômicas alinhadas à conservação.

Divulgação - Ag. Pará
Divulgação – Ag. Pará

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Conservação, lazer e proteção da fauna caminham juntos

A integração entre conservação ambiental e uso público sustentável é outro destaque da atuação do Ideflor-Bio. O Parque Estadual do Utinga, em Belém, tornou-se um símbolo dessa política ao registrar picos de visitação superiores a nove mil pessoas em um único dia e se aproximar da marca histórica de 600 mil visitantes. O crescimento da visitação reflete investimentos em infraestrutura, segurança e educação ambiental, transformando a unidade em um dos principais espaços de lazer e contato com a natureza no estado.

Paralelamente, o Instituto ampliou ações voltadas à proteção da fauna silvestre. A construção do primeiro Centro Estadual de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres, em Marituba, fortalece a resposta do Estado ao resgate e reabilitação de animais vítimas do tráfico e de crimes ambientais. Em um marco simbólico para a conservação, o Pará também registrou a reintrodução de 30 ararajubas na natureza, espécie ameaçada de extinção e ícone da biodiversidade amazônica.

Planejamento territorial e protagonismo internacional ampliam alcance das políticas

O fortalecimento institucional do Ideflor-Bio passa também pelo planejamento integrado entre suas regionais. Reuniões estratégicas com gestores do Baixo Amazonas e da Calha Norte consolidaram uma agenda comum para 2026, com foco em educação ambiental, apoio ao extrativismo, turismo de base comunitária e cadeias produtivas como mel, castanha-do-pará e açaí. Iniciativas como a meliponicultura em Almeirim e ações de polinização em açaizais no entorno de Santarém, com apoio técnico da Embrapa, apontam ganhos produtivos que podem chegar a 30%.

Esse trabalho territorial se conecta à produção científica por meio do Acordo de Cooperação Técnica firmado com a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). A parceria integra ensino, pesquisa e extensão em áreas como bioeconomia, restauração ecológica e manejo florestal comunitário, permitindo que estudantes e pesquisadores atuem diretamente nas unidades de conservação estaduais e junto às comunidades amazônicas.

No plano internacional, o protagonismo do Ideflor-Bio ganhou visibilidade durante a COP30, realizada em Belém. O Instituto liderou debates no Pavilhão Pará, apresentando experiências em sociobiodiversidade, redes de sementes e macrozoneamento do Marajó, em cooperação com a Universidade Federal do Pará (UFPA) e organismos das Nações Unidas, como a ONU. Eventos técnicos reuniram academia, gestores públicos e sociedade civil, projetando soluções amazônicas para o enfrentamento da crise climática global.

Para o presidente do Instituto, Nilson Pinto, os resultados refletem uma atuação técnica e integrada. Segundo ele, as experiências apresentadas internacionalmente demonstram que é possível proteger a biodiversidade, fortalecer comunidades e promover desenvolvimento sustentável a partir dos territórios. A estratégia reafirma o compromisso do governo do Pará com um modelo ambiental que une conservação, inclusão social e liderança climática.