Pesquisadores reencontram duas sempre-vivas consideradas potencialmente extintas e acham uma delas em quatro áreas protegidas de Minas Gerais

Pesquisadores reencontram duas sempre-vivas consideradas potencialmente extintas e acham uma delas em quatro áreas protegidas de Minas Gerais
Ilustração: Revista Amazônia

Espécies endêmicas do Quadrilátero Ferrífero foram localizadas durante expedições em áreas de solo ferruginoso, rochas e pouca água

As plantas reapareceram entre rochas e terra vermelha

Minúsculos pompons vegetais voltaram a ser encontrados em áreas protegidas do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, depois de décadas sem registros conhecidos. As espécies Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena, conhecidas popularmente como sempre-vivas ou chuveirinhos, foram localizadas por pesquisadores que percorrem a região em busca de plantas raras e endêmicas.

As duas espécies só ocorrem nessa área de Minas Gerais e vivem em ambientes associados a solo ferruginoso, de coloração vermelha, além de afloramentos rochosos. A Paepalanthus magalhaesii cresce rente ao chão, entre as rochas, enquanto a Coracoralina amoena depende de locais com solo fino, sol intenso e pouca água durante boa parte do ano. As flores das sempre-vivas mantêm a aparência mesmo depois de secas.

Uma espécie foi encontrada em quatro áreas protegidas

A Paepalanthus magalhaesii chegou a ser considerada possivelmente desaparecida da natureza. Durante o trabalho de campo, porém, os pesquisadores conseguiram reencontrar a espécie em quatro áreas protegidas chamadas Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca. Esses locais ficam entre os municípios de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.

A localização desses exemplares mudou o conhecimento disponível sobre a presença atual da planta no Quadrilátero Ferrífero. O reencontro não significa que a espécie deixou de exigir proteção. Como ela é endêmica, sua ocorrência está restrita a uma região específica, e a conservação dos ambientes onde cresce é diretamente ligada à permanência de suas populações na natureza.

A busca começou com uma lista de espécies raras

As expedições fazem parte do Projeto de Conservação de Espécies Raras e Endêmicas do Quadrilátero Ferrífero, desenvolvido por universidades, instituições de pesquisa e pela Vale dentro da Rede Propagar. A estratégia consiste em ir aos locais onde as plantas podem ocorrer e procurar diretamente por elas na natureza.

Laís Zeferino, doutora em biologia vegetal e pesquisadora associada da Universidade Federal de Minas Gerais, explicou que algumas espécies da lista de plantas-alvo não eram vistas havia mais de cem anos e eram consideradas potencialmente extintas. A busca de campo permitiu reencontrar parte dessas plantas e registrar novamente sua presença em seus ambientes naturais.

O ambiente impõe calor, seca e pouco solo

A Coracoralina amoena está entre as plantas mais raras localizadas pelo projeto. A espécie vive em um ambiente específico, formado por áreas de rochas onde o solo é fino, a incidência de sol é intensa e a água permanece escassa durante boa parte do ano. A literatura científica já havia apontado a possibilidade de que ela tivesse desaparecido da natureza.

Segundo Patrícia Favoreto Renci, engenheira agrônoma e gerente de propagação da Rede Propagar, essas plantas conseguem sobreviver sob estresse hídrico e térmico, condições que dificultariam a permanência de outras espécies. Essa capacidade está ligada ao ambiente do Quadrilátero Ferrífero, onde a vegetação se desenvolve sobre formações ferruginosas e enfrenta variações de temperatura e disponibilidade de água.

O reencontro amplia o valor das áreas protegidas

As descobertas reforçam a importância das áreas protegidas para a manutenção de espécies que podem passar décadas sem ser observadas. No caso da Paepalanthus magalhaesii, os registros em Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca mostram que a planta permanece associada a diferentes pontos protegidos entre Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto.

As sempre-vivas também têm importância potencial para pesquisas em genética, biotecnologia e farmacologia, além de contribuírem para a preservação dos ecossistemas onde vivem. Esse valor não depende apenas da aparência das flores secas, mas das características que permitem às plantas permanecer em um ambiente de solo ferruginoso, calor, rochas expostas e restrição de água.

Novos registros ainda podem aparecer em Minas

Para Laís Zeferino, o reencontro de espécies consideradas potencialmente extintas mostra que o conhecimento sobre a biodiversidade brasileira ainda é incompleto. A pesquisadora avalia que o trabalho de procurar plantas diretamente em seus ambientes pode revelar outros registros, especialmente em regiões com vegetação especializada e ocorrência restrita.

A divulgação dos achados ocorreu em 16 de agosto de 2026, com informações da Agência Brasil. O resultado também estabelece um limite importante: reencontrar uma planta não encerra a necessidade de pesquisa, acompanhamento e proteção. Cada sempre-viva localizada transforma uma ausência registrada em uma presença que precisa continuar sendo observada no lugar onde conseguiu permanecer.

Com informações da Agência Brasil.

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