
Ausência de predadores, fartura de alimento e iluminação noturna transformaram a praça urbana em colônia permanente de garças-brancas no centro da capital paraense.
A Praça Batista Campos, um dos espaços públicos mais tradicionais de Belém, se tornou moradia permanente de centenas de garças-brancas. O fenômeno não é acaso. Existe uma lógica ecológica por trás da escolha dessas aves, que trocaram manguezais e áreas alagadas por uma praça no coração da capital paraense.
Entender por que as garças preferem a praça ao mangue é o primeiro passo para enfrentar o problema de saúde pública que a concentração dessas aves vem causando na região.
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Praças arborizadas em cidades tropicais oferecem um cardápio generoso para aves como as garças. A iluminação pública noturna atrai insetos em grande quantidade, que servem de alimento fácil. Restos de comida deixados por frequentadores e lixo mal acondicionado completam a oferta.
Nos manguezais, as garças precisam pescar e competir com outras espécies por alimento. Na praça, o esforço é mínimo. Essa diferença no gasto energético para se alimentar é um dos fatores que explicam a preferência pelo ambiente urbano.
Zero predadores, máximo conforto
No habitat natural, garças enfrentam predadores como gaviões, jaguatiricas e cobras que atacam ninhos. No centro de Belém, esses riscos simplesmente não existem. As mangueiras da praça oferecem galhos altos e estáveis para pouso e nidificação, protegidos do trânsito e de perturbações no solo.
A ausência de predadores permite que as colônias cresçam sem controle natural. Cada temporada reprodutiva adiciona dezenas de novos indivíduos ao grupo, e não há pressão ecológica para reduzir a população.
O papel da urbanização na mudança de habitat
A destruição e ocupação de manguezais na região metropolitana de Belém reduziu progressivamente as áreas naturais disponíveis para as garças. À medida que o habitat original encolhe, as aves migram para o ambiente urbano mais próximo que ofereça condições mínimas de sobrevivência.
Praças com árvores de grande porte, como as mangueiras centenárias da Batista Campos, imitam parcialmente a estrutura de um manguezal: copa densa, galhos largos e proximidade com fontes de água. Para as garças, a praça funciona como um substituto viável do mangue perdido.
Mangal das Garças como modelo de solução
O Mangal das Garças, espaço ambiental mantido pelo Governo do Pará às margens do Rio Guamá, demonstra que é possível oferecer habitat adequado para essas aves dentro do perímetro urbano. O local possui vegetação de mangue, espelhos d’água e área de alimentação controlada.
Especialistas apontam a transferência gradual das garças da Batista Campos para áreas como o Mangal como a solução mais equilibrada: preserva as aves, reduz o risco sanitário na praça e mantém a biodiversidade urbana sob controle.
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