
A seca que atinge a Amazônia neste fim de 2026 já aparece nos números das hidrelétricas. Em outubro, os rios que alimentam as usinas da Região Norte levaram só 51% da água esperada para o mês, e a previsão para novembro é ainda pior: entre 30% e 43% da média histórica. Os dados foram apresentados em 4 de novembro pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), do Ministério de Minas e Energia, que avalia que o sistema elétrico nacional segue seguro, mas aponta que o El Niño tem causado quedas de torres de transmissão e estiagem no Norte.
O que dizem os números
A chamada energia natural afluente mede quanta água chega aos reservatórios, em comparação com a média histórica do mês. Em outubro, ela ficou assim:
| Região | Água que chegou (% da média) | Reservatórios no fim de outubro |
|---|---|---|
| Norte | 51% | 61% |
| Nordeste | 78% | 62% |
| Sudeste e Centro-Oeste | 156% | 55% |
| Sul | 230% | 79% |
O contraste mostra o efeito típico do El Niño: chuva demais no Sul e falta de chuva no Norte. Para novembro, o CMSE projeta que os reservatórios do Norte terminem o mês entre 46,8% e 49,9% da capacidade.
O Xingu preocupa
Segundo o comitê, o período chuvoso ainda não começou no Norte, e a chuva segue abaixo da média, principalmente na bacia do Rio Xingu, onde fica a usina de Belo Monte. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) recomendou adiar a operação excepcional do reservatório intermediário de Belo Monte com vazão mínima de 100 metros cúbicos por segundo, respeitadas as licenças e autorizações. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) prevê chuva abaixo da média nas próximas duas semanas também na bacia do Rio Madeira.
Por que o país não fica sem luz
O Brasil tem um sistema interligado: quando falta água no Norte, a energia pode vir de outras regiões e de outras fontes. Neste ano, o Sul e o Sudeste receberam muito mais chuva do que a média, e o armazenamento total do sistema, de cerca de 58%, está 8 pontos percentuais acima do registrado no mesmo período de 2025. Por isso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) manteve a bandeira tarifária verde em novembro, sem cobrança extra na conta de luz.
O comitê também informou que, nos sistemas isolados, comunidades da Amazônia que não estão ligadas à rede nacional, a geração atendeu à demanda, sem falhas por falta de combustível.
A seca e o rio
Para quem vive às margens dos rios, a seca vai além da energia. Rios mais baixos dificultam o transporte de pessoas e cargas, o abastecimento de comunidades ribeirinhas e a pesca. Em outubro, o governo federal reconheceu situação de emergência por seca e fogo em dezenas de municípios do Amazonas, do Pará e do Acre. A previsão oficial para o trimestre até janeiro indica chuva abaixo da média no norte e no leste da Amazônia.
Entenda
- O que aconteceu: as hidrelétricas do Norte receberam só 51% da água média em outubro, e novembro pode ter de 30% a 43%.
- Onde é pior: na bacia do Xingu, de Belo Monte.
- Risco de apagão: o CMSE avalia que o sistema segue seguro, graças à chuva acima da média no Sul e no Sudeste.
- Conta de luz: bandeira verde em novembro, segundo a Aneel.
Com informações do Ministério de Minas e Energia (CMSE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
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