Tremor de 4,5 graus balança móveis no sul de Roraima e lidera registros sísmicos do Brasil em 2025

Tremor de 4,5 graus balança móveis no sul de Roraima e lidera registros sísmicos do Brasil em 2025
Ilustração: Revista Amazônia

Abalo ocorreu em 29 de junho, a cerca de 50 quilômetros de Rorainópolis, foi sentido em três municípios e não deixou feridos

Móveis e janelas começaram a balançar no sul de Roraima durante um abalo que, meses depois, apareceria como o maior tremor de terra registrado no Brasil em 2025. O fenômeno teve magnitude de 4,5 graus na escala Richter e foi sentido por moradores de Rorainópolis, São Luiz e São João da Baliza.

O tremor ocorreu em 29 de junho, a cerca de 50 quilômetros ao sul de Rorainópolis, segunda maior cidade de Roraima. O ponto registrado pelas estações de monitoramento ficava entre zero e dez quilômetros abaixo do solo, característica que classifica o evento como um sismo raso. Apesar da movimentação percebida dentro das casas, não houve registro de feridos.

O abalo que atravessou três municípios

O epicentro do tremor foi identificado na região sul do estado, próximo de Rorainópolis, mas a percepção do abalo alcançou também São Luiz e São João da Baliza. Em áreas onde a vibração é sentida, objetos podem se mover, janelas podem tremer e a sensação de desequilíbrio pode durar alguns segundos. Esses efeitos correspondem ao tipo de ocorrência descrito para o evento de junho.

A profundidade estimada entre zero e dez quilômetros ajuda a explicar por que um tremor de magnitude moderada pôde ser percebido por moradores em diferentes municípios. Quanto mais próximo da superfície ocorre um sismo, mais diretamente suas vibrações podem alcançar construções e pessoas, embora a percepção também dependa da distância, do terreno e das características dos imóveis. No caso roraimense, a movimentação foi suficiente para chamar a atenção da população, mas não produziu feridos.

Roraima ficou acima de outros registros de 2025

A Rede Sismográfica Brasileira divulgou em 9 de janeiro de 2026 os cinco maiores tremores registrados no país ao longo do ano anterior. O evento de Rorainópolis, com 4,5 graus, ficou no primeiro lugar do levantamento. A divulgação transformou um episódio localizado, ocorrido meses antes, no principal registro sísmico brasileiro de 2025.

Além de Roraima, o levantamento citou tremores em Poconé, no Mato Grosso, e em Parauapebas, no Pará. O município paraense teve três ocorrências de tremor apenas em 2025. Os registros mostram que a atividade sísmica pode ser detectada em diferentes áreas do território brasileiro, sem que isso signifique a ocorrência de terremotos de grande escala ou a formação de uma sequência com danos generalizados.

O que significa um tremor de 4,5 graus

Na escala Richter, tremores entre 3,5 e 5,4 graus podem ser sentidos pela população, mas raramente provocam danos. O registro de Roraima se enquadra nessa faixa. Na prática, isso significa que sua energia foi suficiente para produzir uma percepção clara em casas e edificações próximas, incluindo o balanço de móveis e janelas, mas permaneceu em uma categoria associada a efeitos geralmente limitados.

O Brasil apresenta risco muito baixo de registrar terremotos de grande escala. Os tremores ocorrem principalmente no Nordeste e, de acordo com o histórico considerado no levantamento, nunca causaram grandes danos no país. Os efeitos mais comuns ficam restritos ao balanço de móveis, à queda de pequenos objetos e à sensação passageira de desequilíbrio. Esse contexto impede que um único tremor de 4,5 graus seja interpretado como sinal de uma mudança geral no risco sísmico brasileiro.

Como o maior registro foi identificado

As medições foram feitas pelas estações da Rede Sismográfica Brasileira e analisadas pelo Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo. A rede é coordenada pelo Observatório Nacional, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com apoio do Serviço Geológico do Brasil. Esse sistema reúne os registros instrumentais usados para localizar os eventos e comparar suas magnitudes.

A análise permitiu estabelecer a posição aproximada do tremor, sua profundidade estimada e a magnitude de 4,5 graus. Também colocou o episódio de Roraima em perspectiva diante dos demais registros de 2025, incluindo os eventos de Poconé e Parauapebas. A consequência concreta do levantamento foi confirmar que o abalo sentido no sul do estado não era apenas uma ocorrência percebida localmente, mas o maior tremor registrado no país naquele ano.

Um fenômeno percebido sem cenário de desastre

O contraste entre a percepção do abalo e a ausência de feridos ajuda a dimensionar o episódio. Moradores relataram, na ocasião, o balanço de móveis e janelas em três municípios, enquanto o monitoramento indicou um sismo raso com 4,5 graus. O acontecimento foi suficientemente forte para ser notado, mas não alcançou o nível de destruição associado a terremotos de grande magnitude.

Essa diferença é importante porque a palavra terremoto costuma evocar imagens de colapso e grandes rupturas, enquanto muitos eventos brasileiros são percebidos apenas por alguns segundos. No sul de Roraima, o tremor entrou para o levantamento nacional por sua magnitude, não por ter provocado uma tragédia. A mesma ocorrência que interrompeu a rotina de moradores também reforçou o papel das estações sismográficas na identificação de fenômenos que podem ser sentidos longe do ponto de origem.

O registro de Roraima no mapa sísmico brasileiro

O tremor de 29 de junho acrescentou Roraima ao conjunto de áreas brasileiras onde a atividade sísmica é registrada e monitorada. O evento ocorreu no sul do estado, a cerca de 50 quilômetros de Rorainópolis, e foi percebido ainda em São Luiz e São João da Baliza. Sua localização e sua profundidade foram definidas a partir dos dados das estações da rede, não apenas dos relatos feitos pelos moradores.

Ao divulgar os cinco maiores registros de 2025, a Rede Sismográfica Brasileira mostrou que o monitoramento permite comparar ocorrências espalhadas pelo país. Roraima apareceu no topo dessa lista com um evento que movimentou objetos, mas não deixou feridos. A data da divulgação, 9 de janeiro de 2026, reabriu a atenção para um fenômeno que havia acontecido em 29 de junho de 2025 e que, por alguns segundos, fez o solo ser percebido dentro das casas.

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