Uniformes descartados viram bolsas e renda após 12 semanas de capacitação em Santo Antônio dos Lopes

Uniformes descartados viram bolsas e renda após 12 semanas de capacitação em Santo Antônio dos Lopes
Foto: acervo

Jornada Recria Mil combina reaproveitamento de tecidos, formação profissional e empreendedorismo no Maranhão.

Um uniforme que deixaria de ser usado pode voltar ao cotidiano como bolsa, ecobag ou acessório. É essa mudança de destino que começou a ser construída em Santo Antônio dos Lopes, no Maranhão, com a Jornada Recria Mil, iniciativa lançada em 2 de outubro para transformar tecidos descartados em produtos e capacitação profissional. Durante 12 semanas, participantes terão aulas de corte e costura, gestão, vendas e desenvolvimento empreendedor.

A proposta aproxima duas etapas que normalmente aparecem separadas: o reaproveitamento de resíduos e a preparação para o mercado. Em vez de tratar o tecido apenas como material a ser recuperado, o projeto trabalha a possibilidade de transformar a habilidade adquirida em atividade produtiva e fonte de renda.

A ação é realizada pelo Sebrae Sertão Maranhense em parceria com a Milplan Engenharia e o SENAI. Segundo o Sebrae Sertão Maranhense, a Jornada Recria Mil começou em 2 de outubro de 2026, em Santo Antônio dos Lopes, com duração prevista de 12 semanas e encerramento programado para 27 de novembro.

Do descarte ao primeiro produto

Os uniformes utilizados pela Milplan em suas operações são a matéria-prima da etapa de costura sustentável. O SENAI conduz a formação técnica, incluindo corte, costura e transformação dos tecidos. A partir desse processo, os materiais poderão ganhar novas funções e permanecer em circulação por mais tempo.

Uniformes descartados viram bolsas e renda após 12 semanas de capacitação em Santo Antônio dos Lopes
Foto: acervo

O planejamento prevê a produção de bolsas, ecobags e acessórios. O resultado não depende apenas da peça pronta. A jornada também mostra como selecionar materiais, organizar uma produção e pensar no uso comercial de cada item, elementos que ajudam a aproximar a sustentabilidade da realidade econômica dos participantes.

Essa lógica é central para a economia circular: reduzir o descarte, prolongar a vida útil dos materiais e criar valor antes que eles se tornem resíduos. No caso da Jornada Recria Mil, o ciclo inclui ainda o conhecimento como ativo do processo, porque a capacitação permanece com as pessoas mesmo depois do uso dos uniformes.

Capacitação técnica ligada à gestão do negócio

O segundo eixo da jornada é o Desenvolvimento Empreendedor e Humano. Os participantes terão contato com conteúdos de gestão financeira, vendas, mercado e competências empreendedoras. A intenção é evitar que a formação fique restrita ao domínio da máquina de costura.

Na prática, isso significa aprender a calcular custos, organizar a produção, identificar clientes e avaliar possibilidades de comercialização. A junção entre técnica e gestão pode ajudar a transformar uma oficina de capacitação em uma atividade econômica, desde que os produtos encontrem mercado e que os participantes consigam manter a produção depois do encerramento do projeto.

Uniformes descartados viram bolsas e renda após 12 semanas de capacitação em Santo Antônio dos Lopes
Foto: acervo

Para Ana Dalva de Sousa, uma das participantes, a iniciativa combina aprendizado e reaproveitamento. “O projeto Recria Mil promove a capacitação e o reaproveitamento de materiais que seriam descartados no meio ambiente. Como participante, fico muito feliz em fazer parte dessa iniciativa e ter a oportunidade de aprender, adquirir novos conhecimentos e vivenciar essas duas experiências”, afirma.

Conhecimento também é parte do reaproveitamento

A experiência tem um componente social que amplia o alcance ambiental da proposta. Dona Rosina Carvalho conta que a jornada mudou a percepção que tinha sobre sua capacidade de aprender e produzir.

“Estou muito feliz em participar desse projeto, contribuir com o que já aprendi e ter a oportunidade de construir algo novo. Por ser uma pessoa de mais idade, eu achava que não tinha mais tanto a oferecer, mas essa experiência está me mostrando que sou capaz de aprender e fazer coisas novas. Afinal, nunca é tarde para aprender e recomeçar”, destaca dona Rosina Carvalho.

O relato ajuda a dimensionar uma das metas do programa: desenvolver autonomia junto com a competência profissional. A sustentabilidade, nesse desenho, não aparece somente como redução de resíduos. Ela também se relaciona à criação de oportunidades locais, ao fortalecimento de vínculos comunitários e à ampliação das alternativas de trabalho.

Uniformes descartados viram bolsas e renda após 12 semanas de capacitação em Santo Antônio dos Lopes
Foto: acervo

Uma experiência ligada ao território

Paulo Vitor Costa, analista de Responsabilidade com Comunidades da Milplan, explica que a jornada nasceu da busca por uma forma de investimento socioambiental nos locais onde a empresa atua. A participação do Sebrae e do SENAI distribui responsabilidades entre mobilização, formação empreendedora e qualificação técnica.

“A jornada surgiu da necessidade da Milplan de realizar investimento socioambiental nos territórios onde a gente atua. E nessa iniciativa juntamos o Sebrae e o SENAI, com essa jornada de capacitação profissional e desenvolvimento pessoal e comunitário aqui no território”, explica Paulo Vitor Costa.

O modelo interessa a outros municípios amazônicos porque enfrenta dois desafios recorrentes na região: dar destino mais útil a materiais descartados e ampliar a formação para atividades que possam gerar renda local. Em estados como Pará, Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins, iniciativas semelhantes precisam considerar as cadeias produtivas, os custos de transporte e a oferta de assistência técnica de cada território. A experiência maranhense oferece um exemplo de como empresas, instituições de ensino e entidades de apoio podem atuar sobre essas duas frentes ao mesmo tempo.

O que será apresentado em 27 de novembro

A etapa final está prevista para 27 de novembro, na chamada Vitrine de Resultados. O encontro deverá reunir os produtos confeccionados e os resultados do aprendizado acumulado ao longo das 12 semanas.

Uniformes descartados viram bolsas e renda após 12 semanas de capacitação em Santo Antônio dos Lopes
Foto: acervo

Mais do que uma exposição, a atividade funcionará como uma demonstração do percurso completo: o uniforme deixa de ser um item sem uso, passa pela transformação técnica e chega a um produto com possibilidade de comercialização. A apresentação também permitirá visualizar quais conhecimentos foram incorporados pelas participantes e quais caminhos podem ser desenvolvidos depois da jornada.

“A Jornada Recria Mil acompanha as participantes desde a apresentação do projeto e a formação empreendedora até a etapa final, quando elas apresentam os conhecimentos adquiridos ao longo das 12 semanas. A proposta é prepará-las para transformar esse conhecimento em produtos, oportunidades de geração de renda e novos projetos, contribuindo para a construção de um futuro com mais autonomia e dignidade”, afirma Iva Melo, gerente da unidade regional do Sebrae no Sertão Maranhense.

O próximo marco do projeto será a Vitrine de Resultados, programada para 27 de novembro, quando a iniciativa deverá mostrar como resíduos têxteis podem se converter em produtos, aprendizagem e novas possibilidades econômicas para a comunidade.

Para ouvir a versão em áudio, acesse a gravação da matéria.

Com informações de Sebrae Sertão Maranhense.

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