Vice-presidente da Vale defende que cobre e níquel não precisam ser processados no Brasil e diz que prioridade é abrir novas minas

Vice-presidente da Vale defende que cobre e níquel não precisam ser processados no Brasil e diz que prioridade é abrir novas minas
Foto: abpm-reproducao-youtube.jpg","datePublished":"2026-10-20T15:

Executivo afirma, em evento da ABPM em São Paulo, que a estratégia de verticalizar minerais críticos não vale para todas as commodities.

A Vale avalia que o Brasil não precisa transformar internamente todos os minerais críticos para colher os benefícios da transição energética. A posição foi apresentada nesta terça-feira (20) por Rafael Bittar, vice-presidente-executivo técnico da mineradora, durante o Invest Mining Summit 2026, em São Paulo. Para ele, no caso do cobre e do níquel, duas das maiores apostas da empresa no segmento, o esforço deve se concentrar na abertura de novas minas, e não em levar o mineral a etapas industriais mais profundas.

Cada commodity tem uma lógica própria

O argumento central de Bittar é que a verticalização, ou seja, avançar da extração para etapas de processamento e manufatura, não é uma receita universal. Segundo ele, é preciso avaliar a realidade de cada commodity mineral antes de definir a estratégia.

No cobre, o executivo sustenta que o concentrado já carrega alto valor agregado. Por isso, o foco deveria estar em ampliar a oferta com novas operações de lavra.

“Da mesma forma o níquel, da mesma forma o minério de ferro, da mesma forma o ouro. São materiais que já tem um certo valor”, ressaltou durante o evento.

Onde a verticalização faria diferença

Bittar não descartou o papel da industrialização associada aos minerais críticos. Ele reconheceu que haverá ganhos para a economia em cadeias mais longas, como a das baterias.

“Numa neoindustrialização, as cadeias de minerais críticos vão trazer uma contribuição adicional ao PIB, como as baterias, mas é importante a gente separar. Algumas commodities, você não tem necessidade de verticalizar”, disse Bittar.

Vice-presidente da Vale defende que cobre e níquel não precisam ser processados no Brasil e diz que prioridade é abrir novas minas
Foto: abpm-reproducao-youtube.jpg”,”datePublished”:”2026-10-20T15:

A distinção que ele propõe, portanto, é entre cadeias em que a transformação gera um salto de valor e aquelas em que o minério ou o concentrado já é negociado a preços relevantes no mercado.

O que isso significa para a Amazônia

A fala tem peso para a região porque cobre e níquel estão entre os minerais associados à transição energética e porque a Amazônia concentra parte importante da mineração brasileira. O debate sobre onde ficará o valor gerado, se na boca da mina ou em etapas industriais, define quanto de emprego, arrecadação e infraestrutura permanece nos estados produtores.

A posição da Vale reforça uma leitura em que a prioridade é licenciar e abrir novas minas. Isso desloca a discussão para temas como prazos de licenciamento, logística e impactos socioambientais, que costumam ser os pontos mais sensíveis em projetos minerários na região.

Por outro lado, a tese contrasta com a agenda de neoindustrialização citada pelo próprio executivo, que associa minerais críticos a novas cadeias produtivas no país. A ressalva de Bittar é que essa agenda deve ser seletiva, e não aplicada de forma uniforme a todas as substâncias.

Pontos que seguem em aberto

Segundo a Vale, em declaração de seu vice-presidente-executivo técnico no Invest Mining Summit 2026, em 20 de outubro, a verticalização não faz sentido para todas as commodities minerais. A empresa não detalhou, na fala, quais cadeias considera prioritárias para a industrialização nem como o poder público deveria calibrar incentivos.

Essas definições devem seguir no centro das discussões entre mineradoras, governo e entidades do setor nas próximas rodadas de debate sobre a política de minerais críticos.

Com informações da Vale.

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