Sacos de "sardinha" escondiam 17 toneladas de barbatanas de tubarão rumo à Ásia, e o Ibama aplica multa máxima de R$ 50 milhões

Sacos de "sardinha" escondiam 17 toneladas de barbatanas de tubarão rumo à Ásia, e o Ibama aplica multa máxima de R$ 50 milhões
Foto: Divulgação/Ibama. Agente do Ibama inspeciona a carga de barbatanas de tubarão apreendida no Porto de Itapoá (SC).

Uma carga declarada como sardinha escondia 17 toneladas de barbatanas de tubarão no Porto de Itapoá, no litoral de Santa Catarina. A mercadoria foi apreendida pela Receita Federal e seguiria para a Malásia, para consumo humano. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) multou em R$ 50 milhões a empresa que tentava exportar o produto e estima que cerca de 5.700 tubarões tenham sido mortos para obter a carga. Segundo o órgão, em países asiáticos o quilo da barbatana chega a custar 3 mil dólares.

A fraude nos sacos de sardinha

De acordo com o Ibama, as barbatanas estavam armazenadas em sacos que deveriam conter sardinha-lage, o que mostra a tentativa da empresa de enganar a fiscalização. A apreensão foi feita pelos agentes da Receita Federal no porto catarinense, e o caso passou para o Ibama, responsável pela autuação ambiental.

O valor da multa, R$ 50 milhões, é o máximo previsto pelo Decreto nº 6.514/2008, que regulamenta as infrações ambientais no país.

De quais tubarões eram as barbatanas

Segundo o Ibama, a maior parte das barbatanas era de tubarão-azul (Prionace glauca), espécie migratória comercializada em grande volume no mundo. Uma parcela menor era de tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus), que está na lista de espécies ameaçadas de extinção.

Em março de 2026, o governo endureceu as regras para exportação, importação e reexportação do tubarão-azul. A Instrução Normativa nº 9/2026, do Ibama, proíbe exportar barbatanas de tubarão-azul que não estejam naturalmente presas ao corpo do animal. A regra mira a prática conhecida como finning, em que as barbatanas são cortadas e o resto do tubarão, de baixo valor comercial, é descartado.

Por que as barbatanas valem tanto

A barbatana é o ingrediente da sopa de barbatana de tubarão, prato tradicional em parte da Ásia e associado a festas e status. O alto preço do produto alimenta um comércio internacional que pressiona populações de tubarões em vários oceanos. Como os tubarões crescem devagar, demoram a se reproduzir e têm poucos filhotes, a pesca intensa derruba as populações com rapidez e a recuperação leva décadas.

Não é a primeira vez

Em 2023, o Ibama já havia apreendido 28,7 toneladas de barbatanas de tubarão que também iriam para a Ásia. Na ocasião, mais de 40 pessoas ligadas ao crime ambiental foram autuadas, e a estimativa foi de que 10 mil tubarões das espécies tubarão-azul e tubarão-anequim tivessem sido mortos. A ação ficou conhecida como a maior apreensão de barbatanas já feita no país.

Os tubarões e o equilíbrio do mar

Predadores do topo da cadeia alimentar, os tubarões ajudam a controlar as populações de outras espécies e a manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. A retirada em massa desses animais pode desencadear mudanças em cascata, com efeitos sobre outras espécies marinhas e sobre a pesca.

Entenda

  • Onde: Porto de Itapoá, em Santa Catarina.
  • O quê: 17 toneladas de barbatanas de tubarão em sacos declarados como sardinha.
  • Destino: Malásia, para consumo humano.
  • Estimativa: cerca de 5.700 tubarões mortos.
  • Multa: R$ 50 milhões, o teto previsto em lei.

Perguntas frequentes

Quantos tubarões foram mortos?

O Ibama estima cerca de 5.700 tubarões para produzir as 17 toneladas de barbatanas apreendidas.

Exportar barbatana de tubarão é proibido?

Para o tubarão-azul, a Instrução Normativa nº 9/2026 só permite exportar barbatanas naturalmente presas ao corpo do animal. O tubarão-anequim está na lista de espécies ameaçadas.

A multa de R$ 50 milhões é a maior possível?

Sim. É o valor máximo de multa ambiental previsto no Decreto nº 6.514/2008.

Com informações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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