
Um fruto pouco conhecido fora da Amazônia virou ingrediente da indústria cosmética. O Ajuru, espécie nativa das restingas de Bragança, no Pará, foi transformado em um bioativo usado pela Natura na linha Chronos Derma e virou exemplo de como a biodiversidade amazônica pode gerar produtos de alto valor sem derrubar a floresta.
Do conhecimento tradicional ao bioativo
Originário de um ecossistema pouco estudado da Amazônia costeira, o Ajuru tem papel ecológico importante: ajuda a proteger as restingas, a fixar dunas e a conter o avanço do mar sobre matas e manguezais. A partir do conhecimento de mulheres da região sobre o manejo da espécie, pesquisadores e equipes de P&D desenvolveram aplicações que transformaram o fruto em ingrediente de alta performance para o cuidado com a pele.
“O Ajuru mostra que a Amazônia não é apenas um território de conservação, mas também um espaço de inovação. Quando conhecimento tradicional, ciência e mercado trabalham juntos, surgem oportunidades capazes de gerar renda, desenvolvimento e conservação ao mesmo tempo”, afirma Paulo Simonetti, gerente de Inovação Aberta e ESG do Idesam.
O caso foi apresentado por Rômulo Zamberlan, diretor de Pesquisa Avançada da Natura, durante o webinar “Bioinovação Amazônia: Ciência, Mercado e Oportunidades Globais para P&D”, promovido pelo Idesam.
Um desafio para achar os próximos “Ajurus”
A trajetória do fruto ilustra o objetivo do Desafio Bioinovação Amazônia, iniciativa do Idesam que busca identificar novas oportunidades de inovação a partir da biodiversidade da região, seja na descoberta de ingredientes com potencial comercial, seja no aprimoramento de cadeias produtivas já existentes. Com apoio do Bezos Earth Fund, a chamada vai selecionar pesquisadores amazônicos e especialistas em P&D para formar equipes voltadas aos setores de cosméticos, alimentos e novos materiais.
“Ao reunir especialistas de P&D para desenvolver soluções a partir de óleos e manteigas de andiroba, copaíba, murumuru e buriti, ampliamos a criação de produtos de alto valor agregado, capazes de gerar benefícios concretos para as comunidades tradicionais e contribuir para a manutenção da floresta em pé”, afirma Zamberlan.
Os selecionados terão mentorias, intercâmbio de conhecimento e uma imersão na Amazônia para conhecer comunidades e cadeias produtivas. Ao final, as equipes podem receber apoio financeiro para avançar nas propostas.
Bioeconomia como caminho econômico para a floresta
O potencial é grande. Há mais de 25 anos a Natura usa bioativos da sociobiodiversidade brasileira e afirma contribuir para conservar 2,2 milhões de hectares de floresta. Para o pesquisador Eduardo Brondizio, referência global em sustentabilidade presente no webinar, a Amazônia pode liderar uma nova economia baseada em conhecimento, biodiversidade e valorização das comunidades locais.
“A próxima grande inovação da indústria pode estar em uma comunidade amazônica, aguardando apenas a conexão certa entre conhecimento local, pesquisa científica e mercado”, afirma Simonetti.
Serviço
Desafio Bioinovação Amazônia
Inscrições gratuitas até 30 de junho de 2026
Informações e inscrições: chamadas.idesam.org/chamada/bioinovacao
Perguntas frequentes
O que é o Ajuru?
É um fruto nativo das restingas da Amazônia costeira, encontrado em Bragança (PA). Além do papel ecológico de proteger dunas e manguezais, virou bioativo para cosméticos.
O que é o Desafio Bioinovação Amazônia?
Uma chamada do Idesam, com apoio do Bezos Earth Fund, que seleciona pesquisadores e especialistas para transformar ativos da biodiversidade amazônica em produtos e negócios. As inscrições vão até 30 de junho de 2026.
Com informações do Idesam e da Natura.
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