Banco Mundial busca certificar créditos de carbono florestais

 

O Banco Mundial está empenhado em apoiar os créditos de carbono florestais. A meta é conceder um tipo de certificação que garanta a qualidade dos créditos no mercado voluntário, incentivando a captação de recursos para ampliar esses projetos.

Durante um evento paralelo à reunião do G20, organizado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em São Paulo, Ajay Banga, presidente do Banco Mundial, destacou o trabalho em favor dos créditos de carbono como uma das prioridades do banco em financiamento para soluções climáticas.

“Infelizmente, ao longo dos anos, [os créditos de carbono] não tiveram um desempenho tão bom quanto as pessoas esperavam para ajudar a canalizar dinheiro do mundo desenvolvido para o mundo em desenvolvimento”, disse ele.

Os créditos de carbono são frequentemente vistos como um ‘atalho’ usado por empresas que buscam afirmar que são neutras em carbono sem fazer o dever de casa para a mitigação de suas emissões de gases de efeito estufa. Um obstáculo crucial para a expansão desse mercado é o risco de falta de integridade dos créditos.

No ano passado, denúncias apontaram vários projetos no Brasil e em outros países que vendiam créditos sem entregar os benefícios prometidos, tanto em termos de evitar o desmatamento quanto de remunerar as comunidades envolvidas na preservação.

Atualmente, esses créditos são certificados por entidades que criaram padrões para isso, sendo a principal delas a Verra. Há um movimento para elevar a qualidade desses padrões e do trabalho de certificação, tanto do lado dos emissores quanto do lado dos compradores de créditos.

O que o Banco Mundial está fazendo, explicou Banga, é se envolver diretamente no desenvolvimento de projetos florestais e realizar auditorias “para verificar se as árvores ainda não foram cortadas e para garantir que a maior parte do dinheiro proveniente da venda desse crédito de carbono vai para a comunidade.”

“Vamos fazer [essa verificação] em 15 países na área florestal e ver se, com este selo de integridade, de integridade ambiental e social, podemos obter um preço para o crédito de carbono que vá além dos US$ 6 a US$ 7 por tonelada que hoje são obtidos no mercado, para algo mais próximo dos US$ 15 a US$ 20.”

Nova gestão

Banga assumiu a presidência do Banco Mundial em junho do ano passado, após uma longa carreira no mundo corporativo. Antes de liderar o banco multilateral, Banga era CEO da Mastercard. Ele é a primeira pessoa do Sul Global a dirigir a instituição.

Seu antecessor, o americano David Malpass, havia sido indicado na gestão de Donald Trump. Em um evento realizado na Semana do Clima de Nova York de 2022, ele se recusou a concordar com a afirmação de que o aquecimento global era resultado da queima de combustíveis fósseis pelos seres humanos.

A hesitação foi condenada por líderes políticos de todo o mundo e acelerou o processo de sua substituição. Junto com outros bancos internacionais de desenvolvimento, o Banco Mundial é apontado como uma ferramenta essencial para destravar fluxos de capital privado para empreendimentos climáticos.

O programa de hedge cambial anunciado esta semana pelo governo brasileiro em parceria com o BID é um dos primeiros exemplos desse tipo de atuação.

O peso do G20

No mesmo evento, Mark Carney, ex-presidente dos bancos centrais da Inglaterra e do Canadá e uma das principais lideranças globais das finanças climáticas, sugeriu que o G20 lidere a agenda de integridade dos créditos de carbono.

“Já passou do tempo de o G20 tomar para si a questão no estabelecimento de padrões para a integridade de ponta a ponta nos mercados voluntários de carbono”, disse ele. “Essa discussão vem acontecendo há mais de uma década e o mundo está queimando enquanto isso acontece.”

Na visão de Carney, remover o bode da integridade dos créditos da sala vai possibilitar que centenas de milhares de milhões de dólares de capital por ano fluam das economias desenvolvidas para projetos florestais no mundo emergente e em desenvolvimento.

“Com benefícios auxiliares para a biodiversidade e benefícios diretos, se bem feitos, para os povos indígenas. Para isso, precisamos de integridade no fornecimento.”

Na visão dele, o papel de atestar a integridade recai sobre organismos multilaterais como o Banco Mundial. “É realmente um papel que apenas os bancos internacionais, os bancos multilaterais de desenvolvimento podem desempenhar. O setor privado não pode atuar pela integridade social.”

Ocupando a presidência da COP28, realizada no ano passado, os Emirados Árabes também deram apoio a uma ampla iniciativa conjunta anunciada na conferência para recuperar a reputação dos créditos negociados no mercado voluntário.

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