
Pacientes com um tipo específico de câncer de intestino ficaram livres da doença por quase três anos depois de receber um curso curto de imunoterapia antes da cirurgia. Os resultados são do ensaio clínico NEOPRISM-CRC, liderado pela University College London e pelo hospital universitário da instituição, e foram apresentados no congresso da Associação Americana de Pesquisa do Câncer de 2026.
Nove semanas antes da operação
O estudo incluiu 32 pacientes com câncer de intestino em estágio 2 ou 3 e uma característica genética chamada deficiência de reparo de erros do DNA, também conhecida como instabilidade de microssatélites alta. Em vez de operar e depois fazer de três a seis meses de quimioterapia, eles receberam até nove semanas do remédio de imunoterapia pembrolizumabe antes da cirurgia.
Resultados anteriores já mostravam grande redução dos tumores. Em 59% dos pacientes, não havia sinal detectável da doença depois do tratamento e da cirurgia.
Nenhuma recidiva
Depois de 33 meses de acompanhamento, nenhum paciente teve o câncer de volta, nem os que estavam totalmente livres da doença nem os que ainda tinham pequenas quantidades de tumor, que não cresceram nem se espalharam. Com o tratamento padrão, cirurgia seguida de quimioterapia, cerca de 25% dos pacientes costumam ter recidiva em três anos.
Para o oncologista Kai-Keen Shiu, investigador-chefe do estudo, o fato de nenhum paciente ter voltado a ter câncer após quase três anos é extremamente encorajador e reforça a confiança de que o tratamento é seguro e eficaz para esse grupo de alto risco.
Exame de sangue mostra quem responde
Os pesquisadores também desenvolveram exames de sangue personalizados que detectam fragmentos de DNA do tumor circulando no sangue. Quando esse DNA desaparecia, o paciente tinha grande chance de estar sem câncer. A análise do sistema imune no tumor, antes do tratamento, também ajudou a prever a resposta. A ideia é usar esses testes para ajustar o tratamento, dando menos terapia a quem responde bem e mais a quem tem maior risco.
Para quem serve
É importante ressaltar: o resultado vale para um tipo específico de tumor. Entre os pacientes com câncer de intestino em estágio 2 ou 3, cerca de 10% a 15% têm essa característica genética, identificada por exames do tumor. Para os demais, o tratamento continua sendo o padrão, e quem tem diagnóstico deve conversar com o oncologista sobre as opções.
O valor do rastreamento
Um dos pacientes do estudo, de 73 anos, descobriu o câncer graças a um exame de rastreamento que detectou sangue nas fezes. O câncer de intestino tem chance de cura muito maior quando descoberto cedo: cerca de nove em cada dez pessoas tratadas no estágio 1 sobrevivem pelo menos cinco anos.
No Brasil, o câncer de intestino está entre os mais frequentes, segundo o Instituto Nacional de Câncer. Especialistas recomendam procurar o médico diante de sangue nas fezes, mudança persistente no funcionamento do intestino, perda de peso sem motivo ou dor abdominal frequente, e conversar sobre exames de rastreamento a partir dos 45 ou 50 anos, ou antes, se houver histórico na família.
Perguntas frequentes
Imunoterapia cura câncer de intestino?
Para um tipo genético específico, o estudo mostrou que nenhum paciente teve recidiva em quase três anos. Não vale para todos os casos.
Quais os sinais de câncer de intestino?
Sangue nas fezes, mudança no hábito intestinal, perda de peso sem motivo e dor abdominal frequente.
Com informações da University College London.
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