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Calor extremo matou 120 mil pessoas no Brasil — sem…

Ministério da Saúde anuncia plano de R$ 9,8 bi contra El Niño

Ministério da Saúde anuncia plano de R$ 9,8 bi contra El Niño
Foto: fonte original

Programa estrutura SUS para eventos climáticos extremos até 2035, com Centros de Saúde e Clima e alertas antecipados.

O Ministério da Saúde apresentou nesta terça-feira (3) um plano nacional com investimentos de R$ 9,8 bilhões para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) aos impactos do fenômeno El Niño e das mudanças climáticas. A estratégia reúne 27 metas e 93 ações com planejamento até 2035, incluindo oito Centros Integrados de Saúde e Clima distribuídos pelas cinco regiões brasileiras e um sistema de alerta precoce de calor extremo que opera com até cinco dias de antecedência.

Segundo o ministro Alexandre Padilha, a crise climática representa hoje uma das faces mais evidentes da emergência de saúde pública no país. Ele citou estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que contabilizou 120 mil mortes diretamente relacionadas ao aumento de temperatura média em diversas regiões brasileiras nos últimos 20 anos.

Estrutura do plano: cinco frentes de atuação

O programa estrutura-se em cinco eixos de resposta rápida: coordenação entre Ministério, estados, municípios e Defesa Civil por meio de uma sala de situação; fortalecimento da capacidade de saúde com equipes mobilizadas e reforço a territórios isolados; comunicação padronizada para gestores, profissionais e população; vigilância e alertas com monitoramento de riscos climáticos, sanitários e epidemiológicos; e garantia de insumos estratégicos, como medicamentos, vacinas, água segura e infraestrutura de resposta rápida.

A pasta anunciou também a expansão da Força Nacional do SUS para oito bases distribuídas nas cinco regiões do país. De acordo com o planejamento divulgado, as equipes devem ter capacidade de atender qualquer tipo de emergência em até 12 horas e de iniciar ações compatíveis com a complexidade do desastre em até 72 horas.

Painel Nacional de Excesso de Calor entra em operação

Entre as ferramentas apresentadas está o Painel Nacional de Excesso de Calor, desenvolvido para apoiar ações de vigilância, prevenção e resposta aos riscos associados ao calor extremo. O sistema emite alertas precoces com até cinco dias de antecedência, permitindo que gestões locais acionem protocolos específicos antes da chegada de ondas de calor intenso.

A pasta divulgou ainda um protocolo direcionado à população idosa, grupo considerado mais vulnerável às altas temperaturas. As orientações incluem: oferecer água mesmo sem manifestação de sede; evitar exposição ao sol durante os horários mais quentes; manter ambientes ventilados, frescos e arejados; conferir se medicamentos de uso contínuo estão sendo tomados corretamente; utilizar soro fisiológico em caso de ressecamento dos olhos ou das narinas.

Primeiro Centro Integrado será inaugurado na Bahia

O Ministério informou que o primeiro dos oito Centros Integrados de Saúde e Clima será inaugurado na quarta-feira (1º) na Bahia. Os centros funcionarão como polos regionais de monitoramento, capacitação e resposta a eventos extremos, articulando vigilância epidemiológica, defesa civil e gestão de desastres.

A proposta prevê quatro objetivos centrais: antecipar riscos climáticos e emitir alertas antecipados; preparar serviços de saúde resilientes; proteger a população em regiões mais vulneráveis; e fortalecer a capacidade do SUS de responder e reconstruir territórios afetados por desastres.

Amazônia no centro da estratégia de vulnerabilidade

Embora o material oficial não detalhe a distribuição geográfica completa dos centros, a região Norte desponta como prioritária pela combinação de fatores climáticos extremos, isolamento territorial e dificuldade logística. Estados como Amazonas, Pará e Acre enfrentam ciclos de cheias e secas cada vez mais intensos, além de aumento recorrente da temperatura média e do risco de doenças transmitidas por vetores sensíveis ao clima, como dengue, malária e leishmaniose.

A Amazônia Legal concentra municípios com infraestrutura de saúde precária e distâncias que tornam a chegada de equipes de resposta um desafio logístico. A expansão da Força Nacional do SUS para bases regionais busca justamente reduzir o tempo de deslocamento em cenários de desastre.

Estudo da Fiocruz reforça urgência da adaptação

O dado de 120 mil mortes em 20 anos relacionadas ao aumento de temperatura, conforme levantamento da Fiocruz, não especifica a distribuição por região ou faixa etária, mas reforça a necessidade de protocolos específicos para grupos de risco. “A mitigação é muito importante, o esforço para reduzir emissões de carbono que impactam as mudanças climáticas é necessário, mas a adaptação dos sistemas de saúde é algo urgente”, afirmou o ministro Padilha durante coletiva.

O plano prevê ainda investimentos em infraestrutura física de unidades de saúde, capacitação de profissionais para resposta a desastres e integração de sistemas de monitoramento climático com redes de vigilância epidemiológica. A ideia é que alertas meteorológicos disparem automaticamente protocolos de saúde pública, com mobilização de equipes, distribuição de insumos e reforço de campanhas de prevenção.

Próximos passos: implementação até 2035

O cronograma do programa se estende até 2035, com avaliações anuais de metas e ajustes conforme a evolução dos cenários climáticos. A pasta não divulgou o detalhamento orçamentário por ano nem a origem dos R$ 9,8 bilhões, mas sinalizou que parte dos recursos será destinada à estruturação dos Centros Integrados, à ampliação da Força Nacional do SUS e à aquisição de equipamentos e insumos estratégicos.

A inauguração do centro na Bahia nesta quarta-feira (1º) marca o início operacional da estratégia. Estados e municípios deverão aderir ao plano e adequar suas estruturas de vigilância e resposta aos protocolos nacionais.

Perguntas frequentes

O que é o Painel Nacional de Excesso de Calor?
É um sistema de monitoramento que emite alertas de calor extremo com até cinco dias de antecedência, apoiando ações de prevenção e resposta rápida em unidades de saúde.

Quantos Centros Integrados de Saúde e Clima serão criados?
Serão oito centros distribuídos nas cinco regiões brasileiras. O primeiro será inaugurado na Bahia nesta quarta-feira (1º).

Como a Força Nacional do SUS atuará em desastres climáticos?
Com oito bases regionais, as equipes poderão atender emergências em até 12 horas e iniciar ações complexas em até 72 horas, com estrutura para resposta rápida e apoio a territórios isolados.

Com informações do Ministério da Saúde.

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