
Risco de morte cresce entre crianças, idosos e pessoas de baixa renda durante eventos extremos.
A possibilidade de um Super El Niño no segundo semestre de 2026 reacende o alerta para os efeitos das ondas de calor sobre a saúde no Brasil, especialmente entre crianças, idosos e pessoas de baixa renda. A avaliação foi apresentada pelo engenheiro ambiental Carlos Roxo, com base em estudo atribuído à Fiocruz e à Universidade Federal da Bahia, lançado em junho de 2026, que relaciona o calor extremo ao aumento de mortes, atendimentos no SUS e agravamento das desigualdades sociais. A previsão do fenômeno e os números do estudo precisam ser confirmados nas fontes oficiais antes da publicação definitiva.
Calor extremo deixou de ser risco distante
O El Niño ocorre quando as águas da região equatorial do Oceano Pacífico ficam anormalmente mais quentes. O aquecimento altera a circulação atmosférica e pode provocar efeitos distintos em diferentes partes do planeta. No Brasil, o padrão historicamente associado ao fenômeno é de mais chuva no Sul e de condições mais quentes e secas em grande parte das demais regiões.
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Ministério da Saúde anuncia plano de R$ 9,8 bi contra El NiñoEssa tendência, contudo, não funciona como uma regra automática para todos os municípios. A intensidade do evento, a estação do ano, as condições do Atlântico e os efeitos das mudanças climáticas podem modificar o resultado. Por isso, a expressão Super El Niño não deve ser tratada como certeza sem uma atualização dos órgãos de monitoramento climático.
Na Amazônia, a preocupação envolve os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Períodos de seca, fumaça de queimadas, baixa umidade e temperaturas elevadas podem se combinar, aumentando a pressão sobre unidades de saúde e dificultando o acesso de comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas aos serviços de atendimento.
Entenda o caso
O alerta reúne duas dimensões. A primeira é climática, relacionada à possibilidade de um El Niño intenso e aos impactos regionais de calor e estiagem. A segunda é sanitária, porque temperaturas extremas podem agravar doenças, aumentar a demanda por atendimento e atingir de modo desigual quem tem menos recursos para se proteger.
Segundo estudo atribuído à Fiocruz e à Universidade Federal da Bahia, ondas de calor teriam causado cerca de 120 mil mortes no Brasil entre 2000 e 2019, dado que deve ser checado na publicação original e na metodologia utilizada. O levantamento também teria apontado que entre 76% e 84% da população depende exclusivamente do SUS, percentual igualmente marcado para conferência.
Quem corre mais risco
O calor intenso pode provocar desidratação, queda de pressão, alterações metabólicas e sobrecarga do coração e dos rins. Também pode piorar doenças respiratórias, cardiovasculares e hormonais. Em situações prolongadas, a combinação de altas temperaturas e pouca ingestão de água eleva o risco de insuficiência renal e de internações.
Entre as crianças com menos de 10 anos, o risco pode estar associado principalmente à desidratação provocada por diarreias. Pessoas com mais de 60 anos tendem a ser mais vulneráveis porque podem ter doenças crônicas, menor percepção de sede e dificuldade para regular a temperatura do corpo.
A desigualdade social amplia a exposição. Famílias pobres vivem com maior frequência em moradias pouco ventiladas, bairros com menos árvores e áreas mais impermeabilizadas. Também enfrentam mais dificuldade para comprar ventiladores, instalar ar-condicionado, adquirir água e interromper atividades profissionais realizadas sob o sol.
O problema é ainda mais complexo para trabalhadores rurais, entregadores, vendedores ambulantes, agentes de limpeza e profissionais da construção civil. Em municípios amazônicos, o calor pode se somar à umidade elevada, à fumaça e às longas distâncias até uma unidade de saúde.
Prevenção exige ação além da orientação individual
Beber água regularmente, preferir refeições leves, buscar sombra e evitar a exposição direta ao sol nos horários mais quentes são medidas básicas. Também é recomendável manter os ambientes ventilados, usar roupas leves e observar sinais de mal-estar, como tontura, fraqueza, confusão, dor de cabeça, náusea e redução da urina.
Se os sintomas aparecerem ou piorarem, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente. Pessoas que vivem sozinhas, idosos e crianças precisam ser acompanhados durante os dias mais quentes. A recomendação também vale para animais domésticos, que devem ter acesso permanente à água e a locais protegidos do sol.
O ponto central, porém, é que a prevenção não pode ser transferida apenas para o indivíduo. O estudo citado defende a integração entre dados meteorológicos e sistemas de vigilância epidemiológica, além do reforço dos serviços de emergência, da revisão dos estoques de insumos para hidratação e da climatização de unidades de saúde.
Também são necessárias campanhas públicas com linguagem acessível, planos estaduais e municipais para ondas de calor e protocolos específicos para escolas, empresas e serviços de assistência social. Sem essas medidas, a recomendação para beber água pode se tornar insuficiente para quem não consegue interromper o trabalho ou mora em locais sem estrutura adequada.
O desafio para governos e cidades
O alerta para um possível Super El Niño deve ser tratado como oportunidade para testar a capacidade de resposta do poder público. Estados e municípios precisam identificar bairros mais quentes, mapear a população vulnerável, preparar unidades de emergência e estabelecer canais de comunicação antes da ocorrência dos picos de temperatura.
Na região amazônica, esse planejamento deveria considerar também a logística fluvial, a interrupção de estradas durante períodos de chuva ou seca, a distância entre comunidades e hospitais e a exposição à fumaça. A mesma onda de calor pode produzir impactos muito diferentes em uma capital, em uma cidade do interior e em uma aldeia isolada.
O histórico recente mostra que eventos extremos não são apenas problemas ambientais. Eles afetam a economia, a produtividade, a segurança alimentar e a capacidade do sistema de saúde. A lacuna está em transformar diagnósticos em medidas permanentes, com orçamento, responsáveis definidos e indicadores de acompanhamento.
Perguntas frequentes
O que é o Super El Niño?
É uma forma de descrever um episódio muito intenso do El Niño, fenômeno associado ao aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial. A ocorrência e a intensidade previstas para 2026 precisam ser confirmadas por órgãos oficiais de monitoramento.
Quem é mais vulnerável ao calor extremo?
Crianças pequenas, idosos, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol e famílias de baixa renda estão entre os grupos com maior risco.
Quando procurar atendimento?
Em caso de confusão mental, desmaio, fraqueza intensa, falta de ar, dor no peito, vômitos persistentes ou redução importante da urina, a busca por atendimento deve ser imediata.
Os próximos passos dependem da confirmação dos prognósticos climáticos e da divulgação dos documentos oficiais sobre o estudo de saúde, mas governos e serviços públicos já podem reforçar a vigilância e os planos de contingência.
Com informações da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade Federal da Bahia.
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