
Animal foi segurado por trabalhadores em Campo Verde antes de ser solto, e biólogo explica como diferenciar os dois felinos.
Um felino silvestre encontrado por trabalhadores em uma fazenda de Campo Verde, em Mato Grosso, foi confundido com um filhote de onça-pintada. O animal foi segurado por um dos homens, recebeu água e depois foi solto na propriedade. A identificação foi corrigida pelo biólogo João Marcelo Biagini, que explicou ao Primeira Página que se tratava de uma jaguatirica, espécie nativa de menor porte.
O encontro foi registrado em vídeo pelo trabalhador rural Braulio Junior. Nas imagens, os homens comentam a presença do felino e demonstram surpresa com a aparência do animal. Durante a gravação, um deles afirma: “Olha, gente, que coisa mais linda, um filhotinho de onça”.
🌿 Receba nossas notícias no Google
⭐ Adicionar Revista AmazôniaLeia também
Periquitos tropicais fazem festa noturna nas cidades da Alemanha
Ouriços, esquilos e pássaros sedentos: este é o ponto exato do jardim onde as tigelas de água ajudam mais durante uma onda de calor
A cutia pode decidir o futuro de uma castanheira sem tocar na árvore adulta: o mapa escondido das sementesApesar da semelhança entre filhotes de onça-pintada e jaguatiricas, o padrão da pelagem, o tamanho e o formato do corpo ajudam a diferenciar as espécies. O episódio também reforça a necessidade de não tocar, capturar ou oferecer água a animais silvestres encontrados em propriedades rurais.
Como diferenciar a jaguatirica da onça-pintada
De acordo com o biólogo João Marcelo Biagini, a principal diferença está nas manchas da pelagem. A onça-pintada, espécie conhecida cientificamente como Panthera onca, apresenta rosetas. Essas marcas têm contorno preto e uma área interna geralmente marrom.
Na jaguatirica, identificada como Leopardus pardalis, as manchas são mais alongadas e aparecem próximas umas das outras. O desenho produz um padrão visual diferente, que pode ser percebido mesmo quando o animal é jovem.
O porte também é um indicador importante. A onça-pintada pode chegar a 2,5 metros de comprimento e pesar normalmente entre 56 quilos e 100 quilos. Machos grandes registrados em regiões como o Pantanal podem atingir até 158 quilos, segundo os dados apresentados na reportagem original.
A jaguatirica é consideravelmente menor. O corpo mede entre 67 centímetros e 1 metro, sem contar a cauda, que tem aproximadamente 30 a 45 centímetros. O peso varia de 6,6 quilos a 18,6 quilos.

Diferenças nos filhotes
A comparação pode ficar mais difícil quando se trata de filhotes. Ainda assim, segundo Biagini, os filhotes de onça-pintada costumam ter corpo mais robusto e cabeça proporcionalmente maior. Os filhotes de jaguatirica apresentam aparência mais esguia e alongada, com a cabeça menor em relação ao corpo.
Segundo o biólogo João Marcelo Biagini, o animal filmado em Campo Verde, em Mato Grosso, era uma jaguatirica, e não um filhote de onça-pintada, conforme a análise das características visíveis no vídeo.
Entenda o caso
O felino apareceu em uma fazenda de Campo Verde e foi contido por trabalhadores antes de ser liberado na própria propriedade. A gravação mostra o momento da abordagem e da soltura, mas não informa se o animal apresentava ferimentos ou se precisou de atendimento especializado.
A presença de felinos silvestres em áreas rurais pode ocorrer porque a expansão de atividades agropecuárias aproxima propriedades de fragmentos de vegetação e de áreas usadas pelos animais para deslocamento e busca por alimento. Mato Grosso reúne diferentes ambientes, incluindo áreas de Cerrado, Amazônia e Pantanal, onde vivem espécies como jaguatirica, onça-pintada e onça-parda.
O mesmo cuidado vale para encontros em outros estados da Amazônia Legal, como Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Mesmo que o animal pareça pequeno, dócil ou debilitado, a aproximação pode provocar reação defensiva e aumentar o estresse do felino.
O que fazer ao encontrar um animal silvestre?
A recomendação é manter distância, evitar movimentos bruscos e retirar pessoas e animais domésticos do local. Também não se deve tentar pegar o animal, cercá-lo, alimentá-lo ou oferecer água.
O correto é acionar os órgãos responsáveis pelo atendimento, como o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar. Sempre que possível, a pessoa deve informar a localização exata, observar o animal de longe e registrar imagens sem se aproximar.

A orientação protege tanto os moradores quanto a fauna. A captura improvisada pode causar ferimentos, interromper o deslocamento do animal ou dificultar uma eventual avaliação por equipes ambientais. Em áreas rurais, também é importante manter trabalhadores afastados até a chegada do atendimento.
Por que a identificação é importante?
Confundir uma jaguatirica com uma onça-pintada não é apenas uma questão de nomenclatura. As espécies têm tamanhos, comportamentos e necessidades diferentes. A identificação correta ajuda a definir a distância segura, o tipo de atendimento e os procedimentos de manejo caso o animal esteja ferido ou preso.
A jaguatirica é um predador de médio porte que pode ocupar áreas de mata, bordas de vegetação e paisagens modificadas. Já a onça-pintada é o maior felino das Américas e exige atenção especial em razão de seu porte e de sua força. Em qualquer situação, porém, a regra inicial é a mesma: não interferir diretamente.
O caso de Campo Verde deve servir de alerta para que novos encontros sejam comunicados às autoridades ambientais, que poderão avaliar a necessidade de resgate, monitoramento ou retorno seguro do animal ao ambiente natural.
Perguntas frequentes
O animal do vídeo era uma onça-pintada?
Não. Segundo o biólogo João Marcelo Biagini, o felino registrado em Campo Verde era uma jaguatirica, espécie menor e com manchas mais alongadas e próximas.
Como diferenciar uma jaguatirica de um filhote de onça?
As rosetas da onça-pintada têm contorno preto e interior marrom. A jaguatirica tem manchas mais alongadas, corpo mais esguio e cabeça menor em proporção ao corpo.
O que fazer ao encontrar um felino silvestre?
Não toque, não tente capturar e não ofereça alimento ou água. Mantenha distância e acione o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar.
Com informações de Primeira Página.
Nunca perca uma notícia da AmazôniaControle o que você vê no Google
O Google lançou as Fontes Preferenciais: escolha os veículos que aparecem com prioridade. Adicione a Revista Amazônia e garanta cobertura exclusiva sempre em destaque.
Adicionar Revista Amazônia como Fonte Preferencial1. Pesquise qualquer assunto no Google
2. Toque no ⭐ ao lado de "Principais Notícias"
3. Busque Revista Amazônia e marque a caixa — pronto!
Cães alteram rotina de onças-pardas em áreas de proteção em SP
Pagamento a produtores pode proteger habitat da onça-pintada
Cinco gatos escolheram a Fonoteca Nacional como lar e passaram a fazer parte da rotina da instituição















Você precisa fazer login para comentar.