Capivaras ficaram verdes num lago da Argentina e as fotos assustaram: a cor vinha de uma floração de cianobactérias que também ameaça represas brasileiras

Capivaras ficaram verdes num lago da Argentina e as fotos assustaram: a cor vinha de uma floração de cianobactérias que também ameaça represas brasileiras
Capivara nadando no Pantanal. Foto: Charles J. Sharp, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

As imagens de capivaras inteiramente verdes, saindo da água de um lago na Argentina, circularam pelas redes e assustaram. Os animais estavam cobertos por uma camada de algas verde-azuladas no lago de Salto Grande, na província de Entre Ríos, formado pelo rio Uruguai na fronteira com o Uruguai. A cor não era tinta nem brincadeira: era resultado de uma floração de cianobactérias.

O fotógrafo Juan Menoni, que registrou as capivaras, relatou um cheiro forte no local e disse frequentar o lago desde criança sem nunca ter visto nada parecido.

O alerta das autoridades

A Comissão Administradora do Rio Uruguai (CARU), órgão binacional que cuida do rio, já havia alertado para a presença de cianobactérias nas águas do Uruguai e de seus afluentes. Segundo a comissão, o fenômeno costuma ocorrer no verão, com as altas temperaturas, e pode afetar praias por horas ou dias. A orientação é observar a cor da água e da areia e evitar contato quando a água estiver esverdeada ou turva.

O episódio coincidiu com calor intenso, falta de chuvas e nível baixo do rio, condições que favorecem a multiplicação desses microrganismos.

O que são cianobactérias

Cianobactérias são microrganismos que fazem fotossíntese, como as plantas, e vivem em rios, lagos e represas. Em condições normais, são parte do ecossistema. Quando há muito nutriente na água, vindo de esgoto, fertilizantes ou criação de animais, combinado com calor, sol forte e água parada, elas se multiplicam de forma explosiva. É a floração, que deixa a água com aspecto de tinta verde ou de nata na superfície.

O problema é que várias espécies produzem toxinas, as cianotoxinas, que podem afetar o fígado, o sistema nervoso e a pele de pessoas e animais.

Riscos para pessoas e animais

O contato com água contaminada pode causar irritação na pele e nos olhos, e a ingestão pode provocar náusea, vômito, diarreia e, em casos graves, danos ao fígado. Cães que nadam ou bebem água de lagos com floração estão entre as vítimas mais comuns, porque engolem água e lambem o pelo depois.

O Brasil conhece bem o perigo. Em 1996, em Caruaru, Pernambuco, dezenas de pacientes de uma clínica de hemodiálise morreram depois de receber água contaminada por toxinas de cianobactérias. O caso levou o país a incluir o monitoramento de cianobactérias nas regras de qualidade da água para consumo.

E as capivaras?

Capivaras passam boa parte do tempo na água, o que as expõe às florações. O efeito da camada verde sobre a saúde delas depende do tipo de cianobactéria e da quantidade de toxina. O caso de Salto Grande mostra como a fauna serve de alerta visual para um problema que, na maior parte das vezes, passa despercebido.

Como se proteger

Não nade nem deixe crianças e animais entrarem em água esverdeada, com espuma, manchas ou cheiro forte. Não use essa água para beber, cozinhar ou lavar alimentos, mesmo fervida, porque ferver não destrói as toxinas. Se houver contato, lave a pele com água limpa. Em represas e praias de rio, siga os avisos das autoridades locais sobre balneabilidade.

Perguntas frequentes

Por que as capivaras ficaram verdes?

Porque nadaram em água com floração de cianobactérias, que formaram uma camada verde sobre o pelo.

Ferver a água elimina as cianotoxinas?

Não. A fervura não destrói essas toxinas, por isso água com floração não deve ser usada para consumo.

Com informações da Comissão Administradora do Rio Uruguai (CARU).

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