
Carta Santarém cria uma linha de base para o público acompanhar, ano a ano, o que as mineradoras do Pará informam sobre ambiente, comunidades e governança.
Quem mora perto de uma mina no Pará ou quer saber o que as mineradoras fazem no estado passou a ter um documento público para consultar e comparar a cada ano. O Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (Simineral) apresentou, em 19 de outubro, a Carta Santarém, o primeiro relatório ESG da mineração paraense, com dados de 2025 informados por dez empresas associadas.
O título completo é Relatório ESG 2026: Retrato da Mineração na Amazônia. O texto está disponível na íntegra no site da entidade, em simineral.org.br/carta-santarem, e reúne indicadores ambientais, sociais e de governança das principais operações minerárias do estado.
Onde o dinheiro foi aplicado
Segundo o Simineral, os investimentos sociais das empresas participantes somaram cerca de R$ 2 bilhões em 2025. Desse total, aproximadamente R$ 213 milhões foram obrigatórios, exigidos por lei ou licenciamento, e mais de R$ 1,7 bilhão foram iniciativas voluntárias.
Pela conta do sindicato, o volume voluntário é mais de oito vezes maior que o obrigatório. Entre as áreas atendidas, o relatório destaca:
- saúde: R$ 158,8 milhões;
- geração de renda: R$ 63,9 milhões;
- educação: R$ 43,8 milhões;
- infraestrutura pública, qualificação profissional e desenvolvimento comunitário.
O documento não detalha neste conjunto de destaques como cada valor foi distribuído entre municípios, o que será um ponto a observar nas próximas edições.
Emprego e compras no estado
Cerca de 72% da mão de obra própria e terceirizada das empresas associadas foi contratada no Pará. Aproximadamente metade dos gastos com fornecedores foi direcionada a empresas paraenses. Para quem vive na região, são os números que indicam quanto da atividade se converte em trabalho e negócios locais.
Meio ambiente e segurança no trabalho
No pilar ambiental, o relatório afirma que, para cada hectare com intervenção direta da atividade mineral, as empresas mantêm cerca de dez hectares protegidos, conservados ou sob monitoramento. A taxa média de reuso de água é de 75%, e cerca de 85% da eletricidade consumida nas operações vem de fontes renováveis.
Na segurança, a taxa de frequência de acidentes com afastamento foi de 0,73 por milhão de horas trabalhadas. De acordo com o Simineral, o índice equivale à metade da média do setor mineral brasileiro apurada pelo Ibram.
Como os dados foram produzidos
Este é o ponto que o leitor deve ter em mente ao ler os números. A Carta Santarém foi feita com informações fornecidas voluntariamente pelas empresas, complementadas por bases públicas e documentos corporativos. Os indicadores seguem referências internacionais como GRI, IFC, ICMM e GHG Protocol.
Os dados foram compilados e analisados pelo próprio Simineral, sem auditoria por parte da entidade. Ou seja, os números refletem o que as empresas reportaram, e a checagem independente por órgãos de controle, universidades ou organizações da sociedade civil continua sendo o caminho para confirmá-los.
A origem e o que os dirigentes dizem
A publicação nasceu do III Congresso Técnico do Simineral, realizado em Santarém em 2025, a partir do diálogo entre empresas, poder público, instituições e especialistas. Daí o nome da carta.
O presidente executivo do Simineral, Emerson Rocha, afirmou:
“A Carta Santarém expressa um compromisso coletivo com uma mineração cada vez mais transparente e responsável. Ao reunir esses indicadores, damos à sociedade uma base concreta para acompanhar nossas práticas, compreender os avanços e conhecer os desafios que ainda precisamos enfrentar. Este é um ponto de partida para um trabalho contínuo, que deve se aprofundar a cada nova edição e contribuir para o desenvolvimento sustentável da Amazônia”
Já o presidente do Conselho Diretor, Anderson Baranov, destacou o ineditismo:
“O futuro da mineração será determinado pela capacidade de produzir com responsabilidade, gerar valor para a sociedade e responder aos desafios globais da sustentabilidade. O Pará reúne todas as condições para exercer esse protagonismo, mas essa posição exige compromisso permanente com a transparência e a inovação. Pela primeira vez, apresentamos uma visão integrada dos avanços da mineração paraense nas dimensões ambiental, social e de governança, demonstrando que competitividade e responsabilidade caminham lado a lado”
O que vem a seguir
A publicação inaugura um ciclo anual de reporte. A próxima edição, com ano-base 2026, está prevista no roadmap ESG do Simineral, o que permitirá comparar os indicadores de um ano para outro e verificar se os números de 2025 se sustentam.
Com informações de Simineral.
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